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Clubes se incomodam e veem jogo de interesses após reunião da CBF vazar

Rogério Caboclo, presidente eleito da CBF - Lucas Figueiredo/CBF/Divulgação
Rogério Caboclo, presidente eleito da CBF Imagem: Lucas Figueiredo/CBF/Divulgação

Caio Blois, Jeremias Wernek, Marinho Saldanha e Thiago Ferri

Do UOL, no Rio de Janeiro, Porto Alegre e São Paulo

23/03/2021 15h04Atualizada em 24/03/2021 10h33

O vazamento da reunião realizada há quase duas semanas entre a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e clubes das Séries A e B incomodou a algumas agremiações que participaram do encontro virtual. Há o entendimento de que existe um jogo de poder no ato e de que o trecho apresentado não deixa claro o que aconteceu: os cartolas basicamente assistiram a um pronunciamento do presidente da confederação, Rogério Caboclo, sobre a continuidade dos campeonatos em meio ao agravamento da covid-19 no Brasil.

No vídeo publicado por "O Dia", Caboclo disse que iria manter as competições nacionais e que Globo e patrocinadores não desejavam a paralisação. O dirigente chegou a dizer que os clubes estariam "fodidos" caso as competições fossem suspensas.

Pessoas que participaram da reunião relataram ao UOL Esporte que Rogério Caboclo não abriu o tema para discussão. Apenas chamou os clubes e comunicou sua decisão de continuar com o futebol, independentemente do que os dirigentes pensavam. Maurício Galiotte, presidente do Palmeiras, tentou abrir um debate, mas foi cortado abruptamente pelo mandatário da CBF.

O dirigente palmeirense entendia ser necessário discutir melhor o assunto diante de tudo que envolve a decisão, incluindo a parte de saúde. O Verdão já mostrou que respeitará as decisões dos órgãos competentes, mas Galiotte considerou necessário tratar o assunto com mais calma. Diante da resposta de Caboclo, preferiu encerrar seu comentário.

Ao fim da reunião, o presidente da CBF questionou se havia algum dirigente a favor da paralisação dos campeonatos. Sem manifestações, ele encerrou o encontro. Os presentes que gostariam de falar mais profundamente sobre o tema não viram espaço para responder de forma contrária, enquanto figuras como o presidente do Avaí, Francisco Battistotti, elogiaram Rogério Caboclo.

Não há, neste momento, um movimento para se rebelar contra a decisão da CBF, e os clubes devem acatar a continuidade dos jogos, mesmo diante do fechamento de algumas cidades para combater o novo coronavírus. O incômodo ficou por ter sido uma decisão unilateral, sem ouvir outros presentes.

O UOL Esporte entrou em contato com a CBF e com a Globo sobre as declarações de Caboclo. A Confederação declarou que "o posicionamento [da entidade] está na matéria" e reiterou que "a defesa da continuidade do futebol foi posição unânime das 27 Federações e dos Clubes participantes de todas as séries do futebol brasileiro, sempre seguindo rígidos protocolos de saúde, conforme detalhado na nota oficial sobre a reunião".

Já a Globo, que "como vem fazendo desde o início da pandemia há mais de um ano, segue respeitando as orientações dadas pelas autoridades competentes e acompanhando as decisões dos organizadores das competições". "Entendemos que o momento é de cautela, e que a prioridade é a segurança de todos. Vamos seguir e respeitar todos os protocolos que forem definidos e decididos pelas entidades", completou.

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