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Ex-São Paulo, Ademilson conta como é atuar em cidade onde pandemia começou

Ademilson, ex-São Paulo, comemora gol pelo Wuhan Three Towns, da China - Divulgação
Ademilson, ex-São Paulo, comemora gol pelo Wuhan Three Towns, da China Imagem: Divulgação

Alexandre Araújo

Do UOL, no Rio de Janeiro (RJ)

26/06/2021 04h00

No fim de 2019, Wuhan, na China, ganhava as manchetes ao redor do mundo após os primeiros casos da covid-19 serem detectados. A cidade, porém, já iniciou uma retomada e até mesmo os jogos de futebol estão podendo ter público. E um brasileiro está sendo testemunha deste novo cenário. Cria do São Paulo, o atacante Ademilson, atualmente, defende o Wuhan Three Towns e considera que jogar na localidade "traz esperança e sinal de que a situação que o mundo vive irá melhorar em algum momento".

Ademilson chegou à China no começo do ano, após deixar o Gamba Osaka, do Japão, depois de episódio polêmico, em que dirigiu alcoolizado e provocou uma pequena colisão. O jogador admite que ficou receoso em aceitar a proposta do Wuhan Three Towns justamente por conta da pandemia, mas se tranquilizou ao ver que o "avanço do vírus estava contido".

Em relação ao futebol, recorda que foram feitas bolhas sanitárias, onde as delegações só podiam sair para jogar e treinar. Ele celebra o fato de, agora, as partidas já estarem recebendo torcida.

"Atualmente, está tudo bem tranquilo por aqui. As lojas, os restaurantes, os clubes e os bares estão funcionando normalmente. Claro que precisamos ir nos adaptando gradualmente, ou seja, continuamos utilizando a máscara mesmo não sendo obrigatório, temos a nossa temperatura checada em todos os momentos e sempre fazemos teste de covid. Em relação ao futebol, foi feita uma bolha sanitária em diferentes sedes onde cada grupo da competição é dividido. Lá, só podemos sair para treinar e para jogar. Assim que os jogos voltaram, puderam receber público, o que é muito bom para os jogadores, já que sentir o amor da sua torcida ajuda muito. Jogar no lugar onde começou a pandemia traz esperança e sinal de que a situação que o mundo vive irá melhorar em algum momento", disse, ao UOL Esporte.

"Antes de assinar o contrato com o Wuhan, confesso que fiquei com medo por saber que era na China, mas os membros do clube me mostraram que a situação estava bem controlada e que o avanço do vírus estava contido, o que me deixou bem mais tranquilo. Apesar de ter ficado receoso em um primeiro momento, nunca pensei em deixar a cidade, até porque a China é um país que me recebeu muito bem e soube transmitir as informações necessárias para os habitantes", completou.

O Brasil, por sua vez, recentemente, ultrapassou a marca de 500 mil mortes provocadas pela covid e apresenta números bastante alarmantes em relação à pandemia. Enquanto isso, a vacinação avança em ritmo ainda insuficiente para frear os avanços da doença. Do outro lado do mundo, Ademilson não esconde a apreensão ao observar o noticiário sobre o país natal.

16.out.2013 - Ademilson e Aloísio comemoram gol do São Paulo sobre o Náutico pelo Brasileirão - Rodrigo Capote/UOL - Rodrigo Capote/UOL
Ademilson e Aloísio comemoram gol do São Paulo sobre o Náutico pelo Brasileirão de 2013
Imagem: Rodrigo Capote/UOL

"Com certeza acompanho os números, que por sinal, são assustadores. Para falar a verdade, é impossível não acompanhar, visto que em qualquer momento que você acessa a internet ou liga a TV chegam informações sobre os dados da pandemia no Brasil. É muito difícil, para nós que temos amigos e famílias no Brasil, vivermos esse momento longe deles. Há cerca de um mês, minha família inteira pegou covid e eu certamente fiquei muito preocupado, sem poder fazer muita coisa, mas sempre conversando e orientando nossos entes queridos a tomar cuidado", apontou.

Revelado pelo São Paulo, Ademilson ainda acompanha o clube. Ele esteve presente no título da Sul-Americana de 2012, até então último do clube, ficou feliz com a conquista do Paulista deste ano e o fim do jejum.

"Certamente acompanho o São Paulo, apesar da grande diferença do fuso horário. Gosto muito de ver o futebol brasileiro e fiquei muito feliz pela conquista do Campeonato Paulista, que devolveu ao São Paulo a sensação de ser um time gigante como ele sempre foi. Acredito que agora o clube está em ascensão e tem tudo para voltar a conquistar títulos todos os anos, como conquistava antes".

O atacante revela ainda a vontade de voltar a vestir a camisa do Tricolor paulista, caso tenha a oportunidade futuramente.

"Tenho, sim, vontade de voltar ao São Paulo, pelo carinho que tenho pelo clube. Não sei quando e se voltarei, porque é algo que não depende somente da minha vontade, mas se tiver a oportunidade, espero, sim, em algum dia voltar a vestir a camisa tricolor".

Veja outras perguntas:

UOL Esporte: Atuar no oriente não é novidade para você, mas como tem sido essa experiência no futebol chinês?

Ademilson: Apesar de ter jogado por seis anos no Japão, a realidade muda bastante quando se trata da China. Existem pessoas que acham que é tudo igual nesses dois países, mas a verdade é que existem muitas diferenças. A gente passa por um perrengue ou outro, mas nada que não possa ser superado. Os japoneses, geralmente, são mais pacientes para conversar e passar ensinamentos. Mas, por outro lado, são mais fechados para brincadeiras, amizades, etc. Os chineses já não são tão pacientes para orientar e explicar algumas coisas, mas brincam bastante, então isso acaba ajudando quem vem de fora.

UOL Esporte: Você assinou contrato por três anos com o Wuhan Three Towns. Quais as projeções a curto e médio prazo na carreira?

Ademilson: O Wuhan é um clube novo, mas que vem se fortalecendo e trazendo reforços com o objetivo de subir para a primeira divisão. Começamos o campeonato bem e esperamos que possamos continuar assim, subir de divisão e fazer desse clube um gigante.

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