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Márcio Mixirica se gaba de duelos com CR7 e de ter jogado em times azarões

Jogadores do Juventude comemoram a conquista da Copa do Brasil de 1999 - Paul Whitaker/Reuters
Jogadores do Juventude comemoram a conquista da Copa do Brasil de 1999 Imagem: Paul Whitaker/Reuters

Augusto Zaupa e Vanderlei Lima

Do UOL, em São Paulo

02/08/2021 04h00

Há cerca de 20 anos, o Juventude calou mais de 100 mil torcedores no Maracanã ao conquistar o título da Copa do Brasil sobre o Botafogo em 1999. Poucos meses depois, o Galatasaray surpreendeu ao bater o poderoso Arsenal para sagrar-se campeão da Copa da Uefa - atualmente Liga Europa. Em comum entre estes clubes separados por mais de 11 mil km de distância está Márcio Mandinga dos Santos, o Márcio Mixirica, que participou das duas campanhas vitoriosas.

Além destes feitos, o ex-atacante, hoje aos 46 anos, se gabou em entrevista exclusiva ao UOL Esporte que levou a melhor nos duelos contra nada mais nada menos que Cristiano Ronaldo, que começava a sua carreira ainda pelo Sporting.

"Joguei contra ele e, por sinal, eu ganhei os jogos, que fique bem claro (risos). Eu falo para os meus filhos que ganhei do moço, eu ganhei dele, ele estava no início ali pelo Sporting, jogava com o Jardel também. Joguei contra eles, mas o CR7 era um cara que já dava para ver que iria marcar história, não tão grande quanto ele marcou, mas ele já era diferenciado", recordou Mixirica, quando defendeu o Boavista, em Portugal.

Antes dos embates com o craque luso que seria eleito cinco vezes o melhor jogador do mundo, Mixirica começou a traçar o seu caminho no Juventude, até hoje apontado como uma zebra por ter sido campeão da Copa do Brasil sobre o Botafogo, no Maracanã, após empate sem gols - o time de Caxias do Sul venceu o primeiro jogo da decisão por 2 a 1, no Alfredo Jaconi, inclusive, com um gol do atacante.

"Antes da final, o Juventude eliminou o Internacional. Na verdade, passamos por grandes clubes. Eliminamos o Fluminense, vencemos por 6 a 0 em casa. Depois foi o Corinthians, ganhamos os dois jogos, inclusive, com a vitória no Pacaembu [1 a 0], onde eu tive o privilégio de fazer o gol de cabeça. Passamos pelo Bahia nos pênaltis, goleamos o Internacional por 4 a 0 até chegar à final com o Botafogo. Realmente, encaramos só pedreira", recordou.

"Conseguimos [o título] pelo fato de termos uma equipe bem unida, era um grupo com uma expressão menor. Eram jogadores com reconhecimento no cenário nacional, mas não éramos grandes figuras para aquela época, como o Tilico, Maurilio, o Laurinho (Lauro). Mas não era aquela equipe que a turma olhava e falava: vai ser campeã. Eu mesmo estava começando praticamente no futebol, colocando o meu nome no cenário. Mas nós nos unimos e teve liga. Quem não era favorito, que não tinha chance, foi quem deu a volta olímpica (risos)", completou.

25.ago.2000 - Galatasaray celebra a conquista da Supercopa da Uefa de 2000, ao bater o Real Madrid por 2 a 1, dois gols de Jardel - Jamie McDonald/ALLSPORT/Getty Images - Jamie McDonald/ALLSPORT/Getty Images
Jogadores do Galatasaray celebram a conquista da Supercopa da Uefa de 2000, ao bater o Real Madrid por 2 a 1
Imagem: Jamie McDonald/ALLSPORT/Getty Images

Glórias na Turquia

Curiosamente, o goleador nesta que é maior conquista da história do time gaúcho foi o zagueiro Capone, com cinco gols, atrás apenas de Dejan Petkovic (Vitória) e Romário (Flamengo), ambos com sete. O defensor acabou sendo contratado pelo Galatasaray e não poupou esforços para levar Márcio Mixirica junto com ele para Istambul.

