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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Trajano: Diante do que estamos vivendo no país, o futebol deve parar

Do UOL, em São Paulo

04/03/2021 04h00

Classificação e Jogos

No momento em que o Brasil vive o pior momento da pandemia do novo coronavírus, tendo atingido ontem a marca de 1.840 mortes em 24h, Corinthians e Palmeiras entraram em campo para a disputa do clássico pelo Campeonato Paulista com o time corintiano não podendo contar com nove jogadores diagnosticados com a covid-19, em um surto que também atingiu funcionários do clube.

No Fim de Papo, live pós-rodada do UOL Esporte — com os jornalistas Vinicius Mesquita, José Trajano, Débora Miranda e Renato Maurício Prado —, Trajano afirma que o futebol deveria parar no Brasil neste momento em que há poucos leitos de UTI disponíveis, o número de diagnosticados dispara, assim como de óbitos, e a situação se mostra fora de controle.

"Eu gostaria de participar do programa de hoje me recusando a falar do jogo propriamente dito. Eu acho que o futebol, às vezes, nós temos que analisar por outro prisma, futebol não se resume só ao que acontece dentro do campo. Aqui ao lado [de casa] está acontecendo uma festa, está acontecendo uma festa aqui ao lado, eu ouço os gritos, os risos, a conversa alta, o que é um desrespeito, é um sentimento que me deixa completamente indignado", diz Trajano.

"Por isso que diante do que nós estamos vivendo nesse país, que é o segundo país em número de óbitos, o país que não conseguiu ainda vacinar 4% da sua população, eu quero entrar de sola no assunto que futebol deve parar também. Analisar o jogo de hoje sob o ponto de vista técnico, Campeonato Paulista, começou, que fulano fez gol, sei lá o quê, não faz parte do meu show hoje confesso a você", completa.

O jornalista afirma que o clássico disputado na Neo Química Arena não deveria ter acontecido, questiona como o Corinthians atingiu um número tão elevado de jogadores diagnosticados com a covid-19 e ainda chama a atenção para o caso da Ferroviária, de Araraquara, cidade que vive uma situação bastante complicada, mas que tem o time em atividade mesmo assim.

"Esse jogo não deveria ter sido realizado, como que o Corinthians, que é um clube de futebol do tamanho do Corinthians tem um bando de jogadores contaminados? Não há um trabalho, o departamento médico, os jogadores não se cuidam? Como é que isso funciona? Como é que nove jogadores são infectados pela covid-19? Como é que pode um campeonato começar com esse número de jogadores infectados?", questiona Trajano.

"Como é que a Ferroviária de Araraquara, Araraquara a gente sabe que está vivendo um caos, sou até amigo do Edinho Silva, prefeito de lá, sei a luta que está travando para resolver os problemas de Araraquara, o time da Ferroviária mora em Araraquara? Treina em Araraquara? Se concentra em Araraquara? Como é que um time de uma cidade em que está todo mundo com problemas sérios, que não tem nenhum leito faz tempo de UTI pode disputar um Campeonato Paulista? Esses jogadores ficam escondidos debaixo da terra lá em Araraquara? Acho que na discussão hoje também cabe esse tipo de coisa", conclui.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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