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Ceni não traduz tempo livre em futebol e paciência se esgota no Flamengo

Rogério Ceni comanda o Flamengo; Técnico está cada vez mais pressionado na Gávea - EFE/Bruna Prado POOL
Rogério Ceni comanda o Flamengo; Técnico está cada vez mais pressionado na Gávea Imagem: EFE/Bruna Prado POOL

Leo Burlá

Do UOL, no Rio de Janeiro

26/01/2021 04h00

Sonho de 10 entre 10 treinadores brasileiros, tempo livre não tem faltado a Rogério Ceni no Flamengo. Sucessor de Domènec Torrent, que sempre reclamou da loucura do calendário, o rubro-negro não tem traduzido espaço na agenda em bom futebol.

Desde que estreou no Fla, no dia 11 de novembro do ano passado, na derrota por 2 a 1 para o São Paulo, o comandante teve nada que seis semanas com apenas um compromisso.

Em contrapartida, a passagem do catalão foi marcada por jogos em cima de jogos e, em apenas uma ocasião, ele teve um espaço mais longo entre uma e outra partida.

Condenado por goleadas, o excesso de gols sofridos e pela inconstância, Torrent foi demitido após 23 jogos, com 13 vitórias, quatro empates e seis derrotas. Sem a confiança dos jogadores e com a paciência da torcida esgotada, ele foi demitido e as esperanças rubro-negras se renovaram com Ceni.

O técnico chegou respaldado por seu trabalho no Fortaleza, mas eliminações sucessivas na Copa do Brasil e na Libertadores minaram a confiança entre torcida e dirigentes. A derrota por 2 a 1 para o Athletico incomodou pela perda de contato com o líder Internacional, mas muito mais pelo mau futebol demonstrado.

Com o revés na Arena da Baixada, Rogério viu a sombra da queda voltar a crescer. A cúpula de futebol pensa em uma análise após a "obra acabada", mas a frustração é imensa na Gávea. Novamente com a corda no pescoço, o técnico comanda a equipe na quinta (28), contra o Grêmio, 20h, na Arena.

Diante dos atleticanos, Ceni incomodou a cúpula de futebol com suas substituições e por suas declarações pós-jogo. Ele tornou a indicar que não pretende escalar Pedro e Gabigol juntos, mas deu espaço para o camisa 21 e Rodrigo Muniz atuarem ao mesmo tempo.

"O Gabriel não faz um lado de campo, o Pedro não faz. O Muniz consegue jogar centralizado, deixar um ponta passando pela direita, pela esquerda. Na hora de recompor, ele consegue", disse ele.

O técnico ainda mantém ascendência sobre os jogadores, mas a paciência vai se esgotando entre os caciques da política do Fla, que já avaliam uma possível troca em caso de novos fracassos em curto prazo.

Com o Brasileiro cada vez mais sob risco, o Rubro-negro ainda se agarra a um fio de esperança para manter o troféu em casa. Apesar do banho de água fria da última rodada, o ex-goleiro mantém a fé:

"Nós continuamos sete pontos atrás do Inter, temos o jogo atrasado contra o Grêmio, vamos fazer uma análise melhor quando igualarmos todos os jogos. Eu acho que o campeonato continua em aberto".

Após um dia de folga, o elenco retoma hoje (26) os treinos. Os atletas se reapresentam às 9h e trabalham de olho no Tricolor gaúcho. Um novo tropeço pode ser decisivo para a sorte do Flamengo no Brasileirão. Assim como para Rogério Ceni.

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