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Conselheiro do Sport diz existir 'panelinha' para não punir por caso Gil

Gil do Vigor durante visita ao estádio do Sport, em Recife - Reprodução
Gil do Vigor durante visita ao estádio do Sport, em Recife Imagem: Reprodução

Bruno Fernandes

Colaboração para o UOL, em Maceió

08/09/2021 04h00

Um grupo formado por integrantes da Comissão de Ética e Disciplina do Sport estaria travando o caso de homofobia praticado pelo conselheiro Flávio Koury contra o economista GIlberto Nogueira, o Gil do Vigor, participante do BBB 21. A acusação foi feita pelo também conselheiro Romero Albuquerque ao UOL. Ele já tinha feito a denúncia original do caso.

Em maio, o advogado Flávio Koury proferiu falas homofóbicas contra Gil, torcedor do Leão da Ilha do Retiro, após visita do economista ao estádio leonino. Na passagem, Gil posou para fotos, deu entrevista e fez a famosa coreografia "tchaki tchaki". De acordo com Albuquerque, a notificação ao advogado de Koury sobre o caso foi realizada apenas no dia 27 de agosto, quatro meses após o ocorrido.

"Chegamos a propor na última reunião do conselho o afastamento dos membros da Comissão de Ética porque eles não estavam cumprindo o prazo e não tinham nenhum interesse em levá-lo adiante. A previsão legal era que o presidente da comissão mudasse os integrantes da comissão. Existe uma panelinha lá e decidiram por não aprovar o requerimento para mudar a comissão que não quer dar continuidade", disse Albuquerque.

A Comissão de Ética formada para analisar o caso de homofobia foi nomeada no dia 8 de junho, quase um mês após o ocorrido. A notificação para Flávio Koury só foi enviada quase quatro meses depois da acusação. Albuquerque afirmou que foi essa demora que originou o pedido de afastamento dos membros da comissão de ética citado por ele. O órgão tinha 30 dias, a contar da data da nomeação, com possibilidade de prorrogação por mais 30 dias, para fazer a avaliação do caso.

"Está previsto no regimento que, caso não se posicionem no prazo previsto, o presidente tem que destituir os membros da comissão e convocar novos membros. Mas não foi feito", falou Albuquerque.

Após o esgotamento dos prazos, segundo Albuquerque, a notificação foi aprovada e enviada. Agora, a Comissão aguarda a defesa de Koury —são 15 dias de prazo para se manifestar. A partir daí, a Comissão de Ética vai encaminhar seu parecer ao Conselho Deliberativo. Ainda de acordo com o denunciante, a amizade dos membros da Comissão de Ética com Flávio Koury sugere que o caso dificilmente resultará em uma punição.

Procurado, o presidente do Conselho Deliberativo do clube, Pedro Leonardo Lacerda, informou que a comissão é técnica e é formada por advogados e, segundo Lacerda, compete a eles, conforme o estatuto estabelece e como membros da Comissão de Ética e Disciplina, receber, processar e avaliar o trâmite de qualquer situação concreta que envolve o caso. "Nem a presidência do Conselho Deliberativo, nem a presidência executiva e nem a Mesa Diretora tem hierarquia, gerência, gestão ou interferência na comissão de Ética e Disciplina", informou Lacerda.

Perguntado sobre a pressão feita por membros do Conselho Deliberativo, Silvio Neves Baptista, membro da Comissão de Ética, informou ao UOL que ela não impressiona nem intimida: "A Comissão de Ética deu um prazo de 15 dias para a defesa do conselheiro Flávio Koury e depois disso, com defesa ou não, a Comissão dará o seu parecer."

O caso

Em maio, um áudio de teor homofóbico foi enviado ao UOL. O conteúdo era uma mensagem atribuída a Flávio Koury, em que um homem se mostra revoltado com a coreografia do economista encenada na Ilha do Retiro. "Se ele tivesse feito essa dancinha na casa dele ou no bordel, eu não estava nem aí. Foi dentro da Ilha do Retiro, né rapaz? Isso é uma desmoralização! Isso é ausência de vergonha na cara. É isso que estamos vivendo. Não tem mais respeito por pai e filho. É a depravação. Isso é o retrato do que o PT deixou pra gente. É exatamente isso."

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