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Atleta da seleção é criticada após fala preconceituosa sobre Paulo Gustavo

Chú Santos, jogadora do Palmeiras e da seleção brasileira, em campo pelo Brasileirão Feminino - Rebeca Reis/AGIF
Chú Santos, jogadora do Palmeiras e da seleção brasileira, em campo pelo Brasileirão Feminino Imagem: Rebeca Reis/AGIF

Colaboração para o UOL, em São Paulo

09/05/2021 15h24Atualizada em 10/05/2021 09h17

Chú Santos, atacante do Palmeiras e da seleção brasileira, tem sido duramente criticada por torcedores e jogadoras após fazer um comentário preconceituoso sobre o humorista Paulo Gustavo, que morreu na terça-feira (4) vítima da covid-19. Em um comentário no Facebook, Chú afirmou que o humorista "foi para o inferno".

O comentário foi feito em uma publicação de outra pessoa, que falava sobre as diferenças entre o vereador evangélico Irmão Lazaro (PL) e Paulo Gustavo, homossexual e umbandista. Ambos foram vítimas da covid-19.

Morreram pelo mesmo vírus, a diferença é que Lazaro foi para o céu, e Paulo Gustavo, para o inferno."
Chú Santos, jogadora do Palmeiras e da seleção brasileira.

A intolerância gerou revolta entre os torcedores e jogadoras da seleção e de outros clubes brasileiros. Marta foi uma das primeiras a se posicionar.

"Não julguem. Só Deus pode julgar, ? Ninguém sabe o dia de amanhã, não é isso? Ninguém pode julgar ninguém: quem vai para o céu, para o inferno. Isso aí é com Deus", opinou a jogadora do Orlando Pride e da seleção brasileira.

Também via redes sociais, a atacante Cristiane foi mais incisiva e disse estar "triste por descobrir o tipo de pessoas" que estão ao seu redor.

Em meio a tantas lutas, preconceitos e piadas que nos fazem mal, temos uma atleta do nosso meio que, sem o mínimo de respeito e amor ao próximo (que é isso que Deus deseja a todos) ,vem com seu falso moralismo, julgando e atacando as pessoas."
Cristiane Rozeira, em crítica sem citar o nome de Chú.

Outra atleta da seleção brasileira que se manifestou contra o comentário de Chú foi a lateral Tamires, que defende o Corinthians. "Uma família pode ser de dois pais, duas mães, um pai e uma avó, um tio e uma tia... O que existe é o amor", escreveu em suas redes sociais e creditando o próprio Paulo Gustavo, que é o autor da frase.

As atletas do Corinthians também se manifestaram no clássico contra o Palmeiras, hoje, pelo Campeonato Brasileiro feminino. Antes da bola rolar no Parque São Jorge, as alvinegras fizeram corações com as mãos. O clube compartilhou o gesto nas redes sociais.

"Passamos dos cinco e esse tweet é só pra dizer: seja amor, seja como for", escreveu o Corinthians em seu perfil oficial no Twitter.

Intolerância religiosa é crime

A Lei Federal nº 7.716 (1989, editada em 1997) prevê pena de reclusão de dois a cinco anos a quem cometer "crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional".

Já o Supremo Tribunal Federal (STF), em decisão de 2019, permitiu enquadrar como crime o ato de "praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito" com base em homofobia. Não há, no entanto, uma lei sobre o tema.

"Impulso" e pedido de desculpas

Após a repercussão negativa, Chú pediu desculpas em um vídeo publicado em suas redes.

"Da mesma forma que tive peito de ir lá e comentar no Facebook eu também tenho peito de vir aqui me desculpar com vocês. Pode ter certeza que não vai mais acontecer. Foi um impulso e acabou gerando esse comentário", argumentou. "Quero pedir desculpa a todos, se atingiu vocês de alguma forma, se não foi do agrado de vocês. Não só desculpa, quero que me perdoem", disse.

Procurada pelo UOL Esporte, a assessoria do Palmeiras afirmou que o clube tem conhecimento do caso e que "tratará o ocorrido internamente". Pelas redes sociais, o clube afirmou que a atleta "se manifestou equivocadamente" e "foi orientada para adequação de seu comportamento".

Chú foi titular no dérbi entre Palmeiras e Corinthians, neste domingo (9), pelo Brasileirão Feminino. A partida terminou em empate por 1 a 1.

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