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"Marketing com jovens está cada vez mais precoce", dizem especialistas

Thiago Fernandes

Do UOL, em São Paulo

23/02/2021 19h05

William Nascimento, do Flamengo, e Enzo Peterson, do São Paulo, ambos com apenas 10 anos de idade, assinaram neste ano contratos com a Nike e podem ter se tornado os atletas mais jovens a assinarem contratos publicitários em todo o mundo.

De acordo com especialistas, essa deve ser uma tendência cada vez mais constante no futebol mundial, já que a procura dos clubes por jogadores mais novos é cada vez maior, e a ascensão destes meninos acompanha esse movimento.

"Os investimentos no futebol estão cada vez mais precoces. Assim como os clubes iniciam a formação de jogadores cada vez mais cedo, também os agentes de jogadores buscam atletas nas divisões iniciais das categorias base, é de se esperar que outra ponta relevante da cadeia do futebol, que são os patrocinadores esportivos, também busquem alinhar-se comercialmente o mais cedo possível aos atletas ja que neste estágio os investimentos financeiros são baixos", aponta o advogado especializado em direito desportivo, Eduardo Carlezzo.

Para se ter uma ideia do tamanho do 'feito' de William Nascimento e Enzo Peterson, eles conseguiram algo que nem o craque Neymar conseguiu: o atual atacante do PSG assinou seu primeiro contrato de patrocínio aos 13 anos.

Vale destacar que essa 'briga' entre as empresas de material esportivo sempre aconteceram ao longo dos anos, e a tendência é que seja expandida cada vez mais cedo para jogadores que estejam surgindo antes mesmo de chegarem ao futebol de campo, como foi o caso desses meninos. Acaba sendo uma maneira de as marcas estabeleceram uma relação por meio da entrega de produtos e, com o tempo, caso vinguem, já terem uma identificação estabelecida com essas agremiações.

Até onde se sabe, os contratos dos jovens atletas de Flamengo e São Paulo não chegam perto aos que são assinados com os profissionais da bola, limitando-se à entrega de material esportivo da marca e um valor 'simbólico' para aquisição de produtos da Nike.

"É um risco para essas marcas, pois ainda é pouco provável saber se um menino de 10 anos vai ter um futuro como Messi ou Neymar, mas é um risco que vale a pena o investimento e é exatamente esse estreitamento no relacionamento, inclusive com a família, que essas grandes marcas tem pensado. É uma aposta que representa muito pouco gastos, pelo contrário, é visto como uma aposta significativa, que pode dar frutos milionários a médio e longo prazo. Por isso eu acredito que as marcas precisam dividir as laranjas nos cestos. Precisam, sim, investir em jovens, mas também precisam ter seus ídolos já consolidados", acrescenta Marcelo Palaia, professor de marketing esportivo pela ESPM e especialista do mercado.

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