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Fred vê Fluminense pronto para estreia na Libertadores: 'Vamos dar a vida'

Fred quer título da Libertadores em segunda passagem pelo Fluminense - Lucas Mercon/Fluminense FC
Fred quer título da Libertadores em segunda passagem pelo Fluminense Imagem: Lucas Mercon/Fluminense FC

Caio Blois

Do UOL, no Rio de Janeiro

20/04/2021 11h13

Oito anos depois de sua última participação na Libertadores, o Fluminense estreia contra o River Plate, na quinta (22), às 19h, no Maracanã. E apesar de jogar o favoritismo para o clube argentino, o atacante Fred vê o Tricolor pronto para o desafio.

"Vamos respeitar muito nossos adversários, e com o River Plate não vai ser diferente, mas com muita vontade de agredi-los a todo instante. Futebol é um jogo emocional. Terão momentos que teremos a posse e controle da partida, e em outros momentos, o adversário terá. A briga é por prevalecer em todos os setores. A gente sabe que o favorito é o River, tanto no grupo quanto na competição. Mas sabemos da força do nosso coletivo e sabemos que em campo depende só da gente. Vamos dar a vida", afirmou o ídolo.

No grupo D da Libertadores, o Flu não terá vida fácil. Além do gigante argentino, o clube das Laranjeiras também enfrenta os perigosos Independiente Santa Fé e Junior Barranquilla, ambos da Colômbia. Dificuldade, entretanto, já prevista pelo camisa 9.

"Imagino uma fase de grupos muito difícil. A ansiedade toma conta na estreia. É importante estrear somando pontos. Estaremos em casa contra um adversário gigante, então seria importante pelo fator emocional e também para passar respeito, que a gente vença o River, nos daria uma confiança e nos traria um respeito muito grande dos adversários. Mas é isso, não é o Campeonato Carioca, é a Libertadores, só tem time forte. São os melhores da América, mas estamos preparados", destacou.

Mesmo acreditando que o adversário é favorito, Fred não acredita que o River Plate virá ao Rio de Janeiro de "salto alto". O atacante acredita que os argentinos respeitarão o Fluminense, e quem estiver melhor na noite sairá vencedor.

"Todo clube muito grande assim como é o Fluminense, o River Plate, trata os adversários com o máximo de respeito. Seria perfeito se eles viessem relaxados, achando que iam vencer fácil e quando eles acordassem estaria 2 a 0 a gente. Mas não será assim. Até pelo perfil do treinador, certamente estudaram nossa equipe por completo, vão respeitar mas tentar impor o ritmo deles. Vai ser uma trocação de quem está melhor no dia. Que a gente faça valer o fator casa, nossa camisa e que estejamos e sejamos melhores no dia", opinou.

Referência na equipe e um dos maiores ídolos da história do clube, o centroavante, que acaba de alcançar expressiva marca de 400 gols na carreira, sabe do peso e da responsabilidade de liderar o Flu no retorno à Libertadores. E acredita que, classificando para as oitavas de final, o Tricolor tem chances reais de conquistar o inédito título.

"Quando me classifiquei ano passado, o sentimento foi de orgulho e satisfação. Hoje é de muita responsabilidade. A gente sabe o peso que é, a obrigação que está nas nossas costas para buscar esse título tão esperado. Temos que passar para as oitavas. A gente se preocupa com o passo a passo, a estreia é importante, mas chegando nas oitavas, vamos botar peso no Maracanã, jogar a vida fora de casa, enfrentar qualquer um e temos a mesma chance que todos, seja Boca Juniors, River Plate, quem estiver pela frente. Estou alimentando isso na cabeça da galera. Vai ser difícil, mas estamos prontos", disse.

Terceiro no ranking de maiores artilheiros do Fluminense, com 182 gols, Fred pode chegar à vice-liderança histórica se balançar as redes mais três vezes com a camisa tricolor, ultrapassando Orlando Pingo de Ouro, que marcou 184 gols entre 1945 e 1955. Se a estreia for "de sonho", a marca pode até ser alcançada contra o River Plate, o que, de acordo com o camisa 9, lhe tiraria até o sono.

"Seria especial estrear com tantos gols. Nunca vi o sentimento que eu tenho com a torcida do Fluminense, não dá para explicar. A torcida ficou mais ansiosa do que eu para a marca dos 400 gols e torce mais do que eu para que eu alcance outros recordes. Isso me emociona. Poder atingir, retribuir com gols na Libertadores, na estreia contra o River, seria o maior sonho da minha vida, nem dormiria de quinta para sexta", brincou, antes de exaltar o atual vice-artilheiro histórico do clube:

"Eu não acompanhei a carreira do Orlando, mas o carinho que a torcida fala dele, do Waldo e de outros ídolos do clube é incrível. O Dhaniel [Cohen], que é o nosso historiador, sempre nos conta essas histórias. O carinho principalmente com os mais antigos, ele tem prazer de nos contar essas histórias. A gente conhece pouco mas se sente familiarizado. Temos ações com familiares, filhos de ex-atletas, que a gente troca mensagens, conversa, e todos se emocionam de receber esse carinho. Queria mandar um beijo para a família do Orlando Pingo de Ouro. Espero poder passá-lo na quinta!".

Para 2021, Fred também terá concorrência interna: o Flu contratou os centroavantes Abel Hernández e Raúl Bobadilla para encorpar o grupo para a Libertadores. Em uma fase de mais consciência coletiva, o camisa 9 exaltou o uruguaio e o paraguaio, que segundo ele, ajudarão muito o Tricolor.

