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Paulista - 2021

Mancini rasga elogios ao Corinthians e ressalta entrega da equipe em campo

Vágner Mancini, técnico do Corinthians, reage durante clássico com o São Paulo pelo Campeonato Paulista - Rodrigo Coca/Agência Corinthians
Vágner Mancini, técnico do Corinthians, reage durante clássico com o São Paulo pelo Campeonato Paulista Imagem: Rodrigo Coca/Agência Corinthians

Yago Rudá

Do UOL, em São Paulo

03/05/2021 01h47

Classificação e Jogos

O Corinthians deixou o gramado da Neo Química Arena com a sensação de derrota, apesar do empate, em 2 a 2, com o São Paulo. O gol sofrido no último minuto incomodou muito a delegação do Alvinegro, mas o técnico Vagner Mancini deixou o resultado de lado por um instante para elogiar a entrega de seus jogadores dentro de campo.

"Um time que jogou bem, entendeu o sistema de jogo ao longo da partida, teve disposição, técnica e fez gols bonitos de jogadas bem elaboradas, mas o que mais gostei foi a entrega, foi a alma. Isso vem em qualquer lugar em um time que quer ser campeão, que quer conquistar e títulos. Não podemos achar que todos os jogadores só desenvolvendo a parte técnica vai ser suficiente, não vai. Gostei da entrega, da alma, do suor com convicção. Isso acaba tornando seu time diferente", afirmou o treinador em entrevista coletiva.

Mancini escalou o Corinthians com três zagueiros pela primeira vez desde a sua contratação, em outubro do ano passado. O Timão fez uma partida parelha com o São Paulo, saiu atrás, conseguiu a virada, mas levou o gol do empate aos 50 minutos do segundo tempo após o jovem João Victor, de apenas 22 anos, derrubar Pablo dentro da área.

Apesar do resultado não ter sido o melhor possível, o Corinthians conseguiu manter o tabu diante do rival na Neo Química Arena. Agora, já são 14 edições do clássico Majestoso desde que o estádio foi inaugurado, em 2014, com nem uma vitória sequer do São Paulo. Ao todo, são dez vitórias do Timão e quatro empates.

Ainda de acordo com o treinador do Corinthians, além da invencibilidade dentro de casa, o confronto com o São Paulo mostra que a equipe pode se recuperar de momentos complicados em um curto espaço de tempo — como foi o intervalo da derrota para o Peñarol, na Neo Química Arena, para o clássico deste domingo.

"Foi uma pena tomar o gol no último minuto, mas eu acho que mostrou que o Corinthians pode se recuperar muito de jogos como foi na quinta-feira [Peñarol] e apresentar 72 horas depois um futebol que convença e que seja produtivo", sentenciou o comandante.

Veja outros trechos da coletiva de Mancini:

Sobre a mudança do esquema tático

"A avaliação é altamente positiva, embora a gente tenha tido um pouco de dificuldade na partida, o que é natural. Não era uma missão fácil, mas acima de tudo foi uma tarefa bem executada. A dificuldade (na saída de bola) aconteceu porque o São Paulo foi muito agressivo na marcação e a gente não estava conseguindo estabilizar. Depois, a equipe se soltou um pouco mais, com erros de passes, isso foi um peso, mas chegamos mais a frente e na segunda etapa vi um Corinthians melhor do que o São Paulo. Dentro do que foi a partida, tivemos um pouco de dificuldade no começo, mas soubemos administrar e melhorar no segundo tempo".

O que aconteceu para mudar o esquema tático?

"Tudo tem sua hora. A partir do momento em que estudamos o São Paulo, vimos que o fato de espelhar a marcação daria a possibilidade de quebrar o sistema de jogo. Como eu tinha características de João Victor e Raul, também o Piton, foi só adiantar o Fagner para que o sistema fosse executado. É um esquema novo para todo mundo, mas com pouco tempo de treinamento fizeram uma bela partida. É um esquema que precisa de ajustes, mas já deu para vislumbrar uma coisa diferente. Acho que foi extremamente positiva dentro da análise do que fizemos na partida".

Fagner pode seguir jogando como ala?

"O Fagner foi meu atleta em 2010 no Vasco e ele tinha um pouco de dificuldade na marcação. Ao longo do tempo, ele evoluiu muito. Hoje talvez ele seja o melhor marcador que joga nessa função no futebol brasileiro. Ele tem bons passes, chega no fundo com facilidade. Talvez seja o momento de darmos pra ele uma forma diferente de trabalhar. Não quer dizer que o Corinthians vá jogar todas as partidas assim, mas é uma possibilidade. Temos uma situação de acréscimo ao sistema que foi escolhido para a noite de hoje".

Como trabalhar o emocional do zagueiro João Victor, autor do pênalti?

"Não é fácil você digerir um gol no último minuto. O mais importante é ter consciência de que o futebol te prega essas peças. Era importante que a gente se defendesse bem. Acabou acontecendo um lance, o João acabou segurando e a conversa que a gente sempre tem é olho no olho. No vestiário no Corinthians, não existe o que se fala só em particular. Lógico que em alguns casos sim. Você pode aprender com os erros dos outros. O João fez uma grande partida, acabou bobeando, mas que isso sirva para o crescimento dele. No meu ver, foi muito mais um ato de instinto. O lance é muito rápido, às vezes o atleta acaba se atrapalhando. O João tem nossa confiança e fez uma ótima partida".

Sobre Leo Natel

"Temos um elenco grande e em todas as vezes que eu relaciono 23 jogadores, 12 acabam ficando fora. Tento sempre oxigenar o time titular e o banco. Se você for olhar dessa forma, no jogo de quinta a pergunta vai ser sobre outros jogadores. Tenho que ter um termômetro em cima de cada atuação. Não posso desgatar ninguém ou deixar com que esse atleta fique esquecido. Isso faz parte da gestão de grupo, não tem nada além disso".

Sobre o time titular do Corinthians

"O time titular pode ter mudado muito em função daquilo que foi apresentado no jogo de hoje. O futebol, o futebol moderno, não funciona muito com titular e reserva. Você tem que montar um esquema para o jogo. O São Paulo tinha um sistema diferente e nós nos adequamos à partida. Usei as peças que se encaixavam nisso. Não quer dizer que esse esquema vai ser mantido em todas as partidas. Abrimos a página de um leque interessante. É fundamental que quanto mais cartas eu tiver na manga, sabendo usar, a gente ganhe com isso. O time foi agressivo, competitivo e bobeou no primeiro gol do São Paulo. Teve muita coisa boa, teve muitos méritos, pressionou e o São Paulo chegou pouco ao nosso gol. São fatos que fazem com que essa equipe tenha grande possibilidade de ser mantida".

Como foi a conversa com os mais experientes para explicar a utilização dos garotos no Majestoso?

"Não foram só esses atletas que acabaram ficando de fora. O Bruno também ficou, o Leo Natel ficou fora da relação, o Camacho ficou no banco. Tenho como hábito conversar com vários jogadores. Fiz isso falando no olho e falando a verdade, de uma forma simples, direta e sem rodeios. Acho que isso faz parte de uma boa gestão de grupo. Não pode ser uma ditadura, não vivemos mais isso na vida, vivemos com diálogo e comunicação. Foi tranquilo. Quem saiu deu força para quem entrava".