PUBLICIDADE
Topo

Esporte

Fair play financeiro e regras da Liga: o que o Barça alega por perder Messi

Igor Siqueira

Do UOL, no Rio de Janeiro

05/08/2021 16h41

Questões políticas envolvendo a Superliga à parte, o Barcelona justificou em nota que Messi saiu do clube por conta de "obstáculos econômicos e estruturais (normativa da Liga Espanhola)". De forma mais direta, as exigências trazidas pelo fair play financeiro vigente na Espanha.

Mas por que o clube precisou chegar tão longe, a ponto de ter que abrir mão do maior jogador de sua história?

O Barcelona não revelou quanto Messi geraria de custo por temporada, mas ao não poder registrar o acerto que diz ter com o argentino, o clube dá uma mostra de quão apertado está em relação ao teto salarial determinado para si na temporada.

O fair play financeiro da Espanha adota um modelo preventivo para que os clubes não estourem suas contas. Esse formato contrapõe o modelo detectivo — adotado pela Uefa e outras ligas europeias, como Inglaterra e França — ou punitivo, que "espera" para ver como será o desempenho dos clubes na gestão financeira e, então, age para sancionar ou advertir. Antes do início do Campeonato Espanhol, La Liga publica o chamado "limite de custo de plantel esportivo". E dessa conta fazem parte os pagamentos a jogadores, técnico, assistente e preparador físico.

"Se o Barcelona não tem a receita recorrente, histórica, nos últimos anos, ele não consegue inscrever o Messi, por exemplo, porque significa que ele não tem condição de pagar o jogador no próximo ano. O fair play preventivo nem deixa o problema acontecer. Quando você olha o balanço dos clubes, boa parte dos clubes ingleses teve déficit operacional. Na Espanha, há um modelo muito mais eficiente nesse sentido", disse Gustavo Hazan, diretor da área de esportes da EY.

Na temporada 2020-2021, o limite de custos para o Barcelona começou em 382 milhões de euros (R$ 2,35 bilhões), mas, na janela de inverno (janeiro), caiu para 347 milhões de euros (R$ 2,1 bilhões). Na temporada anterior, pré-pandemia, o clube podia gastar até 656 milhões de euros (R$ 4 bilhões). Àquela altura, o Real Madrid já tinha ficado com teto maior que o Barça para gastar com salários: 473 milhões de euros (R$ 2,9 bilhões).

La Liga ainda não atualizou os números para 2021-2022, mas, segundo o jornal "The Guardian", o teto giraria em torno de 200 milhões de euros (R$ 1,2 bilhão).

O que é considerado custo de plantel: salários fixos e variáveis, direitos de imagem, previdência social, indenizações trabalhistas, custos de salários de jogadores emprestados e amortização de investimentos feitos no passado.

A equação do fair play financeiro leva em conta qual foi o faturamento do clube na temporada anterior e o orçamento para a que vem a seguir. Obviamente, ninguém pode gastar mais do que arrecada (ou projeta arrecadar).

O balanço financeiro mais recente publicado pelo Barcelona, em janeiro, indica que uma redução de 126 milhões de euros entre julho de 2019 e junho de 2020. E olha que a pandemia pegou o planeta futebol já em março, no trimestre final do calendário europeu. Para a temporada que viria a seguir, a projeção era de um cenário mais complicado, com os efeitos do coronavírus abarcando o campeonato por inteiro.

Qual a solução para se enquadrar no fair play financeiro, então, e respirar?

"O movimento natural e onde o clube tem maior capacidade de agir é cortando salários, pois a projeção de receitas não dá margem para grandes crescimentos. Desde a temporada passada o clube vem abrindo mão de atletas, indicando que há um esforço nesse sentido", avalia o economista Cesar Grafietti, do Itaú BBA.

O Barcelona até queria vender alguns jogadores de salário elevado, como o brasileiro Philippe Coutinho, o bósnio Pjanic e o francês Umtiti. Mas não conseguiu aliviar a folha o suficiente e até trouxe mais reforços menos badalados. Só que o custo disso tudo foi o impeditivo de renovar com Messi.

Esporte