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Em Belarus, Oya explica saída do Corinthians: "estava ficando para trás"

Fabrício Oya assinou contrato de dois anos com o Torpedo Zhodino, de Belarus  - Victor Glushko - Torpedo Zhodino
Fabrício Oya assinou contrato de dois anos com o Torpedo Zhodino, de Belarus Imagem: Victor Glushko - Torpedo Zhodino

Yago Rudá

Do UOL, em São Paulo

09/04/2021 04h00

Classificação e Jogos

Revelado na base e tratado como uma das principais promessas do Corinthians, o meia Fabrício Oya deixou o clube em março atuar no futebol do leste europeu. Atualmente, defendendo as cores do Torpedo Zhodino, de Belarus, o jogador explicou os porquês de ter aceitado a proposta e revelou não guardar mágoas do Alvinegro, mesmo após dois empréstimos e apenas uma partida como profissional.

No ano passado, Oya foi emprestado ao Oeste na disputa da Série B do Brasileirão e, no retorno ao Corinthians, aguardava chance no time de cima, já que a aposta da atual diretoria é dar espaço aos atletas formados no clube. O meia de 21 anos foi comunicado que não seria aproveitado por Vagner Mancini e passou a fazer parte da equipe sub-23, treinada pelo ídolo e ex-jogador Danilo.

"Sempre acreditei no projeto do Corinthians e não é à toa que eu fiquei no clube. Sempre voltava com um sorriso no rosto, mas acredito que vai chegando uma hora que você precisa de novos desafios. Eu acreditei que essa era hora, que poderia ser uma oportunidade muito boa para buscar coisas novas na minha carreira, para trazer novos desafios e resgatar minha confiança e meu futebol. Por muitas coisas que aconteceram pode ter saturado [relação no Corinthians]. Antes de aceitar a proposta aqui, eu estava com expectativa de dar certo no Corinthians. Eu via vários outros jogadores tendo oportunidade e eu estava ficando cada vez mais para trás. Por isso, decidi vir para cá", explicou o jogador, em entrevista ao UOL Esporte.

Oya chegou ao Timão ainda na infância, fez toda a categoria de base no clube, colecionou passagens pela seleção brasileira menores e foi campeão da Copa São Paulo de Futebol Júnior em 2017. Apesar das credenciais conquistadas, o jogador foi relacionado em apenas três partidas e esteve em campo em 21 minutos, em duelo diante do Ituano, em 2019, pela fase de grupos do Campeonato Paulista.

Sem espaço no CT Joaquim Grava, Oya tomou a decisão de deixar o clube e aceitar a proposta do Torpedo Zhodino. Em comum acordo com a diretoria, o jogador rompeu seu contrato amigavelmente com o Corinthians. Em contrapartida, o Timão manteve 35% dos direitos do meia em uma futura negociação. Agora, a meta do atleta é justamente ganhar espaço na Europa e competir em alguma liga de maior renome no mundo do futebol.

"Fiz um contrato de dois anos. O meu projeto é, durante o primeiro ano, fazer bons jogos, melhorar a minha visão sobre mim mesmo. Eu acredito muito no futebol e espero alcançar clubes maiores e ligas maiores. Eu confio muito no meu futebol e conheço a minha capacidade", cravou o jovem atleta.

Confira a entrevista completa do Fabrício Oya

UOL Esporte: Como está sendo a experiência em Belarus?

A adaptação ao frio é duro quando você sai de casa, mas nas áreas internas tudo é aquecido. A gente acha até estranho aqui porque você vai comer alguma coisa e o suco ou o refrigerante nunca vem gelado, é sempre natural. E, por causa do frio, o pessoal come muita sopa antes das refeições. É normal aqui. Depois do treino, a comissão dá um chá bem quente para a gente poder esquentar o corpo. A comida não é muito diferente, mas não tem todo dia um arroz e feijão, uma feijoada e um churrasco (risos). Mas, de resto, é muito tranquilo. O tempero não é nada forte.

UOL Esporte: Você tem enfrentado algum problema com a adaptação em seu novo clube?

Apesar de Belarus ser um país muito diferente do Brasil em questão de receptividade, o pessoal do clube tem sido muito caloroso comigo. Por eu ser brasileiro, todos queriam falar comigo, me abraçar e brincar comigo, falando de Carnaval e Copacabana, sabe? (risos). Eu estou tentando me comunicar e, de tanto que você ouve das pessoas e nos treinos, eu já peguei uma ou outra palavra em russo, entendo alguns significados e sei até falar algumas palavras. Mais uns dois meses eu talvez já esteja mais confortável.

UOL Esporte: Você tem feito aulas de russo?

Pedi para o clube e já fiz contato com a professora. Agora vamos alinhar quando podemos fazer as aulas. Vai me ajudar muito no clube, mas também na minha vida.

UOL Esporte: Houve um bom diálogo com a comissão técnica do seu atual clube?

No dia que eu cheguei, eles estavam concentrados e já pude conhecer todo mundo. O técnico me chamou para conversa e foi bem legal comigo. Perguntou da minha família, sobre a viagem, sobre questões pessoais da minha vida. Ele é tipo um paizão. Perguntou sobre onde gosto de jogar e qual o meu estilo. Eu já fiz minha estreia, nós classificamos na Copa da Bielo-Rússia.

