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Procuradoria avalia pedir interdição de estádio após agressão a jornalista

Jornalista é agredida e ofendida por filmar confusão em jogo no Piauí - Reprodução/Twitter
Jornalista é agredida e ofendida por filmar confusão em jogo no Piauí Imagem: Reprodução/Twitter

Bruno Fernandes e Josué Seixas

Colaboração para o UOL, em Maceió

06/05/2021 11h39

O procurador João Evangelista Sena Júnior, do Tribunal de Justiça Desportiva do Piauí, confirmou ao UOL Esporte na manhã desta quinta-feira (6) que o homem filmado agredindo a jornalista Emanuelle Madeira, da TV Clube, ao final de uma partida pelo Campeonato Piauiense é sim funcionário do Altos e que o clube pode ter seu estádio interditado até o final do estadual.

Para o procurador, que usou como base, entre outras coisas, um relatório feito pelo delegado da partida, Jaime das Chagas Oliveira, não restam dúvidas que o homem, identificado pela procuradoria como João Paulo dos Anjos, faz parte da estafe do clube.

"Eu estou me aprofundando no assunto, mas já vimos várias imagens que denunciam o ato. O delegado confirmou no relatório que aquele senhor tem relação com o Altos e, mesmo que o clube negue, o simples fato de ele estar com o uniforme da estafe denuncia", explicou o procurador.

O procurador diz que vai enviar as provas ainda hoje ao Tribunal de Justiça Desportiva do Piauí, que deve julgar, até a próxima semana, o envolvimento do Altos no caso de agressão contra a jornalista. Se julgado procedente o vínculo da equipe com João Paulo dos Anjos, o clube pode ter seu estádio interditado até o final do Campeonato Piauiense e pagar multa.

"A Procuradoria vai oferecer denúncia contra o clube e contra o agressor, e vamos tentar pelo menos interditar o estádio para as próximas rodadas por conta da falha de segurança no local. Além disso, vamos tentar barrar o acesso com pena de multa não só por parte do agressor, como também do clube", detalhou o procurador.

Além da esfera esportiva, o clube e o agressor devem ter que responder criminalmente, já que um boletim de ocorrência foi registrado na Polícia Civil. João Evangelista afirmou que os documentos também serão encaminhados ao Ministério Público Estadual assim que a denúncia for julgada pelo TJD,

"Em paralelo ao processo no TJD, o caso também estará na esfera criminal e estadual já que se trata de uma agressão física contra uma mulher e ficou evidente que, pelas imagens, o clube não está seguindo os protocolos sanitários de afastamento social", explicou Sena Júnior.

Em contato com Marcelo Pio, presidente do Tribunal, o magistrado afirmou que a instituição repudia qualquer ato de violência praticado contra qualquer jornalista e que o caso será julgado ainda na próxima semana, à medida que a denúncia chegar ao tribunal. Apesar disso, o magistrado afirmou não poder dar detalhes pois será o julgador.

Entenda o caso

A jornalista Emanuelle Madeira, que trabalha para a TV Clube, afiliada da Globo no Piauí, foi agredida dentro de campo após a partida entre Altos e Fluminense-PI, válida pela 9ª rodada do Campeonato Piauiense, na noite de ontem (5). Enquanto filmava um bate-boca entre o técnico Wallace Lemos, do Fluminense, e o presidente do Jacaré, Warton Lacerda, a profissional teve o celular arrancado à força e foi agarrada pelo pescoço por um homem com a camisa da estafe do Altos.

Imagens mostram o exato momento em que a jornalista, que fazia a filmagem com um celular no gramado do Estádio Felipão, foi surpreendida por um homem que retirou à força o aparelho de suas mãos, a agrediu e a xingou.

A jornalista deixou o estádio escoltada pela Polícia Militar e registrou um Boletim de Ocorrência contra o agressor. Apesar de o homem estar vestido com um uniforme do Altos, o clube nega que ele faça parte da equipe do clube.

Por meio de nota, a Associação Atlética de Altos afirmou que se solidariza e apresenta suas sinceras desculpas à profissional agredida, e se compromete a abrir uma investigação e solucionar o caso.

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