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Mauro Cezar: Diniz sabe que a realidade é perder mais jogadores no Santos

Do UOL, em São Paulo

05/08/2021 13h00

O atacante Kaio Jorge se despediu do Santos e já desembarcou em Turim (ITA) para assinar o contrato até 2026 com a Juventus para atuar ao lado de Cristiano Ronaldo. Desta forma, o técnico Fernando Diniz não tem mais à disposição uma das suas principais peças desde a última temporada para o confronto de volta contra a Juazeirense, hoje (5), às 19h15, pela volta das oitavas de final da Copa do Brasil.

No UOL News Esporte desta quinta-feira (5), Mauro Cezar Pereira comentou que Diniz já estava ciente que iria perder jovens promessas do elenco antes mesmo de chegar na Vila Belmiro por causa de contratos mal elaborados, além de criticar os empresários destes atletas por forçarem as saídas para o futebol europeu.

"O Diniz sabe que a realidade do clube que ele foi comandar é essa, perder jogadores de todas as maneiras, negociando eventualmente em propostas que interessam ao clube ou praticamente arrancados do clube por conta de um contrato que não foi bem amarrado. E de uma relação que os jogadores também têm com o clube de muita ingratidão. O jogador é formado no clube, fica lá desde adolescente, criança, e quando ele se forma vem um time da Europa e faz uma proposta. O empresário fala: olha é isso aqui, vamos embora", analisou.

"Parece que tem um favor, a legislação é muito cruel também com o clube, que tem que investir muito dinheiro, manter muitos profissionais, fazer uma peneira com centenas de garotos, milhares até se bobear, para encontrar um jogador com potencial que o Kaio Jorge possui. E de repente o jogador sai e o clube nem é indenizado por isso, não recebe nenhuma quantia significativa pela saída do atleta. Então, todo o esforço para que? Para isso? Isso até desestimula o investimento na base, talvez amanhã um clube ou outro prefira não investir mais na base para contratar jogador, ou fazer caixa, ter dinheiro para tirar jogadores de times que eventualmente pisem na bola e permitam que o jogador fique sem contrato", acrescentou.

Para o colunista do UOL Esporte, os clubes brasileiros estão desamparados em relação à legislação desportiva, facilitando que os times percam jovens promessas para o exterior com a ajuda de empresários que atuam no futebol.

"A legislação é ruim mesmo, cruel. Vamos imaginar o seguinte: você tem um jogador de 19 anos, 18 anos, que já pode ir para o exterior, ele tem ali o contrato de mais um ano. Se o clube lá de fora procurar o empresário e falar: olha, se você não ampliar o contrato com o seu clube, eu tenho daqui um ano isso aqui [proposta] para você. Não adianta o clube que criou o jogador oferecer um caminhão de dinheiro porque o cara não vai assinar, os olhinhos vão brilhar pensando no futebol internacional e vão embora. Aconteceu diferente com o Rodrygo [ex-Santos e hoje no Real Madrid], com o Reinier do Flamengo [agora no Borussia Dortmund] e com o Vinicius Júnior [também no Real]. Eles fizeram contratos mais longos com os seus clubes e foram todos muito bem vendidos", avaliou.

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