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Da profecia à gratidão: o primeiro e último ato de Victor no Atlético-MG

Nos últimos dias até o pós jogo, Victor homenageado em peso pelo clube e torcida do Galo - Divulgação/Mineirão
Nos últimos dias até o pós jogo, Victor homenageado em peso pelo clube e torcida do Galo Imagem: Divulgação/Mineirão

Do UOL, em Belo Horizonte

01/03/2021 04h00

Classificação e Jogos

A história de Victor como goleiro do Atlético-MG terminou na noite de ontem (28), após o Galo vencer a URT por 3 a 0 na estreia pelo Campeonato Mineiro 2021. Em quase nove anos de clube, a despedida do ídolo aconteceu 424 jogos depois de ele ter prometido ficar eternamente marcado nas lembranças do torcedor — e dá para dizer que ele cumpriu. Agora, em seus últimos momentos, não faltaram agradecimentos ao clube e torcida, além de um desejo de "até logo".

Duas situações curiosas marcaram a história de Victor no Galo antes mesmo de o goleiro entrar em campo. A primeira delas foi a tuitada do ex-presidente Alexandre Kalil no momento da contratação. Naquele 29 de junho de 2012, o torcedor atleticano comemorou a chegada do novo reforço depois de muito sonhar com um goleiro capaz de acabar com o histórico preocupante da posição para o time. Foram várias apostas sem retorno até a chegada do gremista.

"Eu me sinto honrado de ter feito parte de tudo isso. Só tenho a agradecer, o presidente Kalil bancou minha contratação. Essa tuitada dele, sem dúvida me deu confiança e me deixou à vontade para entrar em campo e dar o meu melhor. Acho que a missão foi cumprida", comentou o goleiro, em sua entrevista de despedida.

A profecia

Seis dias após aquele anúncio de Kalil, foi a vez de Victor pisar na Cidade do Galo para ser apresentado oficialmente. Isso aconteceu praticamente um mês depois de Ronaldinho desembarcar em Belo Horizonte para também vestir a camisa alvinegra. A dupla seria fundamental para o técnico Cuca na campanha que terminou com o vice-campeonato brasileiro. No ano seguinte, Victor começou a cumprir, jogo a jogo, o que prometera, sendo protagonista na conquista da Libertadores.

"Todo ser humano é movido a desafios. E esse foi um dos principais motivos de ter aceitado o convite do presidente (Alexandre Kalil). O desafio é esse de fazer história aqui no Atlético, poder conquistar títulos, dar alegrias ao torcedor e ficar cada vez mais guardado no coração e na memória do torcedor", disse o goleiro, no dia 5 de julho de 2012, em suas primeiras palavras como jogador do Galo.

A Libertadores de 2013 marcou de fato o auge do goleiro, que acabou 'santificado' pela torcida —virou o "São Victor do Horto"—, em referência à defesa do pênalti nos últimos minutos das quartas de final contra o Tijuana, no estádio Independência. Ao todo, além do maior torneio do continente, Victor se despede do Atlético com as conquistas da Copa do Brasil (2014), Recopa Sul-Americana (2014) e outros quatro estaduais (2013, 2015, 2017 e 2020).

Para se lamentar, mesmo, só o fato de se despedir do clube sem que os torcedores que o abraçarm estivessem presentes no Mineirão. O estádio que tantou gritou por seu nome estava vazio.

Victor com placa - Divulgação/Mineirão - Divulgação/Mineirão
Imagem: Divulgação/Mineirão

"Eu diria para o torcedor que tô com saudade. Que eu gostaria de ver o Mineirão pulsando para encerrar com chave de ouro esse ciclo, mas a gente entende que são sacrifícios que a gente fez nessa pandemia, mas tenho certeza que o torcedor estava em casa apoiando, torcendo, mandando as boas vibrações e acima de tudo agradecendo a tudo que a gente viveu nesses quase nove anos de trabalho aqui no Atlético Mineiro. Obrigada por tudo. Não é o fim de um ciclo. É apenas uma mudança de página. Não é um adeus. É só um até logo", disse.

Até breve?

Agora, Victor se despede do Galo com um até breve. E esse breve pode mesmo ser muito curto. Nos próximos dias, o goleiro ficará com a sua família, mas destinará um tempo também para decidir seu futuro. A possibilidade de o agora ex-goleiro seguir no Atlético é real, não mais como atleta, mas como integrante do departamento de futebol, na função de gerente.

"Eu pretendo continuar no futebol. Me preparei para isso, estudei, tenho curso superior, já visando a este momento. É claro que o aprendizado vai ser diário, porque agora a linguagem é outra, o conhecimento é outro, a demanda é diferente. Mas acho que dá para aproveitar muito bem esse período como atleta de futebol profissional, a experiência de vestiário, e conseguir colocar isso em prática em outras funções no futebol que venham a aparecer", concluiu.

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