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Por que desafio de Tiago Nunes é maior que apenas mudar time do Grêmio

Tiago Nunes chega com dois auxiliares e vai ter nova diretoria à disposição para fazer mais que mudar o time - Daniel Vorley/AGIF
Tiago Nunes chega com dois auxiliares e vai ter nova diretoria à disposição para fazer mais que mudar o time Imagem: Daniel Vorley/AGIF

Jeremias Wernek

Do UOL, em Porto Alegre

22/04/2021 04h00

Exatamente uma semana depois da saída de Renato Portaluppi, o Grêmio começa a missão de substituir o ídolo que ao longo de quase cinco anos se tornou mais que um treinador no dia a dia. Tiago Nunes, que chega a Porto Alegre hoje (22), faz parte do projeto que tenta mudar a rotina gremista. Mais do que a escalação e o jeito de jogar, o técnico será uma voz dentro de uma estrutura que quer dividir decisões e turbinar o lançamento de jovens formados nas categorias de base.

O Grêmio vai a campo hoje, contra o La Equidad-COL, na estreia da Copa Sul-Americana, ainda sob comando de Thiago Gomes. O treinador da equipe de transição deve ser fixado como auxiliar técnico permanente no elenco principal. Uma ideia que faz parte da missão atual: ter mais gente para decidir os rumos.

Antes de chegarmos ao plano atual, é preciso lembrar como funcionava o Grêmio com Renato. Contratado em setembro de 2016, o treinador foi ganhando cada vez mais espaço nos processos diários do clube. O próprio técnico admitiu que "se metia" em áreas como da saúde, que engloba preparação física e fisiologia, e também tinha enorme papel nas contratações.

Em diversas oportunidades, Renato Portaluppi disse que tinha contato direto com a presidência e, a partir disso, tratava de assuntos importantes do time sem contato com dirigentes que formavam o departamento de futebol.

E é preciso dizer: por um bom tempo, a fórmula funcionou. Renato indicou reforços, trocou pareceres com a diretoria sobre nomes, incrementou a comissão técnica com dois auxiliares escolhidos por ele, mas também era um gestor privado e público do ambiente.

As entrevistas de Renato serviam, em momentos de instabilidade, para aliviar o ambiente, blindar jogadores e até diretoria. E nos corredores do CT, o técnico também era engajado em resolver problemas de atletas e funcionários. Mas o método cansou.

O Grêmio e o próprio treinador chegaram no início desta temporada com fadiga acumulada. A relação acabou com o gatilho da eliminação na fase preliminar da Copa Libertadores.

Agora, o Grêmio quer ter mais pessoas envolvidas no dia a dia. Por isso, o anúncio do vice-presidente de futebol demorou e adiou o acerto com Tiago Nunes. A ideia é Marcos Herrmann, designado para a função política no vestiário, seja o verdadeiro elo com o treinador. Além de Herrmann, o clube vai ter dois diretores e ainda busca um executivo de futebol.

Tiago Nunes foi informado do cenário. Ouviu que o Grêmio prepara um grupo de trabalho para dar apoio a ele na gestão do elenco, com remanescentes dos títulos da Copa do Brasil e Libertadores, mas já lotado de duas novas gerações (reforços trazidos de 2017 para cá e jovens das categorias de base). A missão de controlar o ambiente, portanto, é tão importante quanto melhorar o desempenho do time dentro das quatro linhas.

Aos 41 anos, Tiago Nunes assinou contrato com o Grêmio até o final de 2022. O treinador chega com dois auxiliares técnicos, Evandro Fornari e Kelly Guimarães, e um analista de desempenho.

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