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Moradores de Brusque pediram desculpas após racismo do clube, diz Celsinho

Celsinho, meia do Londrina, faz gesto antirracista após marcar gol contra o Coritiba - Ricardo Chicarelli/ Londrina EC
Celsinho, meia do Londrina, faz gesto antirracista após marcar gol contra o Coritiba Imagem: Ricardo Chicarelli/ Londrina EC

Marcello De Vico

Colaboração para o UOL, em Santos (SP)

03/09/2021 11h57

Alvo de racismo no jogo da Série B entre Londrina e Brusque, Celsinho tem recebido pedidos de desculpas de torcedores da cidade catarinense. O mesmo não aconteceu por parte de dirigentes do clube, que, segundo o meia, ainda não o procuraram após o episódio.

No último sábado (28), Celsinho relatou ao canal Premiere ter sido chamado de 'macaco' por um dirigente do clube catarinense; o vídeo em que é possível ouvir o grito foi postado pelo Londrina. O meia ainda foi ofendido com as palavras 'vai cortar esse cabelo seu cachopa de abelha', segundo a súmula do jogo.

"Por incrível que pareça, ninguém [do Brusque] entrou em contato, ninguém falou nada. Eu recebo muitas mensagens de pessoas que moram em Brusque, pedindo desculpas pelo ato do clube, até mesmo pelo ato da outra pessoa, mas do clube mesmo, não", disse Celsinho em entrevista por telefone ao UOL Esporte.

"Mas tenho recebido das pessoas que moram na cidade, e isso é muito bacana. Eles se mobilizaram e tenho recebido muitas mensagens deles pedindo desculpas, e isso é também confortante. Mas da própria instituição ou dos dirigentes, ainda não", acrescentou.

"Não adianta denunciarmos e não ter punição"

O jogador, que foi alvo de racismo pela terceira vez em menos de dois meses, não esconde o sentimento de impunidade diante de tantos casos que não dão em nada. "A punição é quase zero. De todos e tantos casos que existem, você vê muito pouca punição. O bom é que as pessoas que sofrem esses ataques estão acordando e cada vez mais denunciando", afirmou o jogador.

Mas não adianta nós brigarmos, denunciarmos, provarmos e não ter essa punição. Então o caminho para que isso mude é uma punição severa, para que essas pessoas acabem enxergando que não podem e não devem cometer esse ato porque, se cometerem, serão punidas severamente

No dia 17 de julho, em jogo contra o Goiás, o narrador Romes Xavier e o comentarista Vinícius Silva, da Rádio Bandeirantes Goiânia, fizeram comentários racistas em relação ao cabelo do atleta. Eles foram afastados de suas funções.

No dia 23 de julho, ele voltou a ser alvo de injúria racial. Desta vez, o autor do comentário foi Cláudio Guimarães, da Rádio Clube do Pará, que comparou o cabelo do atleta a um ninho de cupins. Ele também foi afastado pela emissora.

Veja mais trechos da entrevista:

Qual o caso que mais te afetou?

Os três [casos] são revoltantes. O peso é o mesmo, principalmente para mim, independente das palavras usadas. Quando eu toco no assunto de minha esposa e meu filho chorando é pela nota que eles soltaram, por tentarem me colocar numa situação de oportunista, e isso acabou abalando muito eles.

"Nota absurda do Brusque"

Mediante a repercussão negativa que deu na primeira nota, eles não se viram em outra situação a não ser soltar a segunda nota. Eles tiveram a oportunidade de fazer o que fizeram na segunda nota na primeira, e não fizeram. Tentaram acobertar a ato que o senhor cometeu e acabaram soltando aquela nota absurda.

"Vamos até o final"

Eu, junto com meus advogados e o clube, vamos até o ponto que conseguirmos. Não vamos deixar isso impune em momento algum. Até onde nós conseguirmos, nós vamos. Isso não para, pode ficar camuflado, tem que ser exposto e vamos até o final.

Como andam os casos na Justiça

O de Goiânia já foi despachado e as duas pessoas citadas no processo já foram intimidas a depor. A de Belém, até o dia que tinha falado com a advogado, ela não sabia se já tinha sido despachado, mas já deve ter sido também. Essas aí estão mais encaminhadas.

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