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Único daltônico da liga de futsal conta como problema influencia no jogo

Matheus Sacon, ala/fixo do Praia Clube (MG), é o único daltônico da Liga Nacional de Futsal - Arquivo Pessoal
Matheus Sacon, ala/fixo do Praia Clube (MG), é o único daltônico da Liga Nacional de Futsal Imagem: Arquivo Pessoal

Eder Traskini

Do UOL, em Santos (SP)

25/07/2021 04h00

Matheus Sacon, 32, tem protanopia, um tipo de daltonismo que se caracteriza por não conseguir enxergar a cor vermelha. Ala do Praia Clube (MG), equipe que disputa a Liga Nacional de Futsal, Sacon é o único atleta com a condição na competição e já enfrentou algumas dificuldades, ainda que consideradas pequenas por ele próprio.

Sacon foi diagnosticado daltônico ainda muito jovem. No jardim de infância, sua professora pedia para pintar com uma cor e ele utilizava outra. Sua mãe chegou a ser comunicada por uma suposta "birra" do filho.

"Ela pedia para pintar de uma cor e eu pintava de outra. Aconteceu duas vezes e ela achou que era birra e comunicou minha mãe, mas ela rebateu que não era do meu feitio fazer uma coisa assim. Aí fui fazer o teste e descobri", contou Sacon em entrevista ao UOL Esporte.

Na infância foi mais complicado, mas o jogador de futsal aprendeu a lidar com o problema e levar "numa boa" as brincadeiras dos amigos. Mesmo quando o adversário do outro lado da quadra usava aquilo como provocação, Sacon não saía do sério.

"Na época do sub-17, criamos uma rivalidade e chegou a ter provocação do tipo 'que cor é essa', mas não em tom de brincadeira, algo mais querendo me atingir. Mas sempre fui tranquilo em relação a isso, então não me desestabilizava. Foi o mais perto de um preconceito que tive até agora", afirmou.

Apesar de acreditar a protanopia tem um impacto "pequeno" quando comparada a outras deficiências, o ala admite que já passou por algumas situações nas quais foi atrapalhado por ela. Sacon já precisou apelar para o calção ou até para o meião quando as camisas eram de cores, para ele, parecidas. Certa vez, o jogador não sabia se tinha sido expulso ou recebido apenas um amarelo.

"Tive que perguntar para o meu goleiro. Era um pênalti que a bola bateu na trave e na minha mão, então ele poderia me expulsar ou dar amarelo. Fiquei na dúvida, mas era amarelo. Tive um pouco de dificuldade em alguns jogos, quando joguei de verde contra adversário de laranja, aí tem que recorrer ao calção ou ao meião. Também já aconteceu no treino de colocarem um colete amarelo e um verde limão e eu chegar no treinador e falar que não conseguia, que pra mim estava tudo igual. A primeira vez que aconteceu isso o treinador rolava no chão de rir, mas não tem o que fazer, tem que trocar", lembrou ele.

Sacon tem passagens por diversos clubes: Cortiana/UCS (RS), Peixe (DF), Botafogo (RJ), ADU/Tubarão (SC), Bento Gonçalves (RS), Juventude (RS), Assoeva (RS), Magnus (SP), Foz Cataratas e Praia Clube (MG). Seu principal título foi o de campeão mundial de 2018, quando atuava pelo Magnus ao lado do craque Falcão.

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