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Futebol Sem Fronteiras

O jogo por trás do jogo. Com Jamil Chade e Julio Gomes


ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Futebol sem Fronteiras #11: Regras novas? Fifa se preocupa em atrair jovens

Do UOL, em São Paulo

22/07/2021 15h00

Nos últimos dias, um torneio de futebol promovido pela Red Bull na Holanda chamou a atenção. A competição, batizada de Future of Football Cup (Copa do Futuro do Futebol), testou algumas regras diferentes, como substituições ilimitadas, laterais cobrados com os pés e uma suspensão de cinco minutos para o jogador que receber um cartão amarelo. Tudo para tentar dar um maior dinamismo ao jogo e prender a atenção do público jovem, cada vez mais dividido entre tantas telas, aplicativos e dispositivos eletrônicos.

No podcast Futebol sem Fronteiras #11 (ouça na íntegra no episódio acima), o colunista Julio Gomes e o correspondente internacional Jamil Chade conversaram sobre esses testes e o impacto que eles podem causar ao 'velho' futebol. Além disso, eles debateram sobre o envolvimento da Fifa - que não organizou a competição, mas estava de olho em tudo o que aconteceu em campo.

"A Fifa está preocupada com o fato de uma nova geração estar crescendo com outros fatores de sedução, atenções e períodos de concentração. Não mais 90 minutos, que é muito tempo. Outros fatores que estão criando uma geração que pode ter dificuldade em acompanhar uma partida inteira de futebol na frente da televisão. O mundo do futebol quer buscar alternativas para uma maior relação entre quem está sentado em casa e o que está acontecendo em campo", comentou Jamil.

Para Julio, quem gosta de futebol não vai deixar de acompanhá-lo caso algumas regras mudem. A ligação destas pessoas é bem mais forte e alheia a alterações. "Acho que quem gosta de futebol tem uma questão de laço familiar, e não vai ter regra nova, velha ou 0 a 0 que mude. O pai leva o filho para ver um jogo ou senta no sofá com ele e isso não vai ser alterado. Se você conseguir modernizar e incluir coisas mais interessantes, isso pode trazer um público que não é aquele familiar", comentou.

Jamil destacou como esses testes estão relacionados não apenas à forma de agir das novas gerações, mas também para atender interesses econômicos. "São várias as opções, mas uma delas foi testada em um torneio sub-19 na Europa, que não é oficial nem teve qualquer tipo de envolvimento da Uefa ou da Fifa de uma forma direta. Foi um torneio que muita gente foi lá para assistir e saber que impacto essas novas regras teriam. Regras que podem mudar de uma forma bastante dramática porque trazem um novo ritmo, para ver se você confia a esta nova modalidade a relação direta com os jovens torcedores. Eles querem ver, mas ao mesmo tempo interagir pelos seus telefones e querem ter voz dentro daquele jogo e não querem terminar em um 0 a 0. Uma cobrança não só desses jovens, mas também das televisões, que querem garantir um púbico futuro", explicou.

Julio enfatizou o envolvimento da Red Bull na organização do evento. A fabricante de bebidas energéticas tem investido pesado no esporte, com forte apelo aos jovens e com apoio a modalidades 'descoladas'. "Esse torneio foi sub-19 e sub-23. Participaram dele RB Leipzig, PSV, AZ e Brugges. Era um torneio patrocinado pela Red Bull, uma empresa extremamente agressiva nessa busca do público jovem. Ela tem competição de avião, esportes radicais. A Red Bull é muito envolvida com isso, tem vários clubes de futebol e é uma das interessadas em fazer o esporte se diversificar"

Para Jamil, os testes realizados na Holanda comprovam que muita gente está interessada no assunto - e com alto poder de influência. "Deem uma olhada nas placas de publicidade em volta do campo. Não era o açougue local que está patrocinando isso, nem a farmácia do tio do jogador. São as grandes empresas do mundo futebol que estavam lá olhando para o futuro do futebol. Tem muita gente já pensando nessa transformação. A Fifa rapidamente colocou um comunicado dizendo que não tinha nada a ver com isso", ressaltou.

Embora afirme que não tenha nada a ver com o assunto, a Fifa acompanhou de perto o que rolou em gramados holandeses, como disse Julio. "A Fifa não pode dar o passo sozinha, de fazer testes em torneios amistosos ou não de uma forma aberta. Precisa passar por uma série de etapas e tem a International Board, a guardiã das regras do futebol. Foi feito um torneio X para ver na prática como as coisas podem acontecer e os jogadores podem reagir. Os observadores da Fifa e de entidades do futebol internacional estavam de olho para saber qual o impacto na intensidade que isso pode ter no jogo", completou.

Ouça o podcast Futebol sem Fronteiras e confira também a análise de cada uma das novas regras testadas no torneio realizado na Holanda.

Não perca! Acompanhe os episódios do podcast Futebol sem Fronteiras todas as quintas-feiras às 15h no Canal UOL.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL