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Hulk e Dudu: paraibanos registram histórias diferentes em rivais mineiros

Dudu nasceu em João Pessoa, em 1999, enquanto Hulk é de Campina Grande, nascido em 1986 - Bruno Haddad e Pedro Souza
Dudu nasceu em João Pessoa, em 1999, enquanto Hulk é de Campina Grande, nascido em 1986 Imagem: Bruno Haddad e Pedro Souza

Guilherme Piu

Do UOL, em Belo Horizonte

30/08/2021 04h00

Classificação e Jogos

Atlético-MG e Cruzeiro, os dois maiores clubes de Minas Gerais, nutrem grande rivalidade histórica e isso todo mundo sabe. Apesar de estarem em momentos distintos atualmente, o Galo na Série A e lutando por títulos importantes —do próprio Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores—, e o Cruzeiro na Série B —numa luta incessante pelo retorno à Primeira Divisão—, os arquirrivais compartilham coincidências que chamam a atenção. Também em momentos diferentes, dois atacantes de origem nordestina, ambos nascidos na Paraíba, buscam, à sua maneira, escreverem seus nomes na história de cada um dos clubes. O experiente Hulk com a camisa atleticana e o jovem Dudu com o uniforme celeste.

Apesar da simples coincidência temos dois exemplos bem diferentes de histórias no esporte. A de Hulk, um jogador consagrado, veterano (35 anos) e que já tem a vida feita no futebol, e a de um garoto (22 anos) que está começando a escrever sua história no disputadíssimo mundo da bola.

O consagrado

Com a camisa do Atlético-MG, apenas a segunda que vestiu profissionalmente no Brasil —antes passou pelo Vitória—, Hulk, "tem sobrado" em campo no futebol nacional. Conhecido ao redor do planeta não só por ter jogado uma Copa do Mundo (a de 2014), o astro alvinegro consolidou sua carreira no exterior ao vestir uniformes da seleção brasileira —voltou a ser convocado na última semana após cinco anos—, e a de todos os clubes internacionais por onde passou: Kawasaki Frontale, Consadole Sapporo e Tokyo Verdy, todos do Japão; Porto (POR), Zenit (RUS) e Shanghai SIPG (CHI).

Artilheiro do Galo na temporada com 19 gols, Hulk ainda ostenta a marca de 11 assistências para gol dadas aos seus companheiros. O que mostra a importância do jogador para o grupo do Atlético-MG. O que despertou em Tite, treinador da seleção brasileira, o interesse por uma nova convocação do atacante após muito tempo.

"Essa notícia que eu recebi é como se fosse a primeira vez. Muito feliz, um sonho realizado voltar a vestir a camisa da seleção [brasileira] depois de mais de cinco anos", comemorou o astro em entrevista à TV Galo.

Hulk, que tinha proposta do Besiktas, da Turquia, ainda comentou sua decisão em voltar para o futebol brasileiro. "Foi a melhor decisão que eu tomei, ter vindo para o Galo, para o futebol brasileiro. Eu sempre tive vontade de jogar o Campeonato Brasileiro, onde eu tinha feito apenas dois jogos (...) Estou muito bem adaptado. As coisas vêm acontecendo de uma forma maravilhosa. Todos os dias, antes de dormir e ao acordar, eu agradeço a Deus por tudo", afirmou.

A promessa

A diferença entre as histórias dos atacantes paraibanos é imensa. Hulk, nos holofotes do mundo, enquanto Dudu trilha o início de sua trajetória. Pela idade, também, claro, tendo em vista que 13 anos separam o nascimento da dupla. Quando Dudu nasceu, o astro internacional já dava os primeiros passos no futebol com a camisa do Serrano-PB.

O jovem chegou ao Cruzeiro sem "qualquer barulho", de forma bem silenciosa no final de junho deste ano, diferentemente da midiática contratação de Hulk pelo Atlético-MG. Sem nem sequer ter sido apresentado de forma oficial com publicação nas redes sociais e/ou site da Raposa, Dudu veio à Toca II tido como "oportunidade de mercado", contratado por empréstimo do Primavera-SP, atual vice-campeão da Série A3 do Campeonato Paulista.

Dudu, que ainda busca o seu primeiro gol com a camisa da Raposa, mas já fez quatro jogos pelo clube (dois como titular, contra o Náutico e Confiança) foi contratado pouco antes de o Cruzeiro ser notificado e impedido de registrar novos atletas por causa do transfer ban da Fifa. O clube celeste foi punido pelo não pagamento de dívidas com outras equipes e segue impossibilitado de fazer novos registros.

"Ele [Vanderlei Luxemburgo] me passou muita confiança. Pelo simples fato de sempre colocar moleque para jogar, e com ele não tem isso. Foi uma surpresa para mim começar o jogo contra o Náutico de titular. Também foi um momento surreal, a partir da questão da torcida, foi um momento inesquecível. Fiquei imaginando aquele Mineirão lotado e a torcida apoiando a todo tempo. Passou um filme pela minha cabeça", disse o jovem paraibano em uma de suas entrevistas no CT cruzeirense.

Monstro x Filé de Borboleta

Em tom de brincadeira, o porte físico de Hulk e Dudu impõe ainda mais diferenças entre os dois atacantes. O jogador do Atlético-MG é chamado pelo apelido relacionado ao personagem da Marvel não é à toa, pois é muito forte. Dudu, em contrapartida, foi chamado de "filé de borboleta" pelo técnico Vanderlei Luxemburgo, pois mesmo tendo 1,83m tem um perfil bem mais magro.

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