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Caboclo diz que comprou avião da CBF com aval de diretores; entidade rebate

Rogério Caboclo, presidente da CBF - Lucas Figueiredo/CBF
Rogério Caboclo, presidente da CBF Imagem: Lucas Figueiredo/CBF

Igor Siqueira e Rodrigo Mattos

Do UOL, no Rio de Janeiro

21/06/2021 17h42

O presidente afastado da CBF, Rogério Caboclo, deu sua versão sobre a movimentação que culminou com a compra de um avião para a entidade justamente no dia em que se tornou alvo — oficialmente — de uma denúncia de assédio moral e sexual.

Por meio de nota, Caboclo explicou que o fechamento da compra e o pagamento foram efetuados naquele dia por recomendação de Gilnei Botrel, diretor financeiro da CBF desde os tempos de Marco Polo Del Nero. O presidente afastado reiterou que o negócio foi fechado com a assinatura do próprio Gilnei e do diretor jurídico da CBF, Luiz Felipe Santoro.

Em nota, a CBF rebateu a versão de Caboclo, dizendo que "os documentos foram assinados pelos diretores das áreas envolvidas por não existir ilegalidade na operação e por haver disponibilidade de recursos em caixa, embora ambos tenham alertado ao presidente que não era o momento propício para efetivar o negócio".

A compra do avião foi revelada pelo Blog do Rodrigo Mattos e Caboclo confirmou os detalhes técnicos e da operação financeira. A nova compra custou à CBF US$ 14 milhões (R$ 71 milhões). A CBF já tinha um avião menor e mais antigo. Na versão do dirigente afastado, "o conceito estabelecido internamente sempre foi o da substituição do avião existente por um mais novo".

"O processo de venda da antiga aeronave, Cessna 680 modelo Sovereign, por US$ 6,15 milhões, ainda não foi concluído em razão do afastamento do presidente, de forma unilateral e sem direito à defesa pela Comissão de Ética da CBF. Dessa forma, Rogério Caboclo não conseguiu formalizar os trâmites estatutários que autorizam a concretização da venda", explicou a assessoria do presidente afastado.

Com Caboclo fora da CBF momentaneamente, a diretoria que ficou na entidade tratou de agilizar a negociação para vender o avião comprado por último. O acordo fechado semana passada prevê recebimento de um pouco mais do que os US$ 14 milhões. A empresa interessada já queria o avião antes de a CBF comprar, o que facilitou a concretização do acerto, que semana passada estava pendente apenas de assinatura.

CBF responde

A CBF informa que a aquisição da aeronave foi um desejo particular do presidente afastado Rogério Caboclo, que negociou pessoalmente a aquisição e determinou o fechamento do negócio nos termos acordados por ele com o proprietário.

A assinatura de contratos e o pagamento ocorreram seguindo decisão da Presidência, não tendo havido por parte da Diretoria Financeira qualquer recomendação quanto à data.

Os documentos foram assinados pelos diretores das áreas envolvidas por não existir ilegalidade na operação e por haver disponibilidade de recursos em caixa, embora ambos tenham alertado ao presidente que não era o momento propício para efetivar o negócio. A aeronave já foi negociada por preço igual ao de compra, não restando prejuízo financeiro à entidade.

Nota completa de Rogério Caboclo

A respeito da troca da aeronave da CBF, veiculada pela imprensa recentemente, o presidente Rogério Caboclo esclarece que o conceito estabelecido internamente sempre foi o da substituição do avião existente por um mais novo.

A decisão de comprar o jato Legacy 500, prefixo PR-HIL, foi planejada por diversos meses e foi feita para atualizar o patrimônio da entidade em condições altamente vantajosas.

O contrato foi aprovado e assinado pelos diretores jurídico da CBF, Luiz Felipe Santoro, e financeiro, Gilnei Botrel. Sem essas assinaturas o negócio jamais poderia ter sido fechado. Foi Gilnei Botrel que recomendou e realizou o pagamento imediato naquela data.

Com a transação, a CBF trocaria uma aeronave de menor tamanho e de menor autonomia (Cessna 680 modelo Sovereign, prefixo PP-AAD), ano 2009, por uma maior, mais moderna e de maior autonomia, ano 2015. O Legacy 500 tem 490 horas de voo, enquanto o Cessna da entidade tem 2550 horas voadas. A última revisão do Cessna, feita em fevereiro, custou aos cofres da entidade US$ 370 mil.

O Legacy 500 foi comprado por US$ 14 milhões. A aquisição foi concluída em 4 de junho, antes da divulgação das acusações contra o presidente Rogério Caboclo.

O processo de venda da antiga aeronave, Cessna 680 modelo Sovereign, por US$ 6,150 milhões, ainda não foi concluído em razão do afastamento do presidente, de forma unilateral e sem direito à defesa pela Comissão de Ética da CBF. Dessa forma, Rogério Caboclo não conseguiu formalizar os trâmites estatutários que autorizam a concretização da venda.

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