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Gaúcho - 2021

Símbolo de retomada do Juventude olha o passado e sonha alto no Gauchão

Marcelo Carné, goleiro do Juventude, enfrenta o Inter na semifinal do Gauchão - Fernando Alves/Juventude
Marcelo Carné, goleiro do Juventude, enfrenta o Inter na semifinal do Gauchão Imagem: Fernando Alves/Juventude

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

08/05/2021 04h00

Classificação e Jogos

Do topo ao chão. Do grande cenário à necessidade de recomeço. E, enfim, uma nova chance de brilhar. Tais frases poderiam definir o passado recente do Juventude, mas também servem para ilustrar a carreira do goleiro Marcelo Carné. Hoje aos 31 anos ele pode muito bem ser definido como símbolo da retomada alviverde e, de olho no passado, tem sonhos grandes no Campeonato Gaúcho.

Hoje (8), o Juventude visita o Inter e defende vantagem na semifinal do estadual. Venceu o jogo de ida, em Bento Gonçalves, por 1 a 0 e avança à decisão com qualquer vitória ou empate.

O clube da serra gaúcha conhece bem o que é brilhar na casa do Colorado. Em 1998, conquistou o estadual no reduto vermelho. Em 1999, fez 4 a 0 e eliminou o time da capital na semifinal da Copa do Brasil, que acabou também conquistando.

"Acredito que, aos poucos, o Ju pode voltar a brigar com os grandes da capital em algo próximo de uma igualdade de condições. O Inter tem um time muito qualificado e uma base de alguns anos, teremos que ser, mais uma vez, cirúrgicos, seguirmos à risca a estratégia do Marquinhos, como foi no primeiro jogo, e minimizar ao máximo os erros pra sairmos com a classificação", disse o goleiro em entrevista exclusiva ao UOL Esporte.

A temporada significa muito para o Juventude. De volta à Série A depois de 14 anos, o clube agora quer repetir os feitos de outros tempos.

"Eu acredito que o Juventude está pronto pra cumprir o seu papel. O mundo hoje e completamente diferente de quando o Ju estava na série A, e vamos competir contra times melhor estruturados e com orçamentos multimilionários. Nosso objetivo é a permanência na Série A, e o clube está preparado pra conseguir esse objetivo", completou.

Marcelo Carné, goleiro do Juventude, enfrenta o Inter neste sábado - Fernando Alves/Juventude - Fernando Alves/Juventude
Imagem: Fernando Alves/Juventude

Histórias que se confundem

A história de Marcelo Carné e o passado recente do Juventude se confundem. O goleiro começou no topo, fez base no Flamengo e era presente em convocações para seleção brasileira de base. Esteve, por exemplo, no Mundial sub-17 de 2007.

"O único sentimento que tenho sobre o Flamengo é de gratidão. Fui formado como atleta e cidadão no clube e o resto ficou pra trás", contou.

Mas, depois que deixou o clube carioca, a realidade foi outra. Carné esteve em clubes menores como Boavista, Duque de Caxias, Tombense e Brasília. Chegou a trabalhar como motorista de aplicativo durante um período sem clube. Depois vieram América de Teófilo Otoni, Audax Rio e Bonsucesso até chegar ao Juventude em 2019.

"Foi um processo de amadurecimento. Quem vive do futebol sabe como a estrada e difícil e todas as experiências que passei me fizeram estar pronto pra esse momento", contou.

Em Caxias, se encontrou. Um dos líderes do elenco, defendeu o time nos acessos da Série C para B e da B para A. Recentemente completou 100 jogos defendendo a meta alviverde.

"É um momento mágico. Desde que cheguei ao Ju, me sentia totalmente preparado pra marcar meu nome na história desse grande clube, com toda humildade. É o melhor momento da minha carreira e estou extremamente motivado pra seguir dando a minha contribuição pros objetivos do clube", vibrou.

E onde as histórias se cruzam? A exemplo de Carné, o Ju viveu o ápice com título da Copa do Brasil de 1999, calando mais de 100 mil pessoas no Maracanã contra o Botafogo. Mas em seguida começou a claudicar. Caiu em 2007 para Série B, mais tarde para C, esteve até na Série D, mas se recuperou e voltou para elite. O Ju regressa para Série A, e Carné jogará a competição pela primeira vez na carreira.

"Eu afirmo desde sempre que é a grande chance da minha vida e encaro cada dia com essa mentalidade. Eu tenho um amor grande pelo clube me abrir as portas pra fazer o meu trabalho e me sinto feliz demais de representar essa instituição", finalizou.