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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Debora Miranda: Tom de Caboclo na reunião da CBF foi ditatorial, assustador

Do UOL, em São Paulo

24/03/2021 04h00

Classificação e Jogos

A revelação de um vídeo de reunião por videoconferência do presidente da CBF, Rogério Caboclo, com dirigentes de clubes de futebol, mostrou que a entidade por ele dirigida não pretende parar com o futebol no Brasil, mesmo com o aumento das infecções e mortes pela covid-19 baterem novos recordes a cada dia e alguns estados impondo restrições que implicam a realização de jogos de futebol.

No Fim de Papo, live pós-rodada do UOL Esporte com os jornalistas Vinícius Mesquita, Débora Miranda, Menon e Luiz Antônio Prósperi, Débora comenta o vazamento da reunião dos dirigentes, o tom usado pelo presidente da CBF e ressalta a dificuldade de parar o futebol para os clubes, ao mesmo tempo em que os protocolos apresentados tem se mostrado com falhas.

"Eu fiquei assustadíssima com o vídeo dessa reunião. Assustadíssima. Porque é um tom que se você pega aquilo numa situação isolada, você pode achar que é qualquer coisa, menos uma reunião de dirigentes de futebol, é um tom totalmente ditatorial, é muito assustador, de não deixar ninguém falar e aí quando finalmente ele fala 'tem alguém aqui que é contra?'. Eu fiquei muito chocada mesmo, acho que a palavra é essa, com essa reunião", afirma Débora.

"Agora, eu acho que para além de o futebol precisa parar, eu acho que a gente precisa trazer discussões de fato um pouco mais aprofundadas para isso, eu vejo os clubes falando muito sobre a questão financeira, a primeira parada já foi muito prejudicial, a segunda muitos dizem que pode ser fatal, porque você perde patrocínio, inclusive, isso eu estou falando dos times grandes, os principais, imagine os times menores", completa.

Embora reconheça os problemas que podem ocorrer com mais uma paralisação do futebol brasileiro, a jornalista ressalta que os dirigentes deveriam buscar alternativas para que pudessem seguir de uma forma mais segura e que apenas realizar testes não tem se mostrado o suficiente.

"A situação dos clubes também não é confortável, não é tão simples a gente falar ?vamos parar', porque eles já vêm de um ano anterior que foi bastante difícil, quase todos tiveram prejuízo grande, têm uma folha de pagamento muito grande, como todas as empresas, profissionais em qualquer área no Brasil e no mundo, que está sofrendo as consequências da pandemia, na situação econômica os clubes estão muito prejudicados também, eu entendo por esse lado", afirma Débora.

"Agora, eu acho que o papel da federação era encontrar situações para que, se a ideia é, vamos tentar preservar o campeonato, vamos tentar fazer o melhor pelos clubes e tal, testar só e mandar a galera viajar pelo país não é suficiente, se isso fosse eficiente, não tinha surtos espalhados pelos times a cada semana. O papel da federação era e de todas as federações eu acho quando a gente está falando estadual, da CBF também, pensar quais são as alternativas que a gente tem para de fato criar um campeonato que seja seguro", completa.

Débora cita o caso do Marília, que precisou cruzar diferentes estados para disputar uma partida de Copa do Brasil com o Criciúma devido ao veto de jogos no estado de São Paulo, com o anúncio posterior de um surto de casos dentro do clube, e afirma que não dá para seguir com o futebol da forma como está ao mesmo tempo em que cresce o número de mortes por dia no Brasil devido à covid-19.

"A contaminação não para e as pessoas estão convivendo se relacionando com outras pessoas e contaminando, é um negócio que a gente testa o tempo inteiro só pra descobrir que está todo mundo contaminado, mas a gente não está tendo medidas de fato que olhem para isso com a atenção que precisa ser olhada, porque com mais de 3 mil mortos não tem a menor condição de continuar o campeonato do jeito que está", conclui.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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