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País da Copa tem falcões de R$ 1 milhão e camelos montados por robôs

Falcão à venda no Mercado dos Falcões de Doha, ao lado do Souq Waqif - Tiago Leme
Falcão à venda no Mercado dos Falcões de Doha, ao lado do Souq Waqif Imagem: Tiago Leme

Tiago Leme

Colaboração para o UOL, em Doha

24/04/2021 04h00

No Qatar, país que vai sediar a Copa do Mundo de 2022, o futebol não é esporte tradicional. Enquanto os estádios estão quase sempre vazios nos campeonatos locais, corridas de camelo que chegam a ter jóqueis-robôs monitorados por controle remoto e falcoaria com animais vendidos por até R$ 1 milhão são as preferências da população local.

"Eles também gostam de futebol, mas não vão perguntar como foi o jogo de ontem. O pessoal mais novo acompanha os times daqui, mas a maioria segue mesmo o Real Madrid, o Barcelona, o Paris Saint-Germain e os jogos europeus. Gostam do futebol, mas acho que camelo, falcão e cavalo têm um espaço maior no coração, por conta do passado", explicou o veterinário brasileiro Silvio Arroyo Filho, que mora em Doha há dez anos.

A falcoaria é uma tradição milenar, atividade da elite, praticada e seguida por milionários —principalmente os mais velhos e tradicionalistas. O emir Tamim bin Hamad Al Thani, autoridade máxima do governo no país, é um dos amantes da modalidade.

Falcão à venda no Mercado dos Falcões de Doha, ao lado do Souq Waqif - Tiago Leme - Tiago Leme
Falcão à venda no Mercado dos Falcões de Doha, ao lado do Souq Waqif
Imagem: Tiago Leme

Nas competições, o falcão fica no braço de seu adestrador com a visão tampada. Após o sinal de partida, precisa voar o mais rápido possível em direção a um pedaço de carne preso em uma corda sendo rodada no ar.

Um falcão que disputa esta prova pode custar até R$ 1 milhão, mas existe uma grande variedade de preços. No centro de Doha, ao lado do Souq Waqif, um tradicional mercado árabe, existe também o Souq Falcon, mercado com lojas que vendem falcões —os animais ficam expostos e turistas podem tirar fotos com eles no braço. Ali também fica um moderno hospital de falcões.

"Temos falcões à venda de vários preços. De 2 mil rials até uns 200 mil rials (o equivalente a R$ 3 mil e R$ 300 mil). Mas existem outros ainda mais caros, que disputam as competições mais importantes. O valor varia conforme a idade, o tipo e a qualidade do animal na caça. O falcão é um animal sagrado e os qataris mais antigos são viciados nesse esporte. É uma coisa que eles realmente levam a sério, são apaixonados. A relação com o futebol é mais distante, mas os mais jovens agora também começam a gostar do futebol", disse Mohammed, vendedor de uma loja do mercado de falcões de Doha.

Corrida de camelo - Aurelien Meunier - PSG/PSG via Getty Images - Aurelien Meunier - PSG/PSG via Getty Images
Corrida de camelo em 2019 em homenagem ao PSG (por isso o nome de Daniel Alves na manta) com robôs controlados remotamente
Imagem: Aurelien Meunier - PSG/PSG via Getty Images

As corridas de camelos movimentam milhões em prêmios e são a outra preferência dos torcedores locais. Os principais eventos são realizados no complexo Al Shahaniya, localizado no deserto a 40 km de Doha. Tem transmissão de TV e grande repercussão. Antes, crianças, por causa do peso leve, eram os jóqueis. Em 2005, porém, o governo do Qatar proibiu a presença de menores de 15 anos. Atualmente, há o uso de tecnologia em muitas provas, com jóqueis-robôs sendo monitorados por controle remoto pelos donos dos camelos.

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