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Lenda do Chelsea joga final da Champions após depressão e doença no coração

Fran Kirby em ação pelo Chelsea na semifinal contra o Bayern de Munique - Federico Guerra Moran/NurPhoto via Getty Images
Fran Kirby em ação pelo Chelsea na semifinal contra o Bayern de Munique Imagem: Federico Guerra Moran/NurPhoto via Getty Images

Do UOL, em São Paulo

08/05/2021 04h00

Classificação e Jogos

Superação. Assim pode ser resumida a história de uma das protagonistas da final da Champions feminina entre Chelsea e Barcelona no estádio Gamla Ullevi, na Suécia. A inglesa Francesca "Fran" Kirby, atacante do Blues, enfrentou a morte da mãe, depressão e até um problema cardíaco, que a afastou dos gramados, antes de ajudar a sua equipe a chegar a essa final, marcada para 16 de maio.

Chelsea e Barcelona bateram as fortes concorrentes e barraram uma final com times franceses, o que não acontecia desde 2014. Kirby marcou dois gols na semifinal (veja um dos gols abaixo) contra o Bayern de Munique, e ajudou a equipe a consolidar a vaga com uma goleada por 4 a 1.

Nascida em 1993, na cidade de Reading, no Reino Unido, Fran começou a jogar bola muito nova por influência de seu irmão Jamie. Ainda na escola, ela jogava com meninos muito mais velhos. Os pais, Denise e Steve, sempre apoiaram a filha.

Aos sete anos, começou a jogar nas categorias de base do Reading, clube de sua cidade natal. No começo de sua ascensão como jovem promessa, ela passou pela primeira adversidade da vida.

Morte precoce de sua maior apoiadora

Quando ela tinha 14 anos, perdeu a mãe, que sofreu uma hemorragia no cérebro. As duas estavam juntas, um um fim de tarde, no estádio Madejski, conversando com os técnicos sobre o balanço da temporada, quando Denise teve um mal-estar e desmaiou, precisando ser encaminhada ao hospital.

A jogadora foi para casa de uma amiga, recebeu a má notícia no dia seguinte e seguiu para o hospital. A morte deixou um buraco na família, que enfrentou dificuldades para lidar com o luto nos anos seguintes.

Depressão na adolescência

Após a morte de sua mãe, a jogadora estreou profissionalmente vestindo a camisa do Reading aos 16 anos. A pouca idade e a dificuldade de lidar com a ausência de sua maior apoiadora a fizeram mergulhar em uma depressão profunda, o que a afastou dos campos durante algum tempo. Em uma convocação da seleção inglesa, ela teve um surto depressivo e percebeu que seu lugar não era dentro das quatro linhas naquele momento.

Kirby tinha dificuldades de levantar da cama, frequentar a escola e fazer tarefas básicas do dia a dia. Se permitindo viver o luto e tendo o acompanhamento de profissionais de sua equipe, famílias e amigos, ela reuniu forças para se manter firme no caminho de recuperação.

Após reencontrar sua paixão no futebol, a inglesa retornou aos gramados em 2012. As temporadas seguintes consolidaram o título de promessa do futebol. Ela ajudou o Reading a subir para o principal pelotão inglês. Dois anos depois, ela conquistou a artilharia da Super Liga Feminina da Inglaterra e foi convocada para defender a seleção principal na Copa do Mundo de 2015, no Canadá.

Doença no coração interrompe brilhante carreira

Suas temporadas brilhantes como jogadora do Reading selaram a transferência para o Chelsea. Rumores afirmam que Kirby foi a contratação mais cara do futebol feminino inglês, girando em torno de 40 mil libras (R$ 292 mil na cotação atual). Ela chegou ao clube em junho de 2015 e conquistou a Women's FA Cup e a FA Women's Super League, os maiores campeonatos da Inglaterra.

A atacante se tornou peça fundamental do time e, em 2017, após conquistar a FA Women's Super League e a Women's FA Cup novamente, com o bônus do título da Supercopa da Inglaterra, ela foi eleita a Melhor Jogadora do Ano da PFA (Associação de Futebolistas Profissionais Femininos).

A ascensão de um ídolo do Chelsea foi interrompida em novembro de 2019. Kirby sentiu um mal-estar repentino, enquanto sua pressão arterial subia em grande escala, e desmaiou duas vezes. Diagnosticada com pericardite, uma doença que inflama o pericárdio, uma membrana fina em forma de saco que envolve o coração, a jogadora viu sua vida transformada da noite para o dia.

O corpo dela chegou ao limite por causa da dedicação máxima aos treinamentos. Kirby ainda costumava ser a primeira a chegar aos treinos e a última a ir embora. A dor aguda no peito causou dificuldade para respirar e subir escadas, e ela, uma atleta, tinha, muitas vezes, que parar no meio para descansar.

Durante a custosa recuperação, ela pensou que era hora de pendurar as chuteiras. Mas Kirby conseguiu transformar o medo, a incerteza e a tristeza em força e focou para seguir adiante. Foram nove meses de treinamentos com atividades mais leves até aumentar o grau de intensidade e recuperar todo o seu potencial com a bola nos pés.

Retorno aos 'Blues'

Fran Kirby comemora gol na semifinal da Champions contra o Bayern - Visionhaus/Getty Images - Visionhaus/Getty Images
Fran Kirby comemorando gol na semifinal da Champions contra o Bayern
Imagem: Visionhaus/Getty Images

A artilheira voltou com força total e melhor do que antes. Seu retorno aconteceu em agosto de 2020, na partida da Superliga inglesa que consagrou o Chelsea campeão em cima do Manchester City.

Quatro meses após o retorno, ela se tornou, só a principal jogadora do Blues, como a maior artilheira da história do clube. Desde que voltou aos campos, ela tem 17 gols em 22 jogos, se tornando a jogadora com mais participações em gols na Europa nessa temporada. Só na FA Women's Super League são 11 gols e 6 assistências.

Neste domingo, Kirby pode ganhar o primeiro título da Champions da história do Chelsea, que já venceu todas as outras competições que dissputou. Chegar a uma final inédita não é o suficiente para a atleta, ela quer levantar a taça.

"É uma das vitórias mais importantes, mas para nós temos que nos concentrar no que temos pela frente. Não podemos ficar feliz apenas por chegar à final, Claro, estamos felizes, mas temos que ir lá e vencer esse torneio", cravou a atacante.

Graças às performances brilhantes e aos números pela seleção Inglesa, Kirby recebeu o apelido de "mini Messi". A camisa 10 conquistou o terceiro lugar na Copa do Mundo de 2015 e foi campeã do torneio She Believes Cup em 2019.

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