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Danilo ganha prestígio na seleção e emenda quase dois anos sempre em campo

Danilo durante treino da seleção brasileira na Neo Química Arena em setembro de 2021; ele é presença certa na equipe - Lucas Figueiredo/CBF
Danilo durante treino da seleção brasileira na Neo Química Arena em setembro de 2021; ele é presença certa na equipe Imagem: Lucas Figueiredo/CBF

Gabriel Carneiro

Do UOL, em São Paulo

08/09/2021 04h00

O lateral-direito Danilo ganhou de vez a posição de Daniel Alves e vai emendar amanhã (9), às 21h30, contra o Peru, a sua 17ª partida consecutiva pela seleção brasileira. Desde novembro de 2019 que jogo do Brasil é garantia de presença do jogador de 30 anos, seja em amistosos, no vice-campeonato da Copa América em julho ou na campanha perfeita nas Eliminatórias da Copa do Qatar.

O avanço da importância de Danilo dentro em campo é proporcional à influência que ele adquire dia a dia para além das quatro linhas, como um dos porta-vozes preferidos da seleção em momentos delicados e liderança no vestiário entre os jogadores.

Danilo foi convocado pela primeira vez para a seleção em agosto de 2011, mas só agora vive afirmação técnica e comportamental. Ele tem 60 convocações para jogos e entrou em campo 39 vezes, com um gol marcado — destas 39 chamadas, foram 20 somente no ciclo da Copa de 2022, o que mostra que é um dos nomes preferidos de Tite.

Na última semana, foi perguntado para o técnico por que Danilo continua como titular mesmo depois da volta de Daniel Alves em condições físicas plenas. Tite respondeu assim.

Pela continuidade do trabalho e por uma liberdade maior para os homens da frente. Danilo não tem como característica maior o último terço do campo, quem tem é Dani. Agora, tu tens nele essa marcação mais forte, imposição e saída rápida. É o ponto de equilíbrio que eu bato tanto."

O gol da vitória por 1 a 0 sobre o Chile na última quinta-feira (2) teve participação decisiva do lateral-direito. É o argumento que Tite precisa para bancar a escolha.

Danilo - Lucas Figueiredo/CBF - Lucas Figueiredo/CBF
Danilo durante jogo da seleção brasileira contra o Chile, pela nona rodada das Eliminatórias
Imagem: Lucas Figueiredo/CBF

Liderança discreta

Um jogador com 60 convocações que completará amanhã 40 jogos pela seleção é, obviamente, respeitado dentro e fora do elenco. Ainda mais tendo o currículo que ele tem, com passagens por Santos, Porto, Real Madrid, Manchester City e Juventus, onde inicia sua terceira temporada.

Não à toa, foi escolhido pela CBF para conceder entrevistas coletivas em momentos delicados da história recente da seleção. Logo após a estreia na Copa América cercada de polêmicas e contestações pelo momento sanitário do Brasil; e também depois da suspensão de Brasil x Argentina, que seria domingo, pelas Eliminatórias. Sereno, bem articulado e bem informado sobre questões internas pela ascendência que conquistou com a comissão técnica de Tite, Danilo não driblou os assuntos espinhosos — como é praxe — e sim deu sua visão sobre eles.

Danilo - Lucas Figueiredo/CBF - Lucas Figueiredo/CBF
Danilo durante treino da seleção
Imagem: Lucas Figueiredo/CBF

Após o fim da Copa América, o próprio jogador refletiu num post no Instagram que os jogadores da seleção estavam distantes do povo e que isso poderia explicar o fato de alguns brasileiros terem manifestado torcida pela Argentina na final. Já a grande massa de seus companheiros levou a torcida "anti-Brasil" como puro ato de desrespeito e antipatriotismo.

Esse comportamento "fora da caixa" de Danilo é visto com respeito pelos outros jogadores mesmo quando discordam, segundo ouviu o UOL. Ele é um atleta que leva livros para as concentrações e os lê, assiste palestras e documentários, tem diálogos diretos com dirigentes e profissionais da comissão técnica e exerce uma liderança discreta, mas atuante nas grandes mobilizações recentes do grupo.

O próximo passo é convencer o torcedor de que ele é nome certo para ser titular da lateral direita em 2022.

"Para qualquer atleta é muito mais legal quando você tem o suporte de todas as pessoas que torcem. Mas no futebol não existe unanimidade, nem os maiores da história são unânimes. As críticas são naturais. Eu trabalho para que não aconteçam, para que seja o mínimo, mas meu trabalho será feito da mesma forma com muita ou pouca crítica (...) Estou satisfeito por essa sequência [de jogos], me faz ter motivação para dar o máximo e fazer o Tite pensar, 'putz, jogar com o Danilo é bacana'".