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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Prósperi: Não aprendemos nada na temporada passada dominada pela pandemia

Do UOL, em São Paulo

24/03/2021 12h00

Classificação e Jogos

Em meio ao pior momento da pandemia no Brasil, as federações tentam manter os campeonatos de futebol em atividade e sem qualquer mudança no sentido de reduzir o número de datas, tanto nos campeonatos estaduais quanto na Copa do Brasil, que agora contam com clubes tendo de viajar para que joguem fora de seus respectivos estados, como ocorreu ontem (23) com Mirassol e Corinthians pelo Campeonato Paulista, quando o jogo foi sediado em Volta Redonda, no Rio de Janeiro.

No Fim de Papo, live pós-rodada do UOL Esporte com os jornalistas Vinícius Mesquita, Débora Miranda, Luiz Antônio Prósperi, e Menon, Prósperi comenta o vídeo revelado de reunião entre o presidente da CBF, Rogério Caboclo, e os mandatários dos clubes brasileiros, e critica a falta de aprendizado com a temporada anterior para algumas mudanças e adaptações nas competições brasileiras, enquanto a própria Liga dos Campeões teve alterações em 2020 devido à pandemia.

"O que me chama muito a atenção é que a gente não aprendeu absolutamente nada com a temporada passada, dominada evidentemente pela pandemia, essa continua dominada pela pandemia, ainda pior, porque nós estamos no pior momento da crise da pandemia e ninguém abre mão de nada. Por que a Federação Paulista, para pegar bem a nossa discussão, não altera o regulamento e o jeito de disputar o Campeonato Paulista? Enxuga!", afirma Prósperi.

"Não tem a menor necessidade de acabar dia 23 de maio. Transforma essa competição em um mês, à la Copa do Mundo, faz duas sedes, vamos supor que os cientistas, os médicos, os especialistas dizem o seguinte ?olha, concentra todo mundo no estádio do Corinthians, que tem um bom gramado, dois ou três hotéis ali, e aqui no estádio do Palmeiras também, que tem um gramado que não vai danificar porque é piso artificial', e aí você concentra os jogos, isso é uma suposição, não estou falando que é essa a solução, que é isso que tem que ser feito, diminui o número de jogos, concentra tudo em um mês, um mês e meio no máximo", completa.

O jornalista cita a própria Copa do Brasil, que também tem clubes jogando em outros estados devido ao veto em suas respectivas localidades devido ao estágio da pandemia e recorda a reclamação do técnico Abel Ferreira, do Palmeiras, quando questionou se a competição da CBF não poderia ser disputada sem a necessidade dos dois jogos a cada fase.

"A gente vai para a Copa do Brasil e também enxuga um pouco mais a Copa do Brasil, a gente está numa emergência, se vocês querem jogar, vamos mudar um pouco. Se a gente continuar achando que tem que jogar como jogava antes da pandemia, aí não vai ter solução. A Champions, que é o campeonato mais rico do mundo, se concentrou lá em Lisboa, em Portugal, resolveu em 20 dias um campeonato que teria mais dois meses, então por que a gente não pode fazer isso aqui?", questiona.

"O próprio técnico do Palmeiras, o Abel, português, que é acostumado com o calendário europeu, ele disse ?por que a Copa do Brasil tem que ser ida e volta a final? Faz um jogo só, como foi a Libertadores?. Vamos encontrando algumas fórmulas que a gente tem aqui. Eu sou a favor que o futebol tem que parar nesse momento, principalmente nesse momento, mas já que querem continuar, então que pelo menos diminuam os danos, pensem no próximo, no jogador, porque o jogador também está muito exposto, eles se infectam, mas e as sequelas? E depois? Quero ver os médicos falarem depois o prejuízo físico que esses jogadores vão ter, as famílias, o pânico", conclui.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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