"Vamos ter 60 e poucos jogos no ano, teremos períodos que o Bobadilla vai estar melhor que eu, o Abel vai estar melhor que nós dois e vai merecer a titularidade. É impossível não alternar em tanto tempo, com esse calendário. Tem Carioca, Libertadores, Copa do Brasil, Brasileiro... é impossível manter o melhor nível em todos os jogos. Acho que o Fluminense acertou nos reforços. Torço de coração que façam muitos gols para que a gente possa estar nessa disputa saudável, quem ganha é o Fluminense", salientou.

O capitão também exaltou outros reforços, e vê o Fluminense mais forte para a disputa da competição.

"Vai ser assim também com Manoel, Cazares, Wellington, e o mais legal de tudo é que o ambiente é saudável independente de estarmos jogando ou não. Não é que quem sair vai ficar feliz, mas o trabalho vai seguir, todos vão dar o melhor. Os reforços vão nos ajudar muito, principalmente os dois centroavantes. Fiquei receoso que não viesse ninguém, mas vieram cinco de uma vez e ficamos muito felizes. Pelo que vimos, vão nos ajudar muito".

Confira outras declarações de Fred na coletiva:

Roger Machado

Todo treinador novo que chega e já vê uma base forte, não tem como mudar muito. O Roger manteve a base. O ideal seria contratar jogadores bem antes, mas a gente ainda teve que esperar Copa do Brasil, Recopa, a negociação, a pandemia dificulta muito os negócios no futebol, ainda mais trazendo jogador de fora, o Fluminense dependia de muita coisa.

Projeção para a Libertadores

Prefiro que a gente continue fazendo o que deu certo ano passado: trabalho simples, de muita competitividade, mas internamente vejo o grupo muito mais encorpado. Vejo resultado no trabalho do Roger, os reforços que chegaram, que aumentaram o peso e a qualidade técnica. Os caras treinaram ontem num nível lá em cima, nós acompanhamos, todos ficamos muito satisfeitos. Essa molecada já está com um ano de rodagem e competição do ano passado, então essa questão de favoritismo é complicada, porque ela não entra em campo. Ano passado a final foi Santos x Palmeiras, todos enalteceram muito o trabalho que o Cuca fez não só como técnico, mas gestor, com a molecada, chegar à decisão da Libertadores. O Palmeiras também, que trocou treinador, ninguém via como favorito, e essa foi a final. O que vai nos colocar em condição de lutar por esse título é passar para as oitavas, onde tudo se iguala. Ali você mata ou morre. Temos muitas condições de chegar até lá.

Marcas pessoais

Essas marcas pessoais dão uma motivada. Meu início no Carioca foi bom — 5 gols em 5 jogos —, mas o time perdeu alguns jogos, então não penso tanto nisso. Fico pensando em título da Taça Guanabara, em classificar na Libertadores, hoje não penso mais tanto em marcas individuais. Se eu der um passe para o Kayky, se a gente vencer, se ajudar o Fluminense, o Roger, fico mais feliz. Estou em um desespero de vencer um grande título com o Fluminense nessa segunda passagem para poder desfrutar do fim da minha carreira. Peço todos os dias a Deus que nos capacite para que a gente alcance esses objetivos.

Alegria do elenco

O campo é onde a gente esquece de tudo, inclusive das responsabilidades. No dia a dia, treinando e se preparando, vamos tirando a ansiedade, começamos a treinar e nos aperfeiçoar, trabalhos técnicos e táticos, vai saindo e a gente sabe que isso vai acontecer no campo. Nos dá confiança. Quando a gente perde os jogos aqui, eu e Nenê, principalmente, percebemos que o grupo sente muito. A gente não brinca só por perfil, mas para soltar, para a molecada se sentir mais à vontade. Mesmo quando há um resultado adverso, internamente a gente não pode mudar muito. Temos que nos entregar, fazer o que foi treinado, o que combinamos, todo mundo lutar até o final, por cada bola... Se a gente fizer o que acordou e perder por mérito do adversário, vamos seguir no caminho. Não podemos perder essa alegria. Eu e Nenê conversamos isso depois de uma sequência ruim no ano passado. Pensamos em segurar, mas decidimos fazer ainda mais, brincar mais, para todos ficarem à vontade. E funcionou.

Diferenças entre 2013 e 2021

Em 2013 a gente tinha bastante jogadores que vinham de título e brigando para ser campeão da Libertadores. Agora temos um grupo de jovens, experimentando a competição, sentindo esse prazer de jogar. O clube está voltando com orgulho, sentimento de satisfação pessoal, e todo mundo aqui no grupo está concentrado no que isso está representando para o clube.

Experiência

Acho que só mudou o vigor físico, pela idade. Me cuido mais, estou mais experiente. O que não mudou foi a vontade de ganhar e ser campeão, por isso que estou aqui ainda. Quando o juiz apitar o início da partida, vou ter essa vontade de vencer e esquecer tudo. Fico muito honrado de fazer 400 gols, ainda mais chegando a essa marca com a camisa do Fluminense. Quero agradecer aos torcedores pelo carinho, pelas homenagens, e espero que venham mais momentos importantes para comemorarmos juntos.

Cazares

Quando perguntaram do Cazares, já estava fechado. O presidente me perguntou e eu disse: "é craque!". Ele é muito inteligente. Na goleada que sofremos para o Corinthians, ele desequilibrou. Não gosto nem de lembrar. Encheu o saco dos nossos volantes, desequilibra. Acima da média para o nosso futebol. É o "pifador", como o Ganso, trabalha muito bem no meio de campo. Mas com força, raça... Jogamos juntos, ele me ajudou muito no Atlético-MG, fiz muito gol com passe dele. Espero que ele passe muitos anos aqui no Fluminense. Nossa torcida gosta muito de jogador com qualidade técnica, tomara que ele vire nosso ídolo. Tem potencial para isso.

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