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Esquema, improvisação e surpresa: Inter estreia longe do padrão com Ramírez

Miguel Ángel Ramírez comanda o Inter contra o Always Ready, na Bolívia - Ricardo Duarte/Inter
Miguel Ángel Ramírez comanda o Inter contra o Always Ready, na Bolívia Imagem: Ricardo Duarte/Inter

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

21/04/2021 12h00

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A estreia do Inter na Libertadores passou longe do esperado. Ontem (20), o time de Miguel Ángel Ramírez perdeu por 2 a 0 para o Always Ready, na Bolívia. Em campo, a partida passou longe do padrão demonstrado até agora com o espanhol no comando.

O Internacional modificou peças, improvisou e alterou até mesmo a essência de seu jogo. Sem a identidade que ainda está em construção, acabou deixando La Paz sem ponto algum, e agora vive a imposição de vencer as duas seguintes, ambas em casa, para ter condição confortável na competição.

Esquema alterado no jogo

Até então, Ramírez tinha utilizado sempre o 4-3-3 como formação base do Inter. Ao longo das partidas, alterou características, inverteu extremas, jogou com as qualidades e defeitos de seus atletas de meio-campo conforme os rivais pediam, como é sua característica de trabalho. Mas nunca havia mudado de formação de maneira tão brusca ou por tanto tempo.

Até o intervalo de Inter e Always Ready. Ali Ramírez entendeu que era necessário revolucionar. Sacou os dois extremas, colocou um zagueiro e um centroavante. Assim, o Colorado passou a atuar em um esquema inédito com três zagueiros.

Lucas Ribeiro, um dos escolhidos para entrar, por vezes ficava à frente da linha, em outros momentos ao lado de Cuesta e Zé Gabriel. Dourado, com isso, ficou sozinho no controle da frente da área. Edenilson e Mauricio cuidavam dos flancos e ao mesmo tempo tentavam dar proteção. Yuri — que entrou — e Galhardo jogavam lado a lado na frente. Em poucos minutos o Inter sofreu um gol e teve raras chegadas de qualidade ao ataque.

Essência perdida

Talvez como efeito da altitude, Ramírez optou por arrancar do time o que lhe caracterizava com mais força até agora: a saída de bola. Temendo falhas e esperando uma pressão muito forte do rival, as bolas que sobravam com Marcelo Lomba não tinham destino no passe curto, mas em lançamentos buscando o ataque. A maioria delas acabava voltando com a recuperação dos bolivianos.

Quando tentou sair com mais calma, no segundo tempo, o Inter falhou repetidamente. Já atrás no marcador, o time tentou "apressar" jogadas e cometeu erros de decisão.

Improvisação na lateral e Patrick no banco

Por questões de desgaste, Moisés precisou sair no segundo tempo. Mas ao invés de colocar Léo Borges, que é lateral esquerdo, Ramírez optou por Rodinei improvisado. Acostumado com a direita, o ex-Flamengo não conseguiu render o esperado.

Enquanto isso, o treinador manteve Patrick no banco durante toda partida. Um dos destaques da temporada passada e titular até então na extrema canhota, o atleta não foi utilizado na estreia da Libertadores. Segundo Ramírez, por opção tática.

Surpresa pela conduta do rival

Após a derrota, Miguel Ángel Ramírez explicou que o Inter não conseguiu fazer um estudo mais profundo do Always Ready. O time boliviano mudou de treinador recentemente e os brasileiros não sabiam exatamente qual conduta esperar.

Ainda que tenha estudado o trabalho de Omar Asad e o que a equipe local havia feito recentemente, Ramírez acabou surpreendido pelo comportamento do adversário em campo. Em entrevista coletiva, admitiu isso, o mesmo que havia dito o meio-campista Mauricio.

O Colorado joga no sábado, contra o Esportivo, pelo Estadual. Como na terça seguinte terá pela frente o Deportivo Táchira, a expectativa é que reservas encerrem a primeira fase do Gauchão.

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