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Ex-sócio de mecenas do Atlético-MG quer captar R$ 500 mi para o Cruzeiro

Em situação financeira caótica, Cruzeiro aposta no projeto do clube-empresa para sobreviver - Guilherme Piu
Em situação financeira caótica, Cruzeiro aposta no projeto do clube-empresa para sobreviver Imagem: Guilherme Piu

Guilherme Piu

Do UOL, em Belo Horizonte

16/06/2021 11h13

Classificação e Jogos

Dívida na casa de R$ 1 bilhão, problemas políticos, salários atrasados, time na zona de rebaixamento da Série B do Campeonato Brasileiro, uma chuva de processos trabalhistas, queda estratosférica na arrecadação de receitas. A vida do Cruzeiro pós-2019 virou de cabeça para baixo e ficou ainda mais complicada pela falta de dinheiro. Para tentar recuperar o clube, que passa por insolvência, um empresário apresentou ideia para captar pelo menos R$ 500 milhões por meio do projeto clube-empresa, como revelou o site "Deus me Dibre".

Conselheiro cruzeirense desde os anos 1980, Aquiles Diniz, que hoje atua no ramo imobiliário, é um dos ex-sócios de Rubens Menin, atual mecenas do Atlético-MG. Os dois estiveram juntos nos primórdios do Banco Inter, uma das inúmeras empresas ligadas ao investidor alvinegro. Diniz, no fim dos anos 1990, detinha 50% do banco e foi um dos executivos responsáveis por abrir o capital da instituição bancária com ofertas públicas iniciais [IPO], em 2018.

Diniz, que também teve o seu nome cotado em um passado recente para concorrer à presidência do Cruzeiro, se reunirá com o atual mandatário da Raposa, Sérgio Santos Rodrigues, para tratar do assunto ligado à recuperação financeira da Raposa. O encontro está marcado para a próxima segunda-feira (21).

R$ 500 milhões em investimento

A intenção do empresário é coordenar um projeto para a implementação do modelo de Sociedade Anônima no Cruzeiro, a tão falada S/A. O pensamento de Aquiles Diniz é criar um fundo de investimento internacional para captar recursos no mercado e assim fomentar o clube. Um brainstorming inicial, chuva de ideias na tradução literal do inglês para o português, já foi feito. Pensou-se, inicialmente, em 500 cotas de R$ 1 milhão, porém a ideia é ainda embrionária.

Nos últimos dias rolaram assuntos de que haveria uma reunião com grupo de empresários que poderia investir no Cruzeiro. Aquiles Diniz explicou o movimento.

"Esse grupo de empresários é formado por quem não tem a menor intenção de colocar dinheiro no Cruzeiro atual. Precisamos dividir o Cruzeiro atual e o Cruzeiro do futuro. O Cruzeiro atual não tem saída, dificilmente tem escapatória. A minha intenção é a de preservar o Cruzeiro do futuro. Eu não quero nada, não quero cargo nenhum, nada. O que eu quero é trazer a diretoria atual do Cruzeiro e convencê-los de que a única saída, só existe uma, é o clube-empresa. Nenhum empresário vai colocar dinheiro só por colocar. Será um projeto viável, rentável, e o cara vai investir nesse fundo. Imagina um fundo de R$ 500 milhões, cada cota custando R$ 1 milhão. Sendo viável, sendo rentável, a gente vende esse fundo com o pé nas costas. Não precisa ser de Minas Gerais, o mundo vai comprar. Eu particularmente vou comprar uma parte, mas não quer dizer que outros vão comprar. Dependerá do que será montado", afirmou Aquiles Diniz em entrevista publicada no Youtube do jornalista Jaeci Carvalho.

Clube-empresa

O Cruzeiro se respalda no Projeto de Lei Federal (PL) 5516/2019, de autoria do senador por Minas Gerais, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), que trata da criação do "Sistema do Futebol Brasileiro, mediante tipificação da Sociedade Anônima do Futebol, estabelecimento de normas de governança, controle e transparência, instituição de meios de financiamento da atividade futebolística e previsão de um sistema tributário transitório". Esse PL passou em votação no Senado, e agora será discutido na Câmara dos Deputados.

"Tem que ser esclarecida muita coisa que não foi ainda. O projeto passou no Senado, mas não passou na Câmara. Tem muita dúvida ainda que como 49,99% de uma empresa vai mandar em 50,01%. Quem vai assumir o clube com 49,9% são ações ordinárias, direito a voto. Os 50,01% não tem direito a voto. Ninguém colocará R$ 500 milhões em uma estrutura que não tem comando, que não tenha administração profissional, administração séria. Você hoje vê a confusão que está o Cruzeiro, e quem se responsabiliza por isso? Quem? Os caras fizeram o que fizeram e não serão responsabilizados nunca. Na empresa não, tem presidente, diretoria, tem toda responsabilidade, fiscal e financeira. Os caras respondem pelo que fizerem. A torcida pode ficar com absoluta segurança, absoluta tranquilidade, que se tomarmos o caminho do clube-empresa seremos em breve o ganhador de títulos, aquele time azul cheio de alegria", completou.

Renúncia do presidente

Para Aquiles Diniz a implementação do projeto não está ligada ao pedido de renúncia do presidente Sérgio Santos Rodrigues, vontade expressa por torcedores em protestos nas ruas e nas redes sociais. Entretanto, o empresário afirma que será necessário toda a autonomia para a criação do projeto de S/A no Cruzeiro, hoje completamente devastado em seu lado político.

O que pensa SSR

O Cruzeiro divulgou nota oficial na manhã de hoje (16) e confirmou que terá conversas com empresários em pró do assunto hclube-empresa. Segundo o informe há algumas semanas a empresa Alvarez & Marsal, especializada em aprimoramento de desempenho de negócios e gestão de recuperação operacional e financeira, está trabalhando junto da atual diretoria.

"O projeto clube-empresa sempre foi algo que tratamos com muita responsabilidade e profissionalismo aqui no Cruzeiro. É um assunto discutido desde 2020 e que, aos poucos, foi tomando forma cada vez mais concreta. Corremos atrás de grandes empresas, como a EY e a Alvarez & Marsal, nos reunimos com empresários, representantes do judiciário e parlamentares. Sempre falei abertamente deste assunto com o Pedrinho [Pedro Lourenço, mecenas afastado da atual diretoria], Régis Campos [dono da construtora Encammp] e com o Vittorio Medioli [dono da Sada]. Nesta semana, já fiz contato com o Aquiles Diniz e a conversa foi muito proveitosa. O Cruzeiro está de portas abertas para quem quer entender melhor o trabalho que vem sendo desenhado por diversos profissionais de grande gabarito e reconhecidos no mercado. Há tempos, temos a convicção de que a implementação do clube-empresa é a melhor saída para o Clube se recuperar de forma mais ágil, segura e eficiente", destacou o presidente Sérgio Santos Rodrigues ao site oficial do clube.

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