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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Menon: O futebol tem que dar uma parcela de contribuição para a sociedade

Do UOL, em São Paulo

24/03/2021 04h00

O Brasil superou ontem (23) a marca de 3 mil mortos pela covid-19 e muitos estados vivem uma situação de colapso no sistema de saúde, com a falta de leitos de UTI. Alguns governadores e prefeitos tomaram medidas de restrição que impedem a realização de jogos de futebol, mas mesmo assim dirigentes optaram por não parar, com o Campeonato Paulista tendo pela primeira vez jogos realizados fora do estado de São Paulo, em Volta Redonda, no Rio de Janeiro.

No Fim de Papo, live pós-rodada do UOL Esporte com os jornalistas Vinícius Mesquita, Débora Miranda, Menon Luiz Antônio Prósperi, Menon comenta a reunião dos dirigentes de clubes brasileiros com o presidente da CBF, Rogério Caboclo, e questiona a falta de contribuição do futebol com a sociedade em um momento delicado de pandemia.

"Os sinais estavam dados, os cientistas falando, essa praia, essas festas, está tudo errado, não pode fazer isso. O [Miguel] Nicolellis falou que março iria ser terrível. Mas acho que eles [dirigentes de futebol] não esperavam que fosse tanto assim. Agora, se soubessem também que iria ser tanto assim, nada indica que eles teriam alguma atitude correta", diz Menon.

"O problema hoje é essa questão simples, hoje, do jeito que está, tem que parar e pensar o seguinte: o que o futebol representa para o Brasil? O que o futebol representa para o cidadão comum? Acho que é a maior paixão. O futebol tem que dar uma panela de contribuição para a sociedade, ele não pode ser uma ilha. Então o cara vai lá e dá dez ventiladores lá, por que não dá para Novo Horizonte, por que não dá para outras? (?) O futebol tinha que dar uma resposta para a sociedade, tinha que apoiar o Brasil nesse momento em que a população está totalmente abandonada por todo mundo, mas não faz nada", completa.

Sobre a reunião, Menon se diz assustado pela postura dos presidentes de clubes, como Maurício Galiotte, do Palmeiras, quando Rogério Caboclo, mandatário da CBF, não deu sequência a um pedido do dirigente palmeirense e não houve contestação da parte dele e de outros dirigentes.

"Caboclo parece um ditador porque ele realmente tem o poder. Quem elege o presidente da CBF são as federações, então ele se coloca, os clubes não mandam nada, os grandes clubes podem escolher um candidato e vão perder a eleição. Por isso mesmo que eu acho que já que eles vão perder mesmo, eles poderiam ser mais rebeldes, ter uma postura menos submissa. A postura dele não me assustou, me assustou a postura dos clubes, totalmente submissos", diz Menon.

"O Galiotte foi falar alguma coisa e 'não vai ser'. Fala 'vai ser agora sim, eu quero falar agora?. Eles têm medo depois de serem prejudicados em um jogo com uma escala de arbitragem? O Palmeiras não precisa de dinheiro, é um time muito bem resolvido financeiramente, e os outros se portando como cordeirinhos", conclui.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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