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Opostos, Cruzeiro tem dificuldade financeira e Atlético-MG agita o mercado

Presidentes do Atlético-MG (esq) e do Cruzeiro (dir) vivem situações opostas em seus respectivos clubes - Divulgação/Cruzeiro e Bruno Cantini/Atlético
Presidentes do Atlético-MG (esq) e do Cruzeiro (dir) vivem situações opostas em seus respectivos clubes Imagem: Divulgação/Cruzeiro e Bruno Cantini/Atlético

Guilherme Piu

Do UOL, em Belo Horizonte

06/02/2021 04h00

Classificação e Jogos

O cenário futebolístico em Minas Gerais atualmente aponta para extremos, clubes em situações opostas do ponto de vista técnico e financeiro. Enquanto no Cruzeiro há enorme dificuldade de investimentos, falta de dinheiro e implementação de um projeto bem aquém dos já apresentados outrora pelo clube, um dos maiores vitoriosos do Brasil, o Atlético-MG mostra audácia, gasta milhões e agita o mercado da bola com contratações de peso, "patrocinado" por mecenas que já injetaram mais de R$ 200 milhões em aquisições de atletas.

Enquanto o Cruzeiro passou apertado no meio da tabela da Série B de 2020, o Atlético-MG esteve bastante tempo na parte de cima da tabela e, mesmo que aos trancos e barrancos, ainda tem chances remotas de título na Série A — 2% segundo, segundo o departamento de matemática da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Tanta diferença gera ainda mais disparidade quando o assunto é contratação de reforços. Enquanto o Galo mira nomes de celebres, como o atacante Hulk — já contratado — e o meia Nacho Fernández, a Raposa abre os seus olhos para atletas sem contrato, destaques de clubes na segunda divisão brasileira e que topam assumir o desafio de superar a dificuldade para recolocar o clube na Série A. Como por exemplo, o meia Marcinho, ex-Sampaio Corrêa, o lateral esquerdo Alan Ruschel, ex-Chapecoense, e o atacante Felipe Augusto, ex-América-MG.

"Tem atleta que a gente aborda que fala: 'eu não posso ir para o Cruzeiro, porque vai atrasar um pouquinho o salário e eu estou com dificuldade financeira e preciso ir para algum clube'. Sem problema nenhum, tem que estar aqui com a gente, quem quer. E a gente tem que entender", revelou André Mazzuco, diretor de futebol do Cruzeiro, durante uma transmissão ao vivo para sócios mais abonados do clube.

Já no Atlético-MG o cenário é outro. Mesmo sem conseguir andar com as "próprias pernas", também por dificuldades financeiras, o alvinegro tem pelo menos um fortíssimo aporte financeiro externo, dinheiro que chega do "grupo dos 4 R's", os mecenas Ricardo Guimarães, Rubens Menin, Rafael Menin e Renato Salvador, empresários que tem forte influência atualmente no clube.

"Agradeço ao Rubens Menins, Ricardo Guimarães, ao Rafael Menin, ao Renato Salvador, ao doutor José Murilo, pelo irrestrito apoio. Em destaque ao Rubens Menin e Renato Salvador pelo empenho não só na contratação do Hulk, mas no dia a dia do Atlético. Essas duas pessoas têm trabalhado como se fossem o presidente, ajudando de todas as formas. Quando eu falo como se fosse o presidente, é com muito trabalho", disse o presidente atleticano Sérgio Coelho, em seu discurso antes da apresentação do atacante Hulk, na Cidade do Galo.

Crise no Cruzeiro

Em colapso financeiro, o Cruzeiro atingiu na última temporada mais de R$ 1 bilhão em dívidas, sendo que houve um salto estratosférico dessa dívida enquanto Wagner Pires de Sá presidiu o clube, entre o fim de 2017 e 2019. Já são 165 processos ativos na Justiça do Trabalho, dívidas milionárias com alguns atletas, como Fred (R$ 25 milhões) e Dodô (R$ 15 milhões), esse o novo reforço do Atlético-MG e atrasos salariais para jogadores e funcionários administrativos.

Mesmo com um investidor mais forte bancando parte das despesas, há enorme dificuldade do Cruzeiro manter seus compromissos financeiros em dia. Como o presidente Sérgio Santos Rodrigues já havia comentado. "O pessoal sabe o meu incômodo com isso. Tanto que, quando atrasa [salário], eu comunico internamente. Falo do planejamento e quando pretendo pagar. Enfim, prometer que vai acontecer é complicado, mas quem está aqui sabe da nossa seriedade, do nosso empenho e o tanto que incomoda não estar em dia. Isso é uma batalha diária para que o atraso não aconteça", disse, em outubro de 2020.

Galo ficou rico?

Muitos questionam sobre a capacidade de investimento do Atlético-MG, que está agressivo e "gastador" no mercado da bola. Então, a pergunta feita é a seguinte: "o Galo ficou rico de um dia para o outro?".

Com mais de R$ 200 milhões investidos no departamento de futebol, como publicou o UOL no ano passado, o Alvinegro ganha esse "respiro" com a grande ajuda dos mecenas. Não fossem esses players dos bastidores, o Atlético-MG passaria muito apertado e teria dificuldades enormes até de se manter na Série A.

Foi o que comentou Sérgio Sette Câmara, ainda quando presidente atleticano, no momento em que buscou ajuda da família Menin, uma das mais influentes em Minas Gerais e no Brasil.

"Conversei com o Rubens [Menin] e falei: 'poxa, nós vamos correr o risco de inaugurar o estádio do Atlético-MG em uma situação periclitante'. Então, é um sonho que você tem de ver o Atlético-MG bem, e é lógico que nós vamos querer fazer uma inauguração pujante do nosso estádio com o time performando bem. Mas isso não é da noite pro dia, a gente precisa fazer as mudanças vou começar a implementar as mudanças desde já", contou, em entrevista ao UOL no fim do ano passado.

Os enormes investimentos feitos pelos Menin no Galo servem também, além dos títulos importantes perseguidos — principalmente o Brasileiro, que o clube não vence desde 1971 —, para potencializar o lado econômico da Arena MRV, a futura casa atleticana. Nos bastidores, o que se fala é que o Atlético-MG, com um time forte e campeão, transformará seu estádio em uma "mina de dinheiro".

O balanço patrimonial do Atlético-MG em 2020 apontou prejuízo de R$ 6 milhões no referido exercício. Porém, as cifras poderiam ter sido piores — R$ 55 milhões — não fosse uma vultuosa doação de Rubens Menin no valor de R$ 49 milhões. Valor que o próprio empresário explica como a cessão pela área onde está sendo construída a Arena MRV.

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