"O Fatih Terim, que é o treinador até hoje lá, veio para o Brasil à procura de um zagueiro e levou o Capone, que foi de prontidão. O Zagallo tinha pedido a minha contratação, e eu fui para a Portuguesa, fiz alguns jogos. Eles [Galatasaray] insistiram muito na transferência, e o Capone me ligou, falou que tinha que ir. Conversei na Portuguesa, com o Zagallo, e falei para deixarem eu ir para novos ares, experimentar sair do Brasil", contou o ex-atacante.

"Foi uma baita escolha, porque chegar lá [na Turquia] e conseguir quatro títulos no primeiro ano, praticamente tudo, e ter o privilégio de jogar com o Taffarel, com o [o craque romeno Gheorghe] Hagi, praticamente com a seleção da Turquia inteira, naquele time e poder desbancar a Europa. Ganhamos a Copa da Uefa e a Supertaça europeia no mesmo ano, foi algo maravilhoso", acrescentou.

Confira outros trechos da entrevista com Mixirica:

UOL Esporte: Por que o apelido Mixirica?

Márcio Mixirica: Foi um apelido no Bragantino, quando estava na base e tinha o Kelly. Nós somos muito amigos, numa brincadeira ele falou: 'a sua cara é toda pipocada, parece uma Mexerica'. Eu tinha muitas espinhas no rosto. Foi uma coisa tão natural, não fiquei bravo, mas pegou (risos).

Ex-atacante Márcio Mixirica tem atualmente em Bragança Paulista uma linguiçaria - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Ex-atacante Márcio Mixirica tem atualmente em Bragança Paulista uma linguiçaria
Imagem: Arquivo pessoal

UOL Esporte: O que representa o Juventude na sua carreira?

Márcio Mixirica: O Juventude foi onde eu realmente consegui colocar o meu nome no mercado. O Juventude, os torcedores, têm um carinho absurdo por mim. O que eu sinto ali também é mágico e realmente foi um casamento, chegar e ser tão bem recebido... Consegui colocar em campo um grande futebol para ajudar o clube a ter essa conquista maravilhosa.

UOL Esporte: Como foi decidir no Maracanã e com um público superior a 100 mil torcedores?

Márcio Mixirica: É uma emoção só de lembrar. A gente precisava daquele título, por tudo que a gente tinha feito no campeonato. Mas também entendíamos a dificuldade e a grandeza do Botafogo [que contava com o tetracampeão Bebeto]. Fomos para o tudo ou nada e começamos a entender realmente o que era quando só víamos torcedores do Botafogo e uma fileirinha pequenininha, num canto, a do Juventude. Era uma gritaria o tempo inteiro, a gente não conseguia às vezes escutar o companheiro do lado porque a torcida do Botafogo fez uma festa e apoiou o clube do início ao fim.

UOL Esporte: E como foi decidir o título da Copa da Uefa contra aquele forte time do Arsenal, que tinha grandes jogadores, como David Seaman, Emmanuel Petit, Patrick Vieira, Marc Overmars, Thierry Henry e Dennis Bergkamp, além do brasileiro Sylvinho?

Márcio Mixirica: Os dois times jogaram muito bem, digno de uma final. O Taffarel fez milagres em cima de milagres e nós também atacamos muito. Foi um jogo bonito, ganhamos nos pênaltis e o Taffarel acabou pegando dois pênaltis [o Galatasaray venceu por 4 a 1]. O Arsenal era tão forte que tinha no banco o croata Suker e o nigeriano Kanu. Poderia ter dado o cachê para o homem, o Taffarel realmente fechou o gol (risos). Alcancei coisas que, às vezes, jogadores que tiveram mais expressão, de nível de seleção brasileira, acabaram não conseguindo.

UOL Esporte: Você está aposentado há dez anos e morando em Bragança Paulista (SP). O que faz agora?

Márcio Mixirica: Tenho dois filhos, o Hannyel, de 18 anos, que joga no Nacional-SP. Ele é atacante, assim como o meu estilo, mais de área. Já o Pietro, de 13 anos, também é atacante, só que joga mais de lado, mais aberto. Tenho buscado mercado para o menor. Tenho alguns amigos empresários, olho jogadores, troco informações e ajudo clubes a respeito de algum jogador. Também tenho outras coisas fora do futebol. Trabalho na área da construção civil, tenho uma fábrica de esquadrilha de alumínio e uma fábrica de linguiça, já que Bragança Paulista é a capital nacional da linguiça. Chama Original Linguiçaria, a gente distribui para São Paulo inteiro, é a melhor do mundo (risos).

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