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Seleção Brasileira

Perde-pressiona e ataca marcando: a ideia de Tite na boa defesa da seleção

Danilo Lavieri e Gabriel Carneiro

Do UOL, em São Paulo

14/06/2021 04h00

Classificação e Jogos

A seleção brasileira masculina principal jogou sete vezes entre 2020 e 2021, venceu todas e sofreu só dois gols. Já são quatro partidas seguidas sem ser vazada, incluindo Eliminatórias e estreia na Copa América (3 a 0 contra a Venezuela, ontem em Brasília), num total de 39 "clean sheets" [como é chamada a estatística de quando o time passa um jogo em branco defensivamente] em 55 jogos sob o comando do técnico Tite.

Isso significa dizer que o time não sofreu gols em mais de 70% dos jogos com o seu atual treinador. Dentro da comissão técnica, duas expressões são usadas para explicar o sucesso e também as ideias de Tite para alcançar esse feito: "perde-pressiona" e "ataca marcando". Mas o que elas querem dizer?

Perde-pressiona

Esse conceito nada mais é do que o time reagir imediatamente depois de perder a bola, o que geralmente acontece quando está atacando. Quando você é desarmado pelo adversário já precisa ser agressivo na marcação para retomar a posse. A seleção faz muito isso, tem um jogo físico elogiado pelos oponentes em relação a jogar sem a bola.

Gabriel Jesus - Lucas Figueiredo/CBF - Lucas Figueiredo/CBF
Gabriel Jesus tenta o desarme em saída de bola da Venezuela em jogo da Copa América
Imagem: Lucas Figueiredo/CBF

Gabriel Jesus é um dos jogadores que mais agradam Tite porque domina essa característica, é muito rápido e agressivo para tentar a tomada de bola. Contra a Venezuela, por exemplo, fez quatro desarmes. Quando o atacante consegue a interceptação da jogada o trabalho dos meias, volantes, laterais e zagueiros é facilitado.

Ataca marcando

Esse é um conceito um pouquinho mais complexo, mas que deriva do anterior. Se o adversário da seleção conseguir sair desse perde-pressiona e não for desarmado pelos homens de ataque do Brasil, a ideia é de que todos os jogadoresque estão trás da linha da bola já estejam organizados, posicionados na marcação, um em cada atacante do adversário e mais um na sobra. Assim, se o Brasil perde a bola já está preparado para atrapalhar o possível ataque rival, independentemente da recomposição ou do cometimento de uma falta "tática".

É só reparar que nos ataques do Brasil os zagueiros e laterais estão quase sempre pendendo para o lado da jogada e diminuindo espaços de ação de acordo com o posicionamento dos atacantes do outro time. Também vem daí o conceito do "marcar atacando", que é quando o time está sofrendo um ataque, ou seja, posicionado para evitar um gol, mas ao mesmo tempo já se organizando para o contra-ataque. Quando roubar a bola vai ter um pivô central ou um ponta abrindo para sair em velocidade do lado oposto da jogada.

Marquinhos - Buda Mendes/Getty Images - Buda Mendes/Getty Images
Marquinhos disputa lance com Aristiguieta durante Brasil x Venezuela pela Copa América
Imagem: Buda Mendes/Getty Images

Uma equipe está em alto nível quando ela é capaz de criar e fazer gol e ao mesmo tempo ter solidez defensiva para não tomar e vencer."
Tite, em declaração ontem

Com o uso do perde-pressiona e do ataca marcando a seleção brasileira sofreu só uma finalização a gol da Venezuela ontem. Nos jogos anteriores, contra Paraguai e Equador, foram três somadas. Nos quatro jogos de 2020 ela não passou sufoco em três, com só uma finalização de Venezuela e Bolívia e nenhuma do poderoso ataque do Uruguai, que teve Cavani titular. Só o duelo contra o Peru destoou, quando o Brasil permitiu seis chutes certos e sofreu dois gols.

Curiosamente, o próximo jogo do Brasil na Copa América será na quinta-feira, às 21h, no estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, contra a perigosa seleção peruana. Defesa à prova.

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