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Cruzeiro discute clube-empresa com executivos de mercado via Clubhouse

Projeto de clube-empresa é visto no Cruzeiro como alternativa para problemas financeiros do clube - Divulgação/Cruzeiro
Projeto de clube-empresa é visto no Cruzeiro como alternativa para problemas financeiros do clube Imagem: Divulgação/Cruzeiro

Guilherme Piu

Do UOL, em Belo Horizonte

27/02/2021 04h00

Classificação e Jogos

A situação financeira difícil do Cruzeiro, que aponta para R$ 1 bilhão em dívidas, faz com que os atuais gestores da Raposa busquem alternativas para salvar o clube. Se antes o presidente Sérgio Santos Rodrigues entendia que havia salvação para o time celeste no modelo associativo — que rege a agremiação atualmente —, agora a situação é outra.

Tanto que o assunto clube-empresa agora é tratado de forma ampla, com grupos de estudos trabalhando para entender a parte jurídica dentro das perspectivas dos projetos de leis que tramitam no Congresso Nacional, e com uma parceria fechada recentemente com uma das maiores empresas de consultoria e auditoria do mundo, a EY.

O Cruzeiro já se movimenta para criar um projeto importante e forte no intuito de migrar no futuro, quem sabe, do modelo associativo — que rege a maioria dos clubes brasileiros — para o formato empresa. Desde outubro do ano passado, há discussões internas entre membro da diretoria azul sobre o tema.

Tema discutido no Clubhouse

Agora, de forma inovadora, dirigentes do Cruzeiro conversaram ontem (26) sobre esse importante tema em uma sala de conversas na plataforma Clubhouse, uma nova rede social que permite reuniões em áudio por meio de aplicativo atualmente disponibilizado apenas para o sistema operacional iOs — da Apple.

O UOL Esporte acompanhou toda a discussão na sala "Cruzeiro + EY: Desafios na Transformação em Clube-empresa"

"Não é um modelo que está pronto, a EY está aqui para nos ajudar nesse desenho de governança. O primeiro papel que a gente tem na transformação de clube empresa, além do arcabouço legal [legislação], é como que nós como empresa, até porque o Cruzeiro estatutariamente tem que possuir 51% das cotas, obrigatoriamente. Mas a regulamentação dessa relação entre associação e o investidor passa pelo desenho do modelo de negócio. E também o modelo de governança de gestão e como isso será trabalhado no clube-empresa. Hoje, isso ainda não está pronto, esse é um dos motivos da criação do grupo de estudo para garantir uma segurança de investidores no futuro", explicou Edson Potsch, vice-presidente administrativo e superintendente de marketing do Cruzeiro.

Gerente sênior da EY, Gustavo Hazan também teve espaço para falar na sala de conversas sobre o tema clube-empresa no aplicativo Clubhouse. E citou justamente sobre os planos de se encontrar um modelo ideal, dentre os já existentes, de acordo com a necessidade de cada clube.

"É preciso ratificar a importância de se desenhar na primeira etapa do projeto um modelo que atenda às necessidades do Cruzeiro, conforme as estratégias em médio e longo prazo. Há um estudo em relação à comparação dos clubes empresas na Europa e a gente vê diversos modelos. Tem o da Red Bull, um modelo de cross owner teams, tem vários clubes, tem o modelo da Juventus, que colocou parte de suas ações na bolsa de valores, tem modelos totalmente 100% pertencentes a um dono, tem modelo na Espanha que pertencem a diversos acionistas pulverizados. Nosso trabalho da EY junto com o Cruzeiro será desenhar um modelo que seja adequado às características do clube em médio e longo prazo."

Projeto de Lei

O presidente Sérgio Santos Rodrigues é um dos apoiadores do Projeto de Lei (PL) 5516/2019, de autoria do senador por Minas Gerais, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), que trata da criação do "Sistema do Futebol Brasileiro, mediante tipificação da Sociedade Anônima do Futebol, estabelecimento de normas de governança, controle e transparência, instituição de meios de financiamento da atividade futebolística e previsão de um sistema tributário transitório".

Enquanto há discussões sobre esse e outros temas similares em Brasília, o Cruzeiro se antecipa para fomentar um projeto de clube-empresa dentro das necessidades atuais do clube.

"Cada mercado tem sua peculiaridade, cada país tem sua particularidade. A gente ainda está construindo essa cultura no Brasil. O que a gente tem hoje de acordo com o arcabouço legal, é um desincentivo para isso [investidores aportarem no Brasil], principalmente na questão tributária. Você tem uma tributação muito maior no sentido de empresa, principalmente na venda de atletas e outras fontes de receita, comparando com o modelo associativo, e isso acaba inibindo investidores no futebol brasileiro", analisou Pedro Daniel, diretor executivo da EY.

"É só a gente ver que grandes clubes, os que a gente chama de multiclubes, que têm propriedades pelo mundo. Por exemplo, o Manchester City comprou um clube no Uruguai e outro na Bolívia, mas a gente não vê entrando ainda no Brasil. O que a gente está criando através da lei, que é só um pontapé inicial, é para que consigamos trazer o investidor sério e não o aventureiro. Exatamente por que não temos o arcabouço legal para trazer a segurança jurídica para o investidor sério, e ele desiste de vir para o Brasil", explicou.

Vanguardismo do Cruzeiro

Apesar de toda a dificuldade financeira causada por más administrações, o Cruzeiro se movimenta para ganhar fôlego e tentar resolver seus grandes problemas econômicos. E o trabalho iniciado pela EY no clube, de acordo com os próprios executivos de uma das maiores empresas multinacionais do ramo de serviços profissionais, é vanguarda.

"Estamos começando uma jornada de cultura clube empresa, por isso esse projeto é importante não só para o Cruzeiro, mas um projeto de transformação da indústria. Estamos sendo protagonistas da história, é um grande marco para a história do futebol, para essa indústria", garantiu Gustavo Hazan, gerente sênior para o Mercado Esportivo da EY.

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