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Condenados com Cuca tentam se distanciar de escândalo sexual de 1987

Henrique Etges, Fernando Castoldi, Eduardo Hamester e Cuca cerca de um mês após o Escândalo de Berna, como ficou conhecido o caso - Reprodução/Revista PLACAR
Henrique Etges, Fernando Castoldi, Eduardo Hamester e Cuca cerca de um mês após o Escândalo de Berna, como ficou conhecido o caso Imagem: Reprodução/Revista PLACAR

Arthur Sandes

Do UOL, em São Paulo

04/03/2021 04h00

Cuca não foi o único condenado da acusação de ter participado de ato sexual com uma menina de 13 anos, em 1987. À época, estavam com ele outros três jogadores do Grêmio, que participaram do ato em um quarto de hotel da cidade de Berna, na Suíça. O UOL Esporte ouviu dois deles, que se recusaram a falar longamente sobre o assunto.

"Não tenho nada para falar sobre isso. Já faz muito tempo, e eu prefiro que fique no esquecimento do que ficarem lembrando esta situação. Já faz muito tempo que isso se passou, e não tenho nada para declarar", disse de forma breve o ex-goleiro Eduardo Hamester.

O ex-zagueiro Henrique Etges foi ainda mais breve. "Não estou interessado neste assunto, não. Muita gente já me ligou, mas isso já passou. Não estou interessado, não. Sinto muito, mas não posso falar", afirmou.

Os dois, assim como Cuca e um quarto envolvido, Fernando Castoldi, foram acusados de estuprar a garota Sandra Pfäffli, mas a Justiça da Suíça entendeu que não houve violência. Eles foram condenados com base no artigo 187 do Código Penal do país, que prevê pena de até cinco anos a quem "se envolva em um ato sexual com uma criança menor de 16 anos, ou incite a criança a cometer tal atividade ou envolva uma criança em um ato sexual". O artigo faz parte da seção "Atos sexuais com pessoas dependentes".

Na época, Eduardo Hamester, Henrique Etges e Cuca foram condenados a 15 meses de prisão e também ao pagamento de US$ 8 mil cada. O quarto envolvido no caso, Fernando Castoldi, foi considerado cúmplice do crime e por isso teve pena e multa menores (três meses e U$ 4 mil, respectivamente). Nenhum deles jamais cumpriu a pena. O UOL Esporte não conseguiu contato com Castoldi.

Em 1987, eles falaram sobre o caso

As declarações sucintas de Eduardo e Henrique não combinam com a desenvoltura com que falaram sobre o caso para a revista Placar, ainda em 1987, cerca de um mês após pagarem fiança e voltarem ao Brasil. Na edição de outubro daquele ano, eles aparecem sorridentes.

"Antes, eu era um gurizão, quieto mas desatento. Agora, me sinto mais sereno e até mais aberto", afirmou Eduardo Hamester, na ocasião, aos 22 anos, querendo dizer que o ocorrido de alguma forma o ajudou a amadurecer. "Sempre ouvia dizer que as pessoas crescem com as dificuldades. Agora acho que compreendemos isso", completou.

Já Fernando Castoldi disse que os familiares "não tocavam no assunto", ao que Henrique completou: "E quando isso é inevitável, comentam em tom de brincadeira". Cuca dizia que a mulher Rejane e os sogros "acharam que recebemos uma punição severa demais pela falta que cometemos".

O depoimento de Cuca

No início da semana, em depoimento ao blog da Marília Ruiz no UOL Esporte, Cuca disse que é inocente.

"Não fui julgado e culpado", disse o treinador, que na verdade foi, sim, considerado culpado e por isso condenado a 15 meses de prisão por ter relação sexual com a menina de 13 anos. "Fui julgado à revelia, não estava mais no Grêmio quando houve esse julgamento com os outros rapazes. É uma coisa que eu tenho uma lembrança muito vaga, até porque não houve nada. Não houve estupro como falam, como dizem as coisas. Houve uma condenação por ter uma menor adentrado o quarto. Simplesmente isso. Não houve abuso sexual, [não houve] tentativa de abuso ou coisa assim", afirmou.

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