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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

RMP: "Flamengo é o justo campeão, mas o campeonato não teve um grande time"

Do UOL, em São Paulo

26/02/2021 01h57

Dentro de campo não foi o resultado que o torcedor do Flamengo esperava. Mas mesmo derrotado pelo São Paulo no Morumbi, o clube rubro-negro conquistou o seu segundo título brasileiro consecutivo, com a ajuda do empate em 0 a 0 do concorrente Internacional no Beira-Rio contra o Corinthians. O time que só assumiu a liderança na penúltima rodada, repetiu 2009 e acabou com a taça para chegar a oito conquistas.

No Fim de Papo, live pós-rodada do UOL Esporte — com os jornalistas Vinícius Mesquita, Renato Maurício Prado, Alicia Klein e José Trajano —, o título rubro-negro e os detalhes da rodada final do Brasileirão 2020 são analisados, com a escolha de quem foram os melhores, quem decepcionou e se o resultado final foi justo de acordo com o que foi a competição iniciada em agosto de 2020 e encerrada apenas em fevereiro de 2021.

Renato Maurício Prado afirma que o campeonato teve muitas diferenças em relação ao anterior e o Flamengo chega ao título sem empolgar o seu torcedor com as atuações dentro de campo, embora tenha levado o troféu com justiça pela campanha que no final foi a melhor.

"O Flamengo, que acabou campeão, e isso é indiscutível, acabou o campeonato, quem tem mais pontos é campeão, foi o Flamengo, ainda que perdendo na última rodada. Mas o Flamengo em momento nenhum também chegou a empolgar, a torcida do Flamengo sabe muito bem disso, não teve uma grande exibição, que você diga que é inesquecível, aquele jogo do Flamengo, não teve. Ganhou aqui bem um pouquinho, um pouquinho melhor ali, ganhou mal, perdeu, empatou jogos que não podia, e não houve outro grande time", afirma Renato.

"Esse Campeonato Brasileiro tem um campeão, claro, porque tem que ter, e o Flamengo é o justo campeão, mas não teve nenhum grande time, não teve um campeão inesquecível, não é um ano que você vai se lembrar como do São Paulo do Telê [Santana], o Flamengo do [Jorge] Jesus, esse não é um campeonato para deixar grandes lembranças, mas a torcida tem mais é que comemorar", completa.

Em relação a times que poderiam ser dominantes, Renato afirma que o São Paulo sob o comando de Fernando Diniz chegou a insinuar que poderia ser e depois o Inter, quando atingiu a sequência de nove vitórias com Abel Braga, mas os dois times não foram competentes na manutenção de seus bons momentos e ficaram para trás, assim como o Palmeiras, que teria um time para brigar pela taça, mas voltou suas atenções para a Libertadores e não foi bem na reta final do Brasileirão.

"Esse ano não teve um time empolgante, não teve um time dominante. Aliás, dominante foi o São Paulo naqueles sete pontos de diferença e jogando um bom futebol, mas em seguida derreteu. O Inter também teve uma sequência de nove vitórias, mas se você pegar os últimos cinco jogos do Inter, os resultados são ruins, são bem ruins, é empate, derrota, empate quando não podia, derrota de novo, então não houve", afirma o jornalista.

"O Palmeiras, que em determinado momento com o Abel parecia que estava engatando e acabou focando mais na Libertadores, desapareceu e não está jogando nem bem o Palmeiras hoje, essa final de Copa do Brasil é imprevisível, porque nenhum dos dois está jogando bulhufas, nem Palmeiras e nem o Grêmio", completa.

Herói na noite do título rubro-negro foi o corintiano Cássio

Mesmo com o título conquistado, Renato Maurício Prado não poupa críticas a Rogério Ceni após a atuação que o Flamengo teve contra o São Paulo no Morumbi. Ele considera que o treinador demorou para mexer e não colocou o time para atacar quando a vitória era necessária e o ex-goleiro teve o troféu garantido justamente por um goleiro, o corintiano Cássio, no Beira-Rio, que garantiu o 0 a 0 entre Internacional e Corinthians.

"Ninguém aguenta mais o Rogério Ceni, o que ele fez nesse jogo de hoje é para realmente tirar qualquer rubro-negro do sério, é impressionante. O Flamengo precisando virar, o Flamengo precisando ganhar o jogo de qualquer maneira para não depender do resultado do Internacional e ele mexe e bota o João Gomes e o Matheuzinho, agora, me explica, depois o tempo continua passando, tudo bem, o Vitinho e o Michael estão longe de ser excepcionais, mas são atacantes e o Flamengo precisava de gol, o Flamengo precisava atacar", afirma Renato.

"Resultado: o Flamengo foi campeão, sim. Quem foi o herói do Flamengo na noite? Cássio, goleiro do Corinthians. Campeão, legal, mas não me convence, não adianta, o Flamengo não tem uma jogada, o Flamengo só faz jogar bola alta na área, os gols do Flamengo quase todos nascem de cabeça. Com aquele elenco na mão e não consegue armar um time. E aí a gente lembra do português no ano passado e é impossível não dizer, mesmo com a conquista do Brasileiro, que a torcida do Flamengo tem que comemorar, mas digo: volta, Jesus!", conclui.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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