UOL Esporte: Como está a situação do país em relação ao controle da pandemia?

Aqui está muito mais tranquilo em relação ao Brasil, pelo fato que o país é muito menor. O leste europeu está mais controlado. Aqui do lado na Rússia e na Ucrânia, e mesmo em Belarus, os jogos já estão acontecendo com torcida. Não é a capacidade total, mas já tem torcida. Está tudo aberto. Nós podemos ir para o shopping, podemos sair para jantar. Claro que com algumas limitações.

UOL Esporte: Você tinha propostas de clubes do Brasil, mas optou em se transferir para o leste europeu. Por que essa decisão?

Eu tinha mesmo outras propostas, mas a maioria como empréstimo para o Estadual (Paulistão). Eu já tinha saído do Corinthians em duas oportunidades, não me arrependo e sempre falo isso. Não foi o que eu esperava no Oeste e no São Bento, eu não esperava que fosse acontecer aquilo (rebaixamento da Série B para a Série C do Brasileirão em ambas as oportunidades), e eu não queria repetir a dose. Eu falei para o meu pai que teria um pouco mais de paciência e que ainda acreditava no meu futebol, que queria ir para clubes melhores ou ir subindo no Corinthians: fazer uma boa temporada no sub-23 e conseguir voltar para o profissional. Era meu último ano de contrato com o Corinthians e isso pesou muito aqui. Eu vim para cá porque eles conseguiram uma vaga para os playoffs da Liga Europa, o que é uma vitrine muito grande. Muitas ligas olham para cá, embora o Brasil não conheça esse mercado. Eu acredito muito no meu futebol e acho que se conseguir fazer uma boa temporada aqui eu consigo voos maiores.

UOL Esporte: Você não teve tantas oportunidades no Corinthians. Na sua opinião, ao que se deve isso?

Conquistei muita coisa no Corinthians. Na minha cabeça, eu imaginava que poderia ter tido mais oportunidades. Sempre acreditei no projeto do Corinthians e não é à toa que eu fiquei no clube. Sempre voltava com um sorriso no rosto, mas acredito que vai chegando uma hora que você precisa de novos desafios. Eu acreditei que essa era hora, que poderia ser uma oportunidade muito boa para buscar coisas novas na minha carreira para trazer novos desafios e resgatar minha confiança e meu futebol. Por muitas coisas que aconteceram pode ter saturado. Antes de aceitar a proposta aqui, eu estava com expectativa de dar certo no Corinthians. Eu via vários outros jogadores tendo oportunidade e eu estava ficando cada vez mais para trás. Por isso, eu decidi vir para cá.

UOL Esporte: Houve conversa com algum treinador do profissional ou com a diretoria para definir seu planejamento de carreira dentro do clube?

Com o Carille eu tive essa conversa. Me lembro muito bem até hoje, estava ele e o Andrés (Sanchez, ex-presidente) na sala. Na época, o Jadson não estava bem e, por isso, eu fiz minha estreia já que vinha treinando bem. Durante a temporada, o Jadson conseguiu se recuperar e eles trouxeram o Régis. Eu fui ficando cada vez mais para trás. O Carille me disse que seria melhor o empréstimo e eu acreditei nele. Os jogos que fiz lá (no São Bento), eu fui bem. Fiz nove jogos, dois gols e dei duas assistências. Em relação ao Oeste, foi na época do Tiago (Nunes), eu nunca conversei com ele. Apenas me avisaram que eu não seria utilizado. Depois, com o Mancini, me passaram que teria que ir para o sub-23 porque estava sem espaço para o profissional. Eu fui, mas não estava feliz. Esperava fazer o meu melhor possível, mas as coisas foram acontecendo e hoje estou aqui.

UOL Esporte: Se o sub-23 estivesse participando de alguma competição e oferecendo mais oportunidades no profissional, você acredita que teria influenciado na sua decisão em sair do clube?

Eu não sei, de verdade. Eu acho que depende muito do que seria o projeto do Corinthians para mim. Pelo o que fiquei sabendo, o Hugo Borges acabou não sendo emprestado porque o clube tem um projeto para ele. Ou seja, eles (diretoria) falaram isso para ele e o Hugo acredita no projeto. Da mesma forma que eu acreditei no Alex (Meschini, coordenador das categorias de base) e no Alessandro (Mori Nunes, gerente de futebol). Eu agradeço muito eles. São pessoas muito boas, do bem e que foram sinceras comigo. Eu fui para o sub-23 com essa ideia de batalhar pelo meu espaço por conta deles. Mas, respondendo sua pergunta, não sei se faria diferença.

UOL Esporte: Você deixou o Corinthians com alguma mágoa? Qual é o seu sentimento em relação ao clube?

Tudo que eu tenho hoje, devo ao Corinthians. Falei no meu vídeo de despedida que tenho muito amor ao clube e à torcida. É uma coisa diferente. Só quem um dia jogar lá vai entender. Espero que não seja um adeus, e sim um até logo. Tenho muita vontade, foi meu sonho e é meu sonho jogar na Arena com 50 mil torcedores gritando e eu poder fazer minha história lá. Espero um dia voltar.

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