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Neto de ex-jogador do Corinthians brilha na Inglaterra; seleções já sondam

Matthew Dibley-Dias, jogador das categorias de base do Fulham, em partida contra o Arsenal - Divulgação
Matthew Dibley-Dias, jogador das categorias de base do Fulham, em partida contra o Arsenal Imagem: Divulgação

Thiago Braga

Colaboração para o UOL, de São Paulo

18/04/2021 04h00

Matthew Dibley-Dias, jogador de 17 anos do Fulham, clube da região sudoeste de Londres, traz no DNA o Corinthians. Ele é neto de Manoel José Dias, o Manoelzinho, meia que defendeu o Corinthians por quatro anos, atuando em 111 jogos, com 57 gols anotados nos anos 50. "Sou corintiano. Estive algumas vezes no Brasil, fui a jogos do Corinthians, lembro que a torcida era muito barulhenta. Sei que é um dos maiores do Brasil", afirmou Matt ao UOL.

As semelhanças com o avô se estendem ao fato de jogar por um time alvinegro e ao número 8 às costas. Filho de pai brasileiro, Matthew nasceu na Nova Zelândia porque a mãe, Kirsten, queria ficar perto da família ao receber o primeiro filho. Como a família ainda tem ascendência portuguesa e mora na Inglaterra há anos, o jogador pode atuar pelas seleções de Brasil, Nova Zelândia, Portugal e Inglaterra. Os neozelandeses já sondaram o atleta para a seleção sub-18, mas ele prefere esperar um outro chamado.

Matthew Dibley-Dias, jogador das categorias de base do Fulham - Divulgação - Divulgação
Matthew, em partida do Fulham
Imagem: Divulgação
Manoelzinho, jogador do Corinthians nos anos 50 - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Manoelzinho, avô de Matthew, pelo Corinthians
Imagem: Arquivo Pessoal

"Não vou fechar a porta para nenhuma possibilidade, mas o sonho é jogar pela seleção brasileira", revela o jovem. Apesar da pouca idade, superar grandes dificuldades marcou a vida de Matthew. Morador do bairro de Kilburn, noroeste de Londres, ele viu a violência de perto ao buscar somente jogar. "Quando eu era pequeno, vi brigas nas gaiolas (quadras de futebol que são cercadas de grades, apelidadas de "cages"), vi gente ser esfaqueada. Mas nunca perdi meu foco. Meus pais sempre me preservaram e pude sempre pensar só em desenvolver o meu futebol".

O avô Manoelzinho largou o interior de Minas Gerais aos 13 anos para tentar a sorte como jogador no Rio de Janeiro. Atuou no Flamengo, onde chegou a marcar um gol histórico. Em 11 de maio de 1958, a seleção brasileira enfrentou o Flamengo em amistoso preparativo para a Copa do Mundo da Suécia. Manoelzinho entrou no lugar de Henrique e anotou o único tento da partida. Mas o reconhecimento mesmo viria no Corinthians.

Manoelzinho chegou ao Corinthians em 1961 e com ele vieram outros três jogadores do Flamengo: Adílson, Espanhol e Beirute. O último título do Timão fora conquistado em 1954 e era o início da longa fila de títulos que o clube só sairia em 1977. Em 61, o Corinthians iniciou o ano com sete derrotas em 11 jogos e ganhou da imprensa o título de "Faz-me rir", em alusão a um bolero famoso da época, cantado por Edith Veiga.

"Não era craque nem chegou, propriamente, a ser ídolo, mas alcançou uma média de mais de meio gol por partida (0,51), com 57 marcados em 111 jogos. Muito boa, se considerarmos que ele era um meia e não um atacante. Naqueles tempos, que quem jogava mais à frente eram os dois pontas e o centroavante", lembra o jornalista Celso Unzelte, autor do Almanaque do Timão.

Apesar da ligação familiar com um camisa 8 do Corinthians, é em outro camisa 8 que inspira Matthew: "Gosto do Philippe Coutinho, mas gosto mais do Kaká, me inspiro nele, que foi melhor do mundo e está na história".

Além das brigas nas quadras, Matthew teve de superar uma lesão grave quando rompeu os ligamentos do joelho direito. "Ele parece o Kaká. Mas é único porque ele é o Matt", desconversa Huw Jennings, diretor das categorias de base do Fulham, ao UOL. "Até os 11 anos, trabalhamos com os garotos para que eles saibam jogar no ataque e na defesa. Depois dos 14, por setor. Matt hoje joga como volante, mas ele sabe jogar em todas as posições do meio de campo. Ele é bom em recuperar a bola, distribuir na saída de jogo, chegar no ataque", completa Jennings.

Matt é um dos destaques do sub-17 do Fulham, que lidera a Premier League da categoria, na região sul. Nos últimos sete jogos, marcou quatro gols, um inclusive na partida contra o Arsenal, na última rodada do torneio. "Nós tomamos muito cuidado ao fazer projeções. Mas o Matt tem a habilidade do futebol brasileiro e a força do rúgbi neozelandês, dois países dominantes em seus esportes. Aprendeu a ter força mental após ficar um ano parado, ter resiliência, saber que precisa de dedicar. Então, acreditamos que ele possa ter um futuro na Premier League", finaliza Jennings.

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