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Após "erro" no Santos, Lucas Crispim vê Lahm como inspiração em nova função

Lucas Crispim comemora gol marcado pelo Fortaleza em cima do Santos, seu ex-clube - Pedro Chaves/AGIF
Lucas Crispim comemora gol marcado pelo Fortaleza em cima do Santos, seu ex-clube Imagem: Pedro Chaves/AGIF

Eder Traskini

Do UOL, em Santos (SP)

10/09/2021 14h00

A temporada 2021 de Lucas Crispim vem sendo tão improvável quanto a própria campanha do Fortaleza, uma das sensações deste Brasileirão. Não pelo bom futebol apresentado, mas pela posição em que vem se destacando. Antigo meia de criação, inclusive com boa projeção na base do Santos — de onde considera que se precipitou ao pedir para sair —, o jogador segue vestindo a camisa 10, mas agora atuando como ala-esquerdo.

A ideia partiu do técnico argentino Juan Pablo Vojvoda e, o que poderia parecer loucura para alguns, vem dando certo. Antes de começar a fazer a função, Crispim assistiu a vídeos, teve orientação dos auxiliares argentinos e definiu uma nova inspiração: o polivalente Philipp Lahm, lendário capitão da Alemanha campeã mundial de 2014.

"O Phillip Lahm era um destro que jogava na esquerda. Eu acompanhava ele, via bastante. Um outro lateral também que jogou a Eurocopa, destro que atuava na esquerda. Eles (auxiliares) me mostraram vídeos, mas fugiu o nome. Hoje, o jogador tem que ser versátil. Tem que saber jogar em todas as posições. Às vezes no jogo muda a arrumação tática e você tem que entender o que a partida está pedindo", afirmou Crispim em entrevista exclusiva ao UOL Esporte.

Crispim afirmou que a principal dificuldade no início fora a parte defensiva, mas com atenção especial da comissão técnica e as cobranças por intensidade de Vojvoda, ele tem dado conta do recado.

"No começo, o posicionamento defensivo (a maior dificuldade). Fui meia a carreira inteira e me preocupava em fazer os outros me marcarem, mas agora tenho que me preocupar com a zona defensiva também. Tem que cuidar na linha de impedimento. Os auxiliares do Vojvoda me ajudam bastante, já vinha me mostrando vídeos de como seria antes mesmo de eu começar a atuar ali. Isso facilitou bastante. Ele (Vojvoda) pede muita intensidade. É o diferencial do time dele: a mesma intensidade para atacar e marcar. O jogo inteiro", explicou.

"O diferencial dele (Vojvoda) é que nunca está satisfeito. Ganhamos do Internacional de 5 a 1 e no outro dia ele estava cobrando bastante. Nunca está satisfeito e isso é muito positivo. Quer sempre melhorar. Foi 5, mas era pra ser 7, era pra ser 8. Ele sempre quer esse algo a mais e é isso que está diferenciando ele."

Libertadores é o objetivo

Atualmente na 3ª colocação do Brasileirão após praticamente um turno disputado, o Fortaleza sonha com mais feitos históricos e inéditos. O objetivo declarado é se manter no topo da tabela, mas Lucas Crispim quer classificar o Leão pela primeira vez em sua história para a Copa Libertadores da América.

"Objetivo é fazer história. Dar alegria pra torcida. Não costumo traçar planos de números. Depende do momento, do jogo. Quero sempre estar ganhando, quando perco chego em casa bravo, não falo com ninguém. Esse lado competitivo acaba até sendo ruim às vezes, porque quem mora comigo sofre. Chegamos nas quartas (da Copa do Brasil), quero chegar na semi. Quero classificar o time pra Libertadores, que nunca foi", afirmou.

Segundo Crispim, foi o título cearense que ofereceu aos atletas a noção do que eles poderiam alcançar sob o comando do argentino Juan Pablo Vojvoda, ex-comandante de times como Defensa y Justicia e Newell's Old Boys.

"Ali começamos a entender um pouco mais o estilo de jogo dele. Quando ganhamos do Atlético-MG e do Inter em seguida, nossa ficha caiu do quão longe a gente poderia ir. Vimos que dava pra chegar e viramos a chave. O campeonato do Fortaleza quando começa, não dá pra negar, é se livrar (do rebaixamento). Ano passado quase caiu e esse ano estamos com outros pensamentos já", disse.

Erro e precipitação no Santos

Revelado pelo Santos, Lucas Crispim foi campeão da Copa São Paulo de Futebol Jr. em 2013 e era visto como um meia de boa projeção dentro do clube. No entanto, nunca conseguiu ter seu espaço. Em entrevista ao UOL Esporte, revelou que sempre pedia para sair por empréstimo para poder atuar e, hoje, faria diferente.

"Quando a gente sobe quer ter nosso momento, nossa oportunidade, jogar sempre e acaba não entendendo por que isso não acontece. Mas era muito difícil. Eu jogava pelo lado e tinha Gabigol, Geuvânio, Robinho... Não tive a sequência que esperava. Toda vez que eu saí por empréstimo foi por minha escolha. Eu quis sair porque não ficava cômodo no banco, sem jogar. Tanto que todas as vezes que eu saí, eu joguei. A concorrência era muito grande, o Santos é gigante e sempre vai ter os melhores jogadores lá" comentou.

"Acabei me precipitando um pouco nessas pedidas pra sair. Agora, mais experiente, eu coloco a cabeça no travesseiro e sei bem o que aconteceu. Faria muita coisa diferente. Menino, né, toma decisões erradas. Algumas coisas eu faria diferente, outras não, mas não me arrependo. É página virada, coisa do passado e não volta mais. É pensar somente no presente e no futuro, estou muito feliz no Fortaleza e quero fazer história com essa camisa", concluiu o polivalente jogador.

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