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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Mauro: Qualquer comparação de Abel com Jesus é uma forçada de barra absurda

Do UOL, em São Paulo

08/03/2021 17h51

Assim como técnico português Jorge Jesus fez com o Flamengo em 2019, seu compatriota Abel Ferreira conseguiu com o Palmeiras na temporada 2020 dois títulos, com a Libertadores e a Copa do Brasil, vencida ontem diante do Grêmio, enquanto o antecessor havia tido a competição continental somada ao Brasileirão, campanhas que levaram a comparações sobre os feitos de dois treinadores vindos de Portugal no futebol brasileiro em temporadas bastante distintas.

No podcast Posse de Bola #106, Mauro Cezar Pereira afirma que não cabe nenhuma comparação em relação ao que os dois técnicos fizeram, dada a diferença que ele considera do trabalho realizado por Jesus em relação a Abel.

"Qualquer comparação do Abel com o Jesus, o trabalho feito, acho que é uma forçada de barra absurda, uma forçada de barra muito intensa por parte da imprensa de São Paulo, que quer porque quer fabricar um novo português de sucesso em um time paulista, o que evidentemente não aconteceu. A diferença é brutal do que fez o Jorge Jesus e do que fez o Abel", diz Mauro Cezar.

A análise do jornalista leva em consideração a forma pela qual jogou o Flamengo de 2019, com um futebol mais ofensivo, de mais posse de bola e com marcação alta, enquanto o Palmeiras de 2020 tem uma defesa sólida e se fecha para aproveitar os espaços e contra-atacar, citando que o modo de jogar do time alviverde não funcionou no jogo do Allianz Parque contra o River Plate e diante do Tigres no Mundial de Clubes.

"O Abel é um técnico que montou um time competitivo, que faz um tipo de futebol que funciona bem no Brasil e nem sempre lá fora, vide o jogo contra o River, vide o Mundial de Clubes, e tem todos os méritos por ter sido campeão, mas não há como comparar o que o Jesus realizou no Flamengo e o que o Abel realiza hoje no Palmeiras, isso aí para mim é muito claro", diz Mauro.

"Há uma forçada de barra monstro, 'ah o feito é mais difícil', exercícios de reflexão profunda para tentar colocar no mesmo patamar ou até em um patamar mais alto, o que acho que é até um desserviço ao futebol, porque é só olhar para o que os dois times fazem em campo, fazia em campo um e faz outro hoje", completa.

Palmeiras teve sequência contra adversários mais fracos

Outro fator que o jornalista cita é a sequência de adversários mais fracos que o time do Palmeiras enfrentou na campanha da Copa do Brasil — passando por Red Bull Bragantino, Ceará e América-MG antes de vencer o Grêmio na final — comparando ao que fez o Cruzeiro quando foi campeão em 2017, que teve Chapecoense, Palmeiras, Grêmio e Flamengo.

"O Palmeiras aproveitou muito bem também, e isso não pode ser ignorado e não tira o mérito, mas teve uma sequência de jogos contra adversários mais fracos, se você comparar o Cruzeiro campeão da Copa do Brasil em 2017 os adversários e o Palmeiras a diferença é muito grande, mas problema do Cruzeiro, sorte do Palmeiras, foi campeão", diz Mauro Cezar.

"Isso tem que ser avaliado para você ter uma noção do tamanho do futebol produzido e o que foi feito, até para neutralizar essa forçada de barra. Não tem comparação. Seria absurdo que o Abel, com 42 anos, só se ele fosse um novo Gallardo e não é, fizesse algo parecido com o que o português que esteve aqui antes fez", completa.

Por fim, Mauro destaca como dois técnicos portugueses chegaram ao futebol brasileiro com formas diferentes de trabalho e conseguiram ter sucesso com os títulos conquistados nas últimas duas temporadas.

"Me chama a atenção é o seguinte, portugueses de diferentes estilos, bem distintos, esse um português mais abrasileirado, um jogo reativo, do jogo muito pragmático. Ele tem conceitos e ideias de jogo muito parecidas daquelas que são defendidas e colocadas em prática por muitos técnicos aqui do Brasil, mas mais competente do que a maioria deles, comprovadamente mais capaz. É interessante observar que dois portugueses de escolas diferentes, gerações diferentes vieram, dominaram e ganharam", conclui.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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