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Curada da covid-19, Dona Nilde foi a responsável pelo apelido de Cuca

Dona Nilde receberá alta médica nesta quinta-feira (6), após se curar da Covid-19 - Arquivo Pessoal
Dona Nilde receberá alta médica nesta quinta-feira (6), após se curar da Covid-19 Imagem: Arquivo Pessoal

Henrique André

Do UOL, em Belo Horizonte

06/05/2021 04h00

Quando resolveu aceitar o convite para retornar ao Atlético-MG, há dois meses, o técnico Cuca vivia o início de um drama pessoal. Em Curitiba, onde reside a família, a mãe começava uma batalha contra a covid-19. No Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, Dona Nilde era entubada para tentar salvar os pulmões que, naquele momento, estavam 80% comprometidos. Hoje, provando ser a guerreira da casa, ela deixará o hospital para, enfim, retornar aos braços da família. No próximo fim de semana, inclusive, poderá receber beijos e abraços pelo Dia das Mães.

Focado nas semifinais do Campeonato Mineiro, assim como o irmão e auxiliar, Cuca não participará da festa de boas-vindas. Quando partiu para Belo Horizonte, inclusive, ele não segurou as lágrimas no aeroporto e não escondeu o medo de nunca mais poder ver a mulher de sua vida; aquela que o ensinou várias coisas, dentre elas, a dividir. Foi Dona Nilde, inclusive, que o levava para a escolinha de futebol, quando ser jogador era apenas um sonho de criança.

"Quando a gente era pequeno, ganhava um presente só para os quatro irmãos. No final de ano, ganhamos uma bola, mesmo que não sendo do meu gosto. Em determinado momento, era uma briga danada, porque todos queriam usá-la. A mãe nos mandava entrar num acordo e brincar juntos. Porém, a gente a estressava. Ela chegou no limite, cortou a bola e dividiu um pedaço para cada um. Foi um 'chororô' danado! Mas foi assim que aprendemos a dividir as coisas", conta Ani Kely, irmã de Cuca, ao UOL Esporte

"Minha mãe era filha única quando se casou com nosso pai. Ela era uma lady e morava em São Paulo. Era formada e professora de francês. O pai [Sr. Dirceo] era da colônia italiana, bem simples. As famílias achavam que o casamento não daria certo, pelas diferenças entre os dois. Mas deu! Durou até o pai nos deixar em 1997", acrescenta.

O fim da carreira de jogador

Assim que o pai faleceu, Cuca, naquela época com 33 anos, pendurou as chuteiras quando defendia o Coritiba —apesar de ser torcedor declarado do Athletico-PR. Depois de um tempo, passou a investir na carreira de técnico. Enquanto atleta, após todos os jogos, ele telefonava para o Sr. Dirceo, que estava ligado no radinho de pilha, prêmio de melhor em campo que o filho recebera da imprensa e o presenteara. Sempre que era destaque de uma partida, Cuca era agraciado com um aparelho; de costume, ele o destinava a algum familiar.

A origem do apelido

Para quem pensa que o apelido Cuca é alguma referência à personagem do Sítio do Picapau Amarelo, de Monteiro Lobato, se engana. A história começou por um medo do pequeno Alexi Stival, quando ainda morava no bairro Santa Felicidade, na capital paranaense.

"Cuca gostava de dar sustos. Ele se escondia atrás do sofá. Minha mãe procurava ele como louca. Quando ele era pequenininho, tinha um delegado na cidade que se chamava Cuca. Minha mãe ameaçava chamá-lo caso ele não a obedecesse. Foi daí que surgiu esse apelido. E ficou. Cuca, Cuca, Cuca... Mas ele sempre foi bem bonzinho. A gente fazia bolo de terra e ele comia!", conta Ani Kely, rindo.

Ainda de acordo com a irmã do treinador do Atlético-MG, foi graças a ele que dona Nilde passou a desfrutar de alguns prazeres da vida, como viajar e ter tudo do bom e do melhor. Agora, com a saúde recuperada, o abraço do filho talvez seja o presente mais precioso que ela deseja receber neste Dia das Mães.

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