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Brasileiro contratado por aplicativo agora é destaque em time europeu

Jackson Kênio em ação pelo Egnatia Rrogozhine, time da Albânia que o conheceu via aplicativo - Divulgação
Jackson Kênio em ação pelo Egnatia Rrogozhine, time da Albânia que o conheceu via aplicativo Imagem: Divulgação

Arthur Sandes

Do UOL, em São Paulo

15/06/2021 11h00

Jackson Kênio pode não ser um nome famoso no Brasil, mas na pequena cidade de Rrogozhine, no interior da Albânia, ele leva vida de ídolo. O meia-atacante rápido e driblador foi contratado por aplicativo no ano passado, deu certo em um país que não conhecia e agora é paparicado pelos albaneses toda vez que sai de casa.

"Eu me cadastrei no aplicativo, coloquei meus vídeos lá, e em um mês o pessoal mandou um e-mail dizendo que tinham clubes interessados. Eram do Japão e de Portugal, mas eu demorei para responder e já tinham contratado outro jogador. Aí que surgiu a Albânia", conta Jackson.

Ele se refere ao app DSFotball, uma espécie de "Tinder do futebol", que faz a mediação entre jovens jogadores e clubes do mundo todo. Depois de cadastrado lá, Jackson Kênio foi pré-aprovado, chamou a atenção do time albanês Egnatia Rrogozhine e viajou no mês de julho para fazer um teste presencial antes de assinar contrato.

O jogador admite entre risos que "nunca tinha ouvido falar" da Albânia. "Quando pesquisei, aparecia tráfico de pessoas, terremoto, e falei 'pô, para onde eu vou?'. Fiquei com medo, mas era pelo sonho, eu estava desempregado e tinha que vir. Hoje fui muito bem recebido e estou muito feliz aqui", diz Jackson, que percebe o carinho no dia-a-dia. "Se eu vou no cabeleireiro ou na farmácia, o pessoal não deixa nem pagar a conta."

Esta é a segunda experiência internacional de Jackson, que já havia passado rapidamente pelo Vorwarts Steyr, da segunda divisão da Áustria. Na ocasião, ele teve crises de ansiedade, não aguentou a saudade de casa e rescindiu o contrato para voltar. A partir daí ficou 16 meses desempregado.

"Foi o período mais difícil que passei na vida. Foi difícil, ainda mais na pandemia, mas aprendi e pensei que da próxima vez que estivesse empregado daria mais valor. Foi aí que vi na TV sobre o aplicativo", conta Jackson.

Ele é titular, fez quatro gols e deu dez assistências em 22 jogos pelo Egnatia Rrogozhine. O time foi campeão da segunda divisão da Albânia e subiu para a Superliga, que começa em agosto. Os planos de Jackson são claros. "Não desejo voltar ao Brasil ainda não. Quero fazer uma temporada boa na primeira divisão e, quem sabe, ir para outro país europeu com o futebol mais desenvolvido", projeta.

Mãe já jogou com a Rainha Marta

A história de Jackson no futebol começou antes de ele nascer. A mãe Patrícia jogou com a craque Marta em Alagoas e só não seguiu os passos da Rainha pois estava grávida justamente de Jackson, que nasceu em Santana de Ipanema. Ela virou treinadora de futsal e foi quem mais insistiu para o filho trocar a pelada de rua pelas quadras.

Aos 10 anos, Jackson foi levado por Patrícia a São Paulo, "onde a visibilidade é muito maior", mas as peneiras no Palmeiras, na Portuguesa e no Paulista de Jundiaí não deram em nada, e ele resolveu voltar para casa. Foi aí que a primeira chance surgiu, na categoria de base do Bahia, já em 2014.

Depois de três anos, Jackson foi ao ABC. Chegou a ser mandado embora por um deslize, mas foi recontratado dias depois e entrou em campo na Série B de 2017. Ainda passou pelo sub-20 do América-MG antes de ir para a Segundona da Áustria, viver meses de desemprego e então ir para a Albânia.

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