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Indisciplina, 'novo' agente e dívida: por que Flu ficou com 10% de Praxedes

Praxedes se destaca pelo Internacional e atrai interesse no mercado da bola; Fluminense tem 10% - Fernando Alves/AGIF
Praxedes se destaca pelo Internacional e atrai interesse no mercado da bola; Fluminense tem 10% Imagem: Fernando Alves/AGIF

Caio Blois e Jeremias Wernek

Do UOL, no Rio de Janeiro e em Porto Alegre

06/04/2021 04h00

Oficialmente, o Internacional nega, mas recebeu proposta de R$ 50 milhões pelo meia Bruno Praxedes. Cria das divisões de base do Fluminense, o jogador de 19 anos tem trajetória diferente da maioria das joias de Xerém, mas o Tricolor retém pequena parte dos seus direitos econômicos do atleta.

O Colorado informou aos agentes que não negociará o jogador pelos valores oferecidos. Empresário do jogador, André Cury deseja a transferência. O intermediário tem dívida de R$ 28 milhões com o Inter — e também tinha débitos milionários com o Flu.

O que hoje equivale a apenas 10% já foi a totalidade dos direitos do jovem que chegou ao Fluminense aos 10 anos para o futsal. Após certo destaque, se consolidou como um dos melhores de sua geração, a 2002. O problema é que dentro de campo Praxedes também perdeu pouco do cartaz na difícil transição do sub-15 ao sub-17.

Foi no funil para o time então comandado por Eduardo Oliveira que os grandes nomes da geração acabaram dando passos atrás. Craque entre os nascidos em 2002, o meia Kaká (Carlos Antôinio de Oliveira Costa, recebendo o mesmo apelido do craque campeão mundial pela seleção) nem parecia sombra do mesmo jogador quando subiu para a categoria que tinha a "Geração dos Sonhos" de Marcos Paulo e João Pedro, que revelou também Calegari, Martinelli e Luiz Henrique. Curiosamente, Kaká hoje está no Grêmio, em negócio semelhante ao de Praxedes, um de seus "fiéis escudeiros" na base.

Praxedes começou aos 10 anos na base do Fluminense, e hoje brilha no Internacional - Mailson Santana/Fluminense FC - Mailson Santana/Fluminense FC
Praxedes começou aos 10 anos na base do Fluminense, e hoje brilha no Internacional
Imagem: Mailson Santana/Fluminense FC

Problemas extracampo

Tudo começou quando a seleção brasileira se preparava para o sul-americano em 2017. Praxedes estava entre os nomes, mas foi cortado. A decisão do técnico Paulo Victor Gomes interferiu na motivação do meia, que a partir dali acumulou performances abaixo de sua própria média como também questões extracampo. Nas redes sociais e em conversas de seus familiares — muito presentes em sua formação —, palavras utilizadas incomodavam o Fluminense e seus profissionais, dispostos a recuperar o jogador. E nos bastidores, o jogador desejava a liberação.

O estopim aconteceu em 2018, quando o meia publicou em sua conta no Twitter a frase "segue o líder", referente à liderança do rival Flamengo no Campeonato Brasileiro daquele ano. A mensagem rapidamente viralizou e os torcedores "cancelaram" o jovem. A diretoria, por outro lado, o puniu, mas sem liberá-lo de graça. Após o caso, o meia se desculpou e voltou aos treinos em Xerém, sem nunca mais se destacar e seguir na reserva.

Praxedes utilizou frase em referência ao Flamengo em seus tempos de Fluminense - Reprodução/Twitter - Reprodução/Twitter
Praxedes utilizou frase em referência ao Flamengo em seus tempos de Fluminense
Imagem: Reprodução/Twitter

Foi quando seus novos agentes apresentaram a proposta do Internacional, que queria levá-lo para Porto Alegre. Após muitas conversas entre o comitê de Xerém, chefiado pelo diretor Marcelo Teixeira, a decisão de ceder 50% mantendo o mesmo percentual e mandando Praxedes ao Beira-Rio agradou a todos: o Flu não acreditava que o jovem desabrochasse no futebol. Por isso, o Colorado ainda conseguiu a opção de compra de mais 20% dos direitos, por R$ 500 mil, efetuada antes mesmo que o meia fosse destaque da Copa São Paulo em 2020 — quando o Colorado ficou com o título ao bater o rival Grêmio na final.

Mudança de agente e dívida

Até então ligado a outro grupo de empresários, Praxedes assinou com o agente André Cury no início de 2018. A expectativa era conseguir uma nova equipe, já que o jovem já estava na reserva no Fluminense. Internamente, a avaliação era de que os antigos agentes foram tirados como culpados pela situação por serem parceiros do clube em outros negócios.

Cury já tinha uma dívida com o Flu pelo não pagamento de comissões em negociações como a do volante Pierre, que chegou ao clube em 2015. O valor era milionário, e, por isso, o empresário detinha alguma barganha sobre o clube. Foi o agente e a família de Praxedes que levaram a proposta do Internacional ao Tricolor com a intenção de fazer negócio. Como o Fluminense não se opôs, a cobrança ficou para outro momento.

O problema é que o momento chegou em plena pandemia de coronavírus, quando a dívida já havia aumentado — e não foi paga pelos presidentes Peter Siemsen e Pedro Abad. Por meio de outros sócios, André Cury ameaçou cobrar o Tricolor na Justiça, o que incidiria em penhoras, mas ofereceu um acordo: levar mais 20% de Praxedes, já em ascensão no Inter. Sem saída, o clube das Laranjeiras, já presidido por Mário Bittencourt, acatou, e o que eram 100%, depois de 50% e 30%, acabou em 10% dos direitos econômicos.

Ainda assim, com a valorização do atleta, o Fluminense ainda pode faturar alto com uma transação por Praxedes. O Internacional pede ao menos 10 milhões de euros (R$ 67 milhões, na cotação atual) para negociar o volante. Nesse caso, o Tricolor levaria R$ 6,7 milhões.

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