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Clubes pretendem assinar estatuto da nova liga em cerca de três meses

Rodolfo Landim e Guilherme Bellintani, presidentes de Flamengo e Bahia, falam sobre criação da Liga de clubes - Igor Siqueira/UOL Esporte
Rodolfo Landim e Guilherme Bellintani, presidentes de Flamengo e Bahia, falam sobre criação da Liga de clubes Imagem: Igor Siqueira/UOL Esporte

Igor Siqueira

Do UOL, no Rio de Janeiro

28/06/2021 13h17

Os clubes das Séries A e B do Brasileirão que se reúnem ao longo do dia de hoje (28) em São Paulo têm como planejamento inicial oficializar a criação de uma nova liga em cerca de três meses. A ideia é que até lá já estejam discutidas e acertadas todas as questões básicas para a formatação da estrutura organizacional da liga e, então, haja assinatura do estatuto. O cronograma será submetido a votação hoje.

Em reunião com a CBF no último dia 15, os clubes da Série A entregaram uma carta na qual comunicaram "a decisão da criação imediata de uma liga de futebol no Brasil". Os dirigentes já informaram o desejo de que a fundação se desse "com a maior brevidade possível". O objetivo é organizar e desenvolver economicamente o Campeonato Brasileiro.

No escopo do que é preciso discutir até a assinatura do estatuto entram elementos complexos e que poderão dar a tônica do nível de união dos clubes. É nesse processo que haverá debate sobre a política de governança, divisão comercial e o formato da operação como um todo. Os clubes hoje querem aprovar os conceitos básicos dessa relação.

A proposta também prevê a criação de órgãos eletivos. Ou seja, a ideia é que ao término dos próximos três meses já haja um presidente eleito para a liga. Caberá a ele, então, ir ao mercado para buscar profissionais que preencham o organograma técnico/administrativo da liga.

Os dirigentes, por ora, tentam evitar uma disputa de poder na discussão da liga. Há um temor de que um eventual ciúme ou sinalização de preferência a determinado clube mine a iniciativa que começa a deixar de ser um embrião.

Na reunião de hoje, em São Paulo, todos os clubes da Série A estão representados e já há a junção com os clubes da Série B. Inicialmente, o debate no Rio, que antecedeu o encontro na CBF, foi composto apenas por quem estava na primeira divisão. O Sport não foi e nem assinou o documento na ocasião porque o presidente renunciara na véspera. Mesmo assim, já havia a manifestação pública de interesse que a Série B participasse do processo.

No mundo ideal dos clubes, o Brasileirão 2022 já teria organizado pela nova liga. Mas a concretização disso demanda muitos passos burocráticos e políticos.

Na CBF, o acordo foi definir posição sobre o movimento dos clubes só após a resolução do caso Rogério Caboclo. O presidente está afastado temporariamente — inicialmente por 30 dias, mas que devem ser prorrogados — em razão de uma denúncia de assédio moral e sexual feito por uma funcionária. Em caso de saída definitiva dele, haverá uma eleição da qual só podem ser candidatos os atuais oito vice-presidentes da CBF.

Faz parte do movimento dos clubes retomar a representatividade política na CBF, tanto mudando o estatuto para os votos tenham mesmo peso das federações estaduais quanto publicamente apoiando um candidato específico. Nas assembleias eleitorais da entidade, as federações têm peso três. Clubes da Série A, dois. Os da B, um.