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Brasileirão - 2021

Clubes-empresa protagonizam duelo particular na 10ª rodada do Brasileirão

Bragantino lidera o Campeonato Brasileiro da Série A com projeto gerencial encampado por gigante multinacional - Ettore Chiereguini/AGIF
Bragantino lidera o Campeonato Brasileiro da Série A com projeto gerencial encampado por gigante multinacional Imagem: Ettore Chiereguini/AGIF

Guilherme Piu

Do UOL, em Belo Horizonte

07/07/2021 12h45

Classificação e Jogos

O futebol brasileiro aguarda com ansiedade o desfecho da discussão no Congresso Nacional sobre o projeto de lei (5.516/2019, de autoria do senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), que trata do clube-empresa, que autorizará a criação da Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Enquanto algumas agremiações esperam por essa alternativa como solução viável para a sobrevivência — caso do Cruzeiro, por exemplo —, outros já possuem gestões mais profissionais, como Cuiabá e Red Bull Bragantino, adversários de hoje (7), às 18h, no estádio Abi Nabi Chedid, em Bragança Paulista, pela décima rodada do Campeonato Brasileiro.

Apesar de ainda engatinhar no Brasil, o modelo de clube-empresa já é bem difundido na Europa, e tem aqui no país o time do interior paulista e o do Mato Grosso como um dos grandes expoentes na atualidade. Encampado pela gigante Red Bull, o Bragantino, de nome tradicional no esporte nacional, lidera atualmente o Campeonato Brasileiro da Série A, enquanto o Cuiabá, novato na Primeira Divisão, luta contra o rebaixamento.

O vice-presidente da equipe mato-grossense, Cristiano Dresch, cuja família administra o Cuiabá desde 2009, municiada por investimentos de uma empresa do ramo da borracha, comentou sobre o modelo de administração adotado pelo clube de uma importante capital brasileira.

"É menos burocrática na tomada de decisões e mais cuidadosa e responsável com os próprios gastos. O clube-empresa tem um dono e ele vai responder diretamente pelos prejuízos caso o clube venha a ter", opinou.

Futebol empresarial

Segundo estudo elaborado pela consultoria EY [antiga Ernst & Young], 96% das 202 equipes da primeira e segunda divisões da Alemanha, Espanha, França, Inglaterra e Itália são entidades privadas. Dos 40 clubes que compõem a primeira e segunda divisões do Campeonato Brasileiro, somente dois possuem formato empresarial: Cuiabá e RB Bragantino.

O projeto de lei 5.516/2019 foi aprovado no Senado no começo de junho e será analisado agora pela Câmara dos Deputados. Esse PL cria a Sociedade Anônima do Futebol (SAF), que é uma possibilidade de os clubes brasileiros obterem de recursos, seja por meio da emissão de ações, debêntures, títulos ou valor mobiliário desde que regulamentados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

"Sabemos que o primeiro ano é o mais difícil. Não esperávamos nada além de uma grande dificuldade. Nosso plano é fazer boa campanha e permanecer na elite, se isso se concretizar, será o maior feito da história do Cuiabá", declarou Cristiano Dresch, citando a condição atual do Cuiabá, 18º colocado da Série A.

O líder do Brasileirão

No caso do RB Bragantino, a fusão entre a Red Bull, marca austríaca de bebidas energéticas, e o time de Bragança Paulista (SP) começou em 2019. No mesmo ano em que a parceria foi firmada, os resultados esportivos não demoraram a aparecer, uma vez que o clube conseguiu o acesso à elite do futebol brasileiro ao conquistar o título da Série B.

"Repetindo a fórmula que foi adotada na Europa, o Red Bull Bragantino é sensação nestas primeiras rodadas do Brasileirão ao liderar o torneio de forma invicta (cinco vitórias e três empates). Porém, não vejo esse início empolgante como surpresa. Na verdade, a surpresa foi o time ter seguido na Série A no ano passado e ainda ter obtido vaga na Copa Sul-Americana — tanto que se classificou às oitavas de final", opinou o ex-jogador Tinga, em texto publicado na última semana no UOL Esporte.

O Red Bull Bragantino, em nove rodadas até aqui, lidera o Campeonato Brasileiro, com seis vitórias e três empates [21 pontos conquistados e 77,8% de aproveitamento], sendo o único invicto na competição.

"Não passa de uma estratégia bem feita e de muito estudo. Fizeram tudo com planejamento e se apoiaram em ações com uma força de mídia, e muitas das vezes, mídia espontânea. Eram ações exclusivas e inéditas mundo afora e isso trouxe força para marca. Trouxe também essa paixão porque as ações realmente foram impactantes. É óbvio que chegariam no futebol, o esporte mais praticado no mundo inteiro para poder ganhar escalabilidade", analisou o executivo Renê Salviano, que há 20 anos trabalha com marketing no futebol.