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Soy loco por ti, América: Palmeiras recruta sul-americanos para a base

Newton Williams, jogador do sub-20 do Palmeiras - Fabio Menotti/Palmeiras
Newton Williams, jogador do sub-20 do Palmeiras Imagem: Fabio Menotti/Palmeiras

Thiago Braga

Colaboração para o UOL, de São Paulo

20/04/2021 04h00

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O elenco do Palmeiras campeão da Libertadores e da Copa do Brasil de 2020 teve característica nada comum na história alviverde: era recheado de jogadores formados nas categorias de base do clube. Gabriel Verón, Danilo, Wesley e Gabriel Menino, entre outros, fazem parte da realidade que foi transformada pelo Verdão nos últimos anos, de que é preciso fazer jogadores em casa.

Nos últimos anos, porém, o Palmeiras decidiu ampliar seu escopo na hora de buscar novos jogadores para o elenco e resolveu mirar esforços na América Latina. Com uma nova abordagem na captação de jogadores, atletas de todo o continente invadiram o Verdão. Nesta temporada, o clube conta com os seguintes estrangeiros no sub-20: o zagueiro Leonardo Zabala (Bolívia), os meio-campistas Erick Pluas e Hamilton Carcelen (Equador) e os atacantes Marino Hinestroza (Colômbia) e Newton Williams (Panamá).

Segundo João Paulo Sampaio, coordenador das categorias de base do Palmeiras, os fatores principais são "a globalização e a formação do atleta".

"A América do Sul perde em condições financeiras para a Europa. Com o real mais forte, a gente diminuiu o tamanho da América, começamos a explorar, de várias maneiras, viajei para todos os torneios sul-americanos de seleções da base. A gente gasta menos para ter um jogador de 18 anos que não está valorizado, como quando vem para o profissional, custo menor. A gente tem a chance de terminar a formação dele aqui, tem mais tempo de adaptação, fica mais fácil para encaixar no profissional depois", explicou Sampaio, em entrevista ao UOL.

Desde 2015 no Palmeiras, Sampaio faz parte do projeto que elevou o patamar do Verdão na base. O trabalho longo consiste em aprimorar a estrutura do clube para os jovens — o clube está acabando a construção de um centro de treinamento na rodovia Ayrton Senna, em Guarulhos (região metropolitana de São Paulo) —, aumentar o número de jovens nas seleções de base, conquistar a maior quantidade possível de títulos nas categorias inferiores e ter ainda mais a presença de jogadores oriundos da base entre os profissionais, o que já vem ocorrendo.

Agora, a ideia do clube é fazer com que esses estrangeiros possam aparecer mais vezes na equipe comandada pelo treinador Abel Ferreira. O centroavante Newton veio do Panamá após avaliação interna por vídeos e testes na Academia de Futebol — ele, inclusive, já estreou no time principal, no empate por 1 a 1 com o São Bento, pelo Paulistão. O modelo de negócio é sempre o mesmo: empréstimo com preço fixado ou compra dos direitos econômicos em parceria com o clube que revelou o jogador.

Uma das apostas para fazer parte do time principal na temporada é o zagueiro boliviano Leonado Zabala, defensor considerado maduro e com potencial.

"Quero fazer história com essa camisa e, se tudo der certo, atuar na Europa e fazer uma carreira sólida. Quero também jogar a Copa do Mundo pela minha seleção. Peguei todas as seleções de base [sub-15, sub-17, sub-20 e sub-23], além da profissional. Desde minha chegada ao Palmeiras, as coisas têm evoluído bastante. Tudo subiu de patamar, e isso me deixa muito feliz", projetou Zabala ao UOL.

São mais de 200 atletas entre as categorias sub-10 e sub-20 no Palmeiras atualmente — sub-10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17 e 20. No momento, apenas sub-17 e sub-20 estão treinando, uma vez que ainda não está definido se haverá Estaduais da base nesta temporada devido à pandemia da Covid-19.

Um aspecto importante da chegada de atletas estrangeiros é a adaptação ao país. Para isso, o Palmeiras tem uma estratégia que consiste em aulas de português, consultas com psicólogos e ambientação, tudo para que os jogadores possam render o máximo em campo.

"Exigimos que eles morem no nosso alojamento para que a gente possa ter um controle maior. Além disso, eles ficam em quartos com brasileiros, para poder falar português com frequência e têm dois ou três 'padrinhos', para orientá-los sobre as regras, quando pode sair do alojamento, essas coisas", explicou o coordenador palmeirense.

Assim, o Palmeiras vai buscar na América do Sul novos talentos que passaram pelas seleções de seus países para poder ter ganho técnico, e, quem sabe, retorno financeiro.

"Participei das seleções sub-15, sub-17 e, recentemente, sub-20. Na Copa do Mundo sub-17, em 2019, joguei todas as partidas como titular e ganhei muita experiência, graças a isso. Foi depois dessa competição que o Palmeiras fez proposta por mim e eu vim. Tenho o sonho de estrear pelo profissional do Palmeiras e depois, com a bênção de Deus, jogar na Europa", resumiu o meio-campista equatoriano Erick Pluas.

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