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Brasileirão - 2020

Diniz e Abel desafiam "temporada dos estrangeiros" e brigam pela liderança

Abel Braga e Fernando Diniz disputam liderança do Brasileiro em São Paulo x Inter - Ettore Chiereguini/AGIF - Rubens Chiri / saopaulofc.net
Abel Braga e Fernando Diniz disputam liderança do Brasileiro em São Paulo x Inter Imagem: Ettore Chiereguini/AGIF - Rubens Chiri / saopaulofc.net

Marinho Saldanha e Thiago Fernandes

Do UOL, em Porto Alegre e São Paulo

20/01/2021 04h00

Classificação e Jogos

A temporada 2020 começou embalada pelo sucesso de Jorge Jesus no ano anterior. Na esteira de tudo que o português fez pelo Flamengo, vieram apostas e mais apostas em treinadores de fora do Brasil. Mas a 'temporada dos estrangeiros' se encaminha para o fim, com dois brasileiros disputando a liderança no jogo de hoje (20), às 21h30 (de Brasília), entre São Paulo e Internacional, no Morumbi.

O duelo da 31ª rodada do Brasileirão coloca frente a frente dois técnicos em momentos diferentes na carreira e em situações opostas nos clubes. Em comum entre eles, apenas a nacionalidade.

Ainda não está nada definido. Abel Ferreira (Palmeiras) e Jorge Sampaoli (Atlético-MG) brigam para honrar o legado de Jesus e manter os treinadores de fora do país no topo. Mas nesta rodada, apenas os brasileiros podem chegar assumir, ou seguir, na liderança.

Diniz é um dos mais longevos do Brasil

Segundo técnico mais longevo da elite nacional — está à frente do time paulista desde setembro de 2019 —, atrás somente de Renato Gaúcho, Fernando Diniz conseguiu se sobressair na atual edição do Campeonato Brasileiro. Líder do torneio, com 57 pontos, o técnico superou momentos de instabilidade para levar o São Paulo à briga pelo título.

Depois de um início de campeonato com oscilações, o treinador chegou a ser pressionado e, por pouco, não deixou o Morumbi. Mesmo internamente, cogitaram tirá-lo do cargo — Diego Aguirre, Paulo Autuori, Rogério Ceni e Vagner Mancini foram cogitados para a sua função. À época, contudo, o executivo de futebol do Tricolor, Raí, decidiu mantê-lo na função.

Mesmo com a permanência no CT da Barra Funda, Diniz ouviu que seria necessário fazer alterações na forma de atuar e na escalação. O técnico apostou em nomes que não eram utilizados. Bruno Alves, Arboleda, Luan, Gabriel Sara, Igor Gomes e Brenner receberam chances na formação inicial.

A mudança tática permitiu que o São Paulo jogasse mais solto em campo e engatasse uma sequência positiva — foram mais de três meses de invencibilidade e 17 jogos sem perder. A série colocou a equipe na primeira posição do torneio nacional, com vantagem considerável sobre os adversários.

O bom trabalho de Fernando Diniz recebeu apoio na mudança de gestão — Julio Casares foi eleito presidente no lugar de Carlos Augusto Barros e Silva, o Leco. O novo mandatário chegou a garanti-lo na função, independentemente do resultado na atual edição do Campeonato Brasileiro.

No último mês, o técnico vive novo período de instabilidade. Com problemas de desfalques e até internos — ele se envolveu em uma discussão com Tchê Tchê que repercutiu negativamente no CT da Barra Funda —, Fernando Diniz vê a liderança do Brasileiro ameaçada, sobretudo pelo Inter. O time gaúcho, rival de hoje, está um ponto atrás da equipe na tabela. O Tricolor paulista necessita de um triunfo em casa para evitar que o adversário assuma o topo da tabela, e Diniz volte a ser contestado nos bastidores.

Abel substituiu argentino e pode dar lugar a espanhol

O Internacional foi um dos times que entrou no embalo das apostas vindas de fora. No início de 2020, fez um movimento também apoiado no sucesso do Flamengo. Foi até a Argentina e contratou Eduardo Coudet, que chegava precedido pelo bom futebol mostrado pelo Rosario Central e pelo Racing sob seu comando. Além de ter sido campeão argentino, pelo segundo time citado.

Com Coudet, o Inter atingiu o objetivo de ruptura com o modelo de jogo anterior, de Odair Hellmann. Ao invés de um time defensivo e reativo, o argentino colocou o Colorado no ataque. Repleto de jogadores de frente, marcação alta, intensidade como base do trabalho de campo, o Inter se via com metas contempladas.

Faltou título ou vitórias sobre o rival. No único campeonato que foi até o final, Coudet nem mesmo chegou na decisão. Foi o Caxias que fez a final do Gaúcho com Grêmio. E o tradicional oponente também pesou negativamente para Chacho, que encerrou sua passagem sem conseguir superar o time azul uma vez sequer.

Mas não foi o Inter que quis a saída. Coudet teve problemas de relacionamento com a direção do clube e se desligou por opção própria. Aceitou oferta do Celta, da Espanha, e deixou o time classificado na Libertadores, na Copa do Brasil, e em primeiro no Brasileiro.

Abel chegou sob desconfiança, foi eliminado dos dois torneios de mata-mata, mas tinha em seu favor a história. Técnico das maiores conquistas da história do clube gaúcho — Mundial e Libertadores de 2006 — o experiente profissional de 68 anos não demorou muito a encaixar um time. Mudou bastante as ideias de seu antecessor, mas conquistou o elenco. Hoje, o Inter vem de seis vitórias seguidas no Brasileiro, oito jogos sem perder e de olho no topo do Brasileirão.

Ainda assim, para a próxima temporada a aposta pode novamente vir de fora. A direção tem acerto com o espanhol Miguel Ángel Ramírez.

FICHA TÉCNICA:

SÃO PAULO x INTERNACIONAL
Competição
: Campeonato Brasileiro, 31ª rodada
Data e hora: 20/01/2021 (quarta-feira), às 21h30 (de Brasília)
Local: estádio do Morumbi, em São Paulo (SP)
Árbitro: Marcelo de Lima Henrique (RJ)
Auxiliares: Rodrigo Figueiredo Henrique Correa e Michael Correia (ambos do RJ)
VAR: Rodrigo Nunes de Sá (RJ)

SÃO PAULO: Tiago Volpi; Juanfran (Igor Vinícius), Bruno Alves, Diego Costa (Léo) e Reinaldo; Luan, Daniel Alves, Igor Gomes e Gabriel Sara; Luciano e Brenner. Técnico: Fernando Diniz

INTERNACIONAL: Marcelo Lomba; Rodinei, Lucas Ribeiro, Victor Cuesta e Moisés; Rodrigo Dourado, Praxedes, Edenilson, Patrick e Caio Vidal; Yuri Alberto. Técnico: Abel Braga