PUBLICIDADE
Topo

Futebol

Ex-seleção em 2001 vira técnico amador em Curitiba: "comecei e tomei gosto"

Volante Leomar, ex-Sport, orientado por Emerson Leão em sua passagem pela seleção brasileira em 2001 - Evelson de Freitas/Folhapress
Volante Leomar, ex-Sport, orientado por Emerson Leão em sua passagem pela seleção brasileira em 2001 Imagem: Evelson de Freitas/Folhapress

Marcello De Vico

Do UOL, em Santos (SP)

03/02/2021 04h00

Convocado para a seleção brasileira para disputar as eliminatórias e a Copa das Confederações em 2001, o ex-volante Leomar, marcado especialmente por sua passagem pelo Sport, continua 'respirando futebol'. Depois de pendurar as chuteiras do futebol profissional em 2006, ele jogou no amador por um tempo e, em 2016, virou preparador físico. Veio então, em 2019, o convite para ser treinador. A princípio, a ideia não o agradava. Mas por que não arriscar?

Ele aceitou a proposta do Internacional de Campo Largo, time tradicional do futebol amador do Paraná, e começou a pegar gosto por ficar à beira do campo. "Eu não tinha essa pretensão de ser treinador. Mas quando você vai e toma gosto, você quer insistir. Eu tomei gosto pela ideia de trabalhar à beira de campo, com motivação, parte tática. Agora, vamos ver o que vai dar daqui pra frente", disse Leomar, hoje com 49 anos, em entrevista ao UOL Esporte.

No início desse ano, Leomar resolveu aceitar outro desafio como técnico: trabalhar no Tanguá, outro time do futebol amador do Paraná que, recentemente, subiu para a primeira divisão da Suburbana. O campeonato em questão é o principal do futebol amador de Curitiba e já revelou nomes como Bruno Guimarães, Renan Lodi e Marcos Guilherme, todos ex-Athletico Paranaense.

Leomar, ex-seleção brasileira, como técnico do Inter de Campo Largo, do futebol amador - Internacional Esporte Clube de Campo Largo-PR - Internacional Esporte Clube de Campo Largo-PR
Imagem: Internacional Esporte Clube de Campo Largo-PR

"Em 2020 ficou tudo parado, e em 2021 apareceu essa oportunidade de trabalhar como treinador num time amador, o Tanguá. Subiu da segunda para a primeira da Suburbana. Vai ser um projeto bem audacioso, não apenas no adulto, mas também na base. Os trabalhos vão começar em maio, com treinamentos e amistosos. A competição tem início em agosto", disse.

"Sempre acompanhei o Tanguá. Ficou vários anos fora da primeira divisão e agora voltou. Mesmo assim, os donos estavam pensando em abandonar o projeto porque não tinha recurso. O amador é difícil, você investe dinheiro e não tem retorno. É um dinheiro que você coloca por amor ao time", afirmou Leomar, que também ficará responsável pelas categorias de base.

O convite ao treinador partiu de Calmon, ex-jogador de Paraná, Avaí e Fortaleza e que hoje trabalha como executivo do clube. "Ele me ligou e explicou todo projeto. Eu vou treinar o adulto e também ficar de olho na base. Ele me ofereceu até pra fazer o curso de treinador...", acrescentou Leomar, que antes de virar técnico trabalhou como agente de jogadores.

"P... sacanagem". Leomar recorda polêmica em convocação de 2001

No ano de 2001, Leomar viveu a maior alegria de sua carreira como jogador. Foi convocado para a seleção brasileira em duas ocasiões: para as eliminatórias da Copa do Mundo, em jogo contra o Peru, no Morumbi (1 a 1), e, depois, para disputar a Copa das Confederações, organizada conjuntamente entre Japão e Coreia do Sul.

