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Laboratório de Abel teve sucessos, surpresas e experiências inexplicáveis

Abel Ferreira durante jogo do Palmeiras  - Cesar Greco/ Ag. Palmeiras
Abel Ferreira durante jogo do Palmeiras Imagem: Cesar Greco/ Ag. Palmeiras

Diego Iwata Lima

De São Paulo

24/05/2021 04h00

O técnico Abel Ferreira voltou a afirmar, após a derrota na final para o São Paulo por 2 a 0, no domingo (23), que o Campeonato Paulista foi um laboratório para o Palmeiras.

"Demos minutos para jogadores que não sonhavam ter minutos", afirmou o treinador.

Mas o que funcionou no laboratório de Abel? O UOL listou e avaliou as experiências do técnico português. Algumas deram certo, algumas não muito. E ainda houve as que nem fizeram sentido.

Os três zagueiros funcionaram

Mais do que jogadores, o Paulistão serviu como complemento também para Abel consolidar o teste com três zagueiros — que funcionou em várias partidas.

Mais interessante até que o formato tático, foi ver como alguns jogadores se comportaram nele, como Mayke, que foi bem, por exemplo.

Deve seguir sendo usado pelo treinador. Mas vale frisar que Abel altera o esquema durante as partidas e alterna a movimentação quando o time ataca e quando defende. Na fase ofensiva, às vezes transforma um zagueiro em lateral e um lateral em ponta, variando para um 4-3-3.

Goleiros reservas foram testados e passaram

Vinícius Silvestre - Alto e tranquilo, o cria da base de 27 anos mostrou segurança e agilidade. Atuou em seis jogos, incluindo um clássico contra o Corinthians (2 a 2) e outro contra o São Paulo (0 a 1). Passou no teste para ser o reserva imediato de Weverton.

Vinicius - Cesar Greco - Cesar Greco
Vinicius Silvestre, goleiro do Palmeiras, durante treino na Academia de Futebol
Imagem: Cesar Greco

Jailson - O veterano de 39 anos mostrou que ainda tem lenha para queimar. Foi muito bem nos duelos contra o Santo André (1 a 0) e Ponte Preta (3 a 0) — em especial no primeiro duelo, que encaminhou o time à vaga para as quartas.

Laterais tiveram avaliações mistas

Victor Luis - Em jogos do Paulista, o lateral, que voltava de empréstimo, convenceu Abel de que merecia a vaga de Viña nos jogos mais importantes e na Libertadores. Entrou em dez partidas. Foi um dos que mais se beneficiou do campeonato.

Gustavo Garcia - O jogador do sub-20 também passou no teste. Não deve demorar para ganhar mais espaço no time de cima, quando Mayke e ou Marcos Rocha deixarem o clube. Apareceu em oito jogos, sendo titular em quatro.

Lucas Esteves - Na dele, não mostrou muita coisa. Mas atuando em posições mais ofensivas, em opção de Abel difícil de explicar, compondo o meio campo e até quase como um ponta, mostrou-se útil. Assim mesmo, não demonstrou muita coisa.

Vanderlan - O lateral esquerdo teve desempenho mediano, fruto de necessidade de amadurecimento. Jogou três partidas, mas demonstrou algum potencial ofensivo. Foi melhor quando jogou como um dos homens da linha de três zagueiros pela esquerda.

Mayke - Na lateral, já se conhece o seu potencial. Não compromete, mas nem sempre brilha. Mas atuando como um dos "zagueiros" da linha de três, surpreendeu positivamente e ganhou pontos, certamente.

Renan foi a melhor novidade no Paulistão

Renan - Foi a melhor novidade do time. Começou a aparecer no Paulista, foi alçado ao time da Libertadores e tornou-se titular indiscutível. Tem 19 anos, mas não vai voltar para a categoria de base. Vai bem na linha de três zagueiros, fazendo dupla e como lateral esquerdo, posição que também ocupa. Jogou dez partidas no Paulista.

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Zagueiro Renan comemora gol, em jogo da Libertadores
Imagem: Cesar Greco/Palmeiras

Henri - Não foi mal, mas parece ainda imaturo em comparação a Renan, por exemplo. Foi titular em três jogos e, em alguns momentos, mostrou insegurança. Mas pode amadurecer e ser muito útil.

Michel - Começou jogando contra a Ponte Preta, último jogo da primeira fase do campeonato. Não comprometeu, mas precisa ser mais observado.

Lucas Lima naufraga de novo, e Gustavo Scarpa renasce com brilho

Danilo Barbosa - Recém-chegado, ainda está se adaptando. Atuou como zagueiro na linha de três e volante/meia. Tem futebol, mas ainda precisa deslanchar. Atuou em oito jogos, inclusive na final.

Fabinho - Atuou em oito jogos no Paulista e não comprometeu. Não deve tardar para conquistar mais espaço.

Gustavo Scarpa - Foi o maior destaque do time no Paulista. Atuou, enfim, centralizado, como prefere, e deu resultado. Disputou 13 jogos, fez dois gols e deu seis assistências.

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Gustavo Scarpa comemora o gol do Palmeiras contra a Ponte Preta
Imagem: Cesar Greco/ Palmeiras

Lucas Lima - Em mais algumas chances recebidas, não foi bem. Abel o testou até como ala direito em uma inexplicável tentativa de extrair algo dele. Em cinco jogos, deu uma assistência.

Pedro Bicalho - O jovem garoto vindo do Cruzeiro, de onde saiu com fama de problemático, foi bem nos quatro jogos em que atuou. Vai conquistar espaço.

Atacantes ficaram devendo

Gabriel Silva - No sub-20, é goleador. No profissional, não consegue se destacar, mas evoluiu em relação à última temporada. Anotou um gol contra o Corinthians. Apareceu em seis jogos, foi titular uma vez. Precisa ser mais observado.

Giovani - Ainda no sub-17, mostrou-se promissor. Claro, tem ainda a amadurecer. Mas parece mais pronto que jogadores mais velhos do que ele. Apareceu em nove jogos, cinco como titular.

Marcelinho - Jogou pouco para ser avaliado, mas não foi mal. Apareceu em duas partidas do Paulista, entrando com a bola rolando.

Newton - O centroavante panamenho tem um porte físico único no elenco. Com 1,90 m de altura, pode dar a Abel um tipo de opção que nenhum outro jogador do grupo oferece. Fez um gol, aproveitando falha do goleiro Muralha, contra o Mirassol. Jogou quatro partidas, sempre como reserva.

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Newton e Gustavo Gómez, jogadores do Palmeiras, durante treino na Academia de Futebol
Imagem: Cesar Greco

Rafael Elias - De volta e de 'nome novo', o ex-Papagaio mostrou o desempenho que já se conhece dele. Não consegue repetir no profissional o que fez na base. Jogou nove vezes, foi quatro vezes titular e fez um gol.