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Mauro: Manifesto foi patético, a cara do jogador de futebol médio no Brasil

Do UOL, em São Paulo

09/06/2021 10h28

Os jogadores da seleção brasileira divulgaram um manifesto após a vitória sobre o Paraguai, pelas Eliminatórias Sul-Americanas, no qual se disseram contrários à organização da Copa América, fizeram críticas à Conmebol, mas que não se recusariam a jogar, sem especificar também o motivo pelo qual são opostos à realização do evento no país.

No UOL News Esporte, com Domitila Becker, Mauro Cezar Pereira afirma que o manifesto é patético, reflete o que é o jogador de futebol médio no Brasil e só perde em constrangimento para a carta da Dona Lúcia após o 7 a 1 na Copa do Mundo de 2014.

"Manifesto patético, um texto escrito por algum assessor, aliás, um texto muito pobre, constrangedor, que é a cara do jogador de futebol médio no Brasil. Os jogadores de futebol no Brasil, salvo exceções, são pessoas muito bem-sucedidas profissionalmente, esses de sucesso, claro, que ganham muito bem, que merecem tudo o que conquistam, porque trabalharam para isso, mas são geralmente alienados ou omissos, como a comissão técnica da seleção brasileira.

Embora não se surpreenda com o conteúdo, o jornalista diz que a partir do momento em que os atletas revelaram que gostariam de se manifestar, era de se esperar alguma posição mais contundente e chama a atenção para o fato de o texto divulgado ignorar a participação da própria CBF e do governo federal na realização da Copa América no Brasil.

"Ninguém é obrigado a se manifestar com relação a nada, as pessoas se manifestam quando elas querem, mas a partir do momento em que eles dizem que são contra a Copa América no Brasil e que o Casemiro, depois do jogo anterior contra o Equador diz 'queremos falar', você imagina que vão dizer algo que tenha algum conteúdo, que faça algum sentido. Não faz nenhum sentido o que eles escreveram ou que alguém para eles escreveu", diz Mauro.

"Atacam a Conmebol pela organização da Copa América, mas não citam a CBF, que foi quem intermediou a vinda da competição ao Brasil junto ao governo federal. Então, a partir do momento em que você critica a Copa América no Brasil, você tem que criticar a Conmebol, a CBF e o governo federal. Não tem como você ficar nessa mureta e ao mesmo tempo falar 'sou contra a Copa América'. Você é contra e faz o quê, amigo? Emite essa cartinha mequetrefe que só perde no quesito constrangimento para a carta da Dona Lúcia depois do 7 a 1, é um negócio horroroso isso que eles fizeram", completa.

Mauro cita o fato de a divulgação ter ocorrido em stories do Instagram, que se apagam em 24 horas, a falta de citarem o motivo pelo qual são contrários à Copa América, se é pela pandemia, assim como lamenta a declaração do zagueiro Marquinhos na entrevista coletiva sobre não dever se manifestar vestindo a camisa da seleção brasileira.

"Não acho que alguém tenha o direito, nenhum de nós, de cobrar posicionamento das pessoas, as pessoas se posicionam quando elas querem, mas embora tenha acontecido durante todo esse processo vários equívocos na política, da esquerda à direita e da direita à esquerda [?] Para emitir essa carta, poderiam ter feito na semana passada, mas ficou esse mistério, dando margem a especulações", diz Mauro Cezar.

"Por que são contra a Copa América? Por que não disseram? É por conta da covid, da pandemia, do número de mortos, por que? Por que eles são contra a Copa América, mas aceitam jogar as eliminatórias viajando pela América do Sul, que continua sofrendo muito com a pandemia? É um continente pobre onde muita gente está morrendo, não é só no Brasil. A carta é pobre, é a cara do que é o jogador de futebol brasileiro, salvo algumas exceções, de alguns que se posicionam. O Marquinhos ainda falou que quem quiser se manifestar, que o faça de casa e não com a camisa da seleção brasileira, que é bem a cara do que são geralmente os jogadores de futebol profissionais e a entrevista do Tite, depois o Juninho Paulista, é um negócio pavoroso, são pessoas realmente que não se posicionam para nada", conclui.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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