"Foi totalmente surpresa. Mais pela minha idade, pois eu já estava com 30 anos. Já não tinha expectativa de servir à seleção. E como eu já tinha trabalhado com o [Emerson] Leão em 96 [no Athletico Paranaense], ele retornou para o Sport em 2000 e fizemos aquela boa campanha na Copa João Havelange, com o quinto lugar, e todos os atletas se destacaram bastante", recorda Leomar.

Leomar, ex-jogador do Sport, com a faixa de capitão da seleção brasileira em 2001 - Ben Radford/Getty Images - Ben Radford/Getty Images
Imagem: Ben Radford/Getty Images

Anos depois, porém, mais especificamente em 2013, Leomar foi surpreendido por uma declaração dada por Luciano Bivar, então presidente do Sport em 2001. Em uma entrevista à Rádio Transamérica do Recife, o ex-mandatário, hoje deputado e presidente do PSL, afirmou ter pago comissão para o volante rubro-negro ser convocado para a seleção em 2001.

A notícia caiu como uma bomba para Leomar, que diz até ter movido uma ação contra Bivar: "Me pegou de surpresa do mesmo jeito que me pegou a convocação pra seleção. Eu não sabia de nada. Só em 2013 veio à tona esse negócio de ter contratado um lobista pra eu ir para a seleção. Imagina, 12 anos depois, me vem uma bomba dessa dizendo que o presidente fez um negócio desse. Complicado demais. Aí, corri atrás, entrei na Justiça, mas não deu em nada porque o Bivar é muito influente na política. Acabou não dando em nada, só mais dor de cabeça."

"Todo mundo sabia a pessoa que eu sou, do jeito que eu trabalho, e foi uma p*** duma sacanagem", recorda Leomar.

Dias depois, em depoimento ao STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva), Luciano Bivar mudou a sua versão sobre o suposto pagamento pela convocação do volante Leomar para a seleção brasileira em 2001. O cartola negou ter havido propina e disse ter feito apenas um lobby.

Veja outros trechos da entrevista:

Técnicos mais importantes da carreira

Na base, foi o Zequinha, que também treinou o profissional do Athletico. Aprendi muito com ele. Depois, Hélio dos Anjos. Mas são vários: Levir Culpi, Leão... Mas com quem eu trabalhei mais tempo, foi o Hélio dos Anjos, no Athletico e no Sport.

Adaptação na Coreia do Sul

Foi sofrido. Eu morava no Recife e lá era muito calor. Eu fui em dezembro, então, peguei todo inverno. Pra se adaptar não é fácil, pra treinar, jogar... E tinha a alimentação, porque é muito apimentado, não usa tempero, uma comida sem gosto. E a fala, pra você se comunicar nos treinamentos. Tinha tradutor, mas não era todo dia. A dificuldade foi grande, mas depois você vai se acostumando.

Chegada à base do Athletico

Eu cheguei na base com 16 anos, no Athletico Paranaense. Fiz o teste e fiquei. Dos 12 aos 16, o Milton do Ó abriu uma escolinha em Marechal Cândido Rondon, minha cidade, e fiquei lá durante quatro anos. Depois, ele me indicou e cheguei ao Athletico, mas já tinha uma noção boa.

Convocação para a seleção

Eu estava no treinamento e de repente veio a surpresa. Leomar convocado pra seleção brasileira, aí foi aquele alvoroço, ligação de tudo que é lugar [risos]. Mas foi muito bom. A primeira convocação foi para as Eliminatórias, 2001, no Morumbi, Brasil x Peru, 1 a 1. Depois teve outra convocação para a Copa das Confederações, e eu fui de novo. Nossa equipe não foi bem na Copa, veio a demissão do Leão, entrou o Felipão, com outra filosofia, outros atletas, e acabou passando a oportunidade para alguns jogadores.

Confiança de Leão

O Leão confiava bastante em mim. A gente se destacou no Sport com um trabalho muito bom que ele fez. O elenco era bem fechado e tudo que ele pedia, a gente fazia no campo.

Futebol