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Ex-advogado do Grêmio defende Cuca e fala em "postura correta" na Suíça

Brunno Carvalho

Do UOL, em São Paulo

04/03/2021 04h00

À época vice-presidente jurídico do Grêmio, Luiz Carlos Pereira Silveira Martins, o Cacalo, defendeu Cuca sobre o caso envolvendo o agora treinador e outros três jogadores do clube gaúcho em Berna, na Suíça, em 1987. Cuca, Eduardo Hamester, Henrique Etges e Fernando Castoldi foram presos em um hotel acusados de terem participado de um ato sexual com uma menina de 13 anos.

Cacalo foi responsável pela defesa dos quatro jogadores, ao lado de outros dois advogados suíços. Ele defende a postura de Cuca no caso.

"Especialmente sobre o Cuca, que o assunto voltou agora, ele não cometeu nenhum ato de estupro e não manteve relação com a menina. Sempre manteve uma postura absolutamente correta. Eu não seria capaz de defender uma pessoa tantos anos depois que tivesse cometido um estupro. Absolutamente isso não aconteceu", afirmou.

O Grêmio excursionava pela Europa em julho daquele ano quando os quatro atletas foram presos no Hotel Metropolitano, em Berna. Em depoimento, a menina, Sandra Pfäffli, afirmou ter ido com amigos ao quarto dos atletas para pedir uma camisa do Grêmio. Na sequência, os atletas teriam expulsado o grupo que estava com ela e a forçado durante 30 minutos a manter relações sexuais.

De acordo com Cacalo, apenas um dos atletas teve relação com Sandra — ele não quis revelar o nome, mas afirmou ter sido consensual e não ser Cuca. "Os outros, como não houve uma prova definitiva e, na verdade, não mantiveram relação, foram condenados por estarem ali".

O Código Penal suíço, no entanto, condena qualquer pessoa que "se envolva em um ato sexual com uma criança menor de 16 anos, ou incite a criança a cometer tal atividade ou envolva uma criança em um ato sexual". Os culpados não precisam, necessariamente, penetrar sexualmente a vítima para serem considerados culpados.

A lei suíça também não fala em consentimento das relações com menores de idade para a condenação. Pelo código penal, qualquer pessoa com mais de três anos de diferença para o menor de idade envolvido deve ser punida pelo ato. Na época, Sandra tinha 13 anos, enquanto Cuca tinha 24 anos, Eduardo, 20, Henrique, 21, e Fernando, 22.

Cuca, Henrique e Eduardo foram condenados a 15 meses de prisão e ao pagamento de US$ 8 mil cada. Fernando, no entanto, acabou absolvido da acusação e foi condenado a três meses de prisão e ao pagamento de uma multa de U$ 4 mil por ter sido considerado cúmplice do crime.

O caso voltou a ter notoriedade após Cuca iniciar conversas para assumir o Atlético-MG. Parte da torcida mineira pressionou para que o treinador não fosse contratado por causa do envolvimento no que ficou conhecido como "Escândalo de Berna".

No início da semana, em depoimento ao blog da Marília Ruiz no UOL Esporte, Cuca disse que é inocente.

"Não fui julgado e culpado. Fui julgado à revelia, não estava mais no Grêmio quando houve esse julgamento com os outros rapazes. É uma coisa que eu tenho uma lembrança muito vaga, até porque não houve nada. Não houve estupro como falam, como dizem as coisas. Houve uma condenação por ter uma menor adentrado o quarto. Simplesmente isso. Não houve abuso sexual, [não houve] tentativa de abuso ou coisa assim", disse o treinador.

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