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Marquinhos diz que jogadores não pensaram em deixar a seleção

Seleção brasileira perfilada para a partida contra o Paraguai pelas Eliminatórias - Christian Alvarenga/Getty Images
Seleção brasileira perfilada para a partida contra o Paraguai pelas Eliminatórias Imagem: Christian Alvarenga/Getty Images

Do UOL, no Rio de Janeiro

08/06/2021 23h39

Foi do zagueiro Marquinhos, capitão na vitória sobre o Paraguai, a primeira manifestação vinda da seleção brasileira a respeito da Copa América, após os compromissos deste mês pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo do Qatar 2022. De acordo com o defensor, o grupo "não pensou em momento algum em deixar de vestir a camisa" do Brasil.

"Sabemos todo o contexto da Copa América. Então, creio que foi muito discutido nesses últimos dias internamente e externamente. Vemos tudo que as pessoas falam sem saber a verdade. Deixamos claro que em momento os jogadores se negaram a vestir essa camisa", afirmou o jogador do Paris Saint-Germain após o triunfo sobre o Paraguai, em Assunção.

"É nosso sonho de criança e hoje estamos aqui. É o maior orgulho. A gente fez o que tinha que fazer, dois jogos que eram foco, e vamos ver o que será decidido, existe uma hierarquia. Somos cientes do nosso papel", avaliou o defensor.

Com o placar de 2 a 0, o Brasil quebrou um jejum de vitórias em Assunção pelas Eliminatórias. O resultado deixou o Brasil ainda mais folgado na liderança, com 18 pontos, 100% de aproveitamento após seis rodadas.

"A gente vez um bom trabalho. O Brasil desde 1985 não conseguia uma vitória aqui. Estamos felizes por abrir esses pontos importantes em relação aos primeiros colocados. Foi uma partida de alto nível. A seleção paraguaia cresceu muito nos últimos tempos. Era um jogo de detalhes, conseguimos fazer um gol logo no começo. Isso nos deu uma tranquilidade muito maior", acrescentou Marquinhos.

Amanhã (9), o técnico Tite vai anunciar a lista dos jogadores que disputarão a Copa América. A estreia da seleção é no domingo, contra a Venezuela, em Brasília.

Tensão antes da Copa América

Os jogadores da seleção brasileira já sinalizaram para a CBF a decisão de que irão atuar na Copa América. Mas farão um manifesto com crítica à realização do torneio no Brasil. O afastamento do presidente da confederação, Rogério Caboclo — denunciado por assédio sexual —, reduziu a tensão entre o time e a cúpula da entidade. Pesou também na decisão deles que dirigentes garantiram ao técnico Tite sua permanência.

A diretoria remanescente na CBF tratou de lidar diretamente com o treinador para reforçar o compromisso pela continuidade no trabalho e, ao mesmo tempo, tirar dele a desconfiança gerada pela condução da CBF com Rogério Caboclo.

O coordenador de seleções, Juninho Paulista, também foi acionado para contornar a história. De outra parte, houve um trabalho para aliviar a relação com os atletas e garantir que jogassem a Copa América. Nunca ficou claro se a oposição dos jogadores ao torneio de fato levaria ao boicote. De todo modo, o comando atual da CBF não se opôs ao protesto que está sendo articulado dentro do vestiário.

Na semana passada, o clima era bem tenso entre as partes. Isso se reduziu com a saída de Rogério Caboclo da presidência, após decisão da comissão de ética.

Pessoas ligadas aos jogadores indicaram ao UOL que o boicote à Copa América sempre foi uma opção extrema caso Caboclo não mudasse de postura. E também há a preocupação de não carregar a postura dos convocados na direção de um debate político-